Modelos econômicos subestimam os riscos das mudanças climáticas

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24 Setembro 2019

Um grupo de economistas internacionais adverte que os líderes mundiais estão recebendo uma visão incompleta dos riscos das mudanças climáticas. Os pesquisadores, pertencentes a três das organizações de maior prestígio nesse tema - o Instituto Terra, da Universidade de Columbia, o Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático e o Instituto Grantham de Pesquisa sobre Mudança Climáticas e Meio Ambiente, da London School of Economics - acabam de publicar um relatório onde garantem que os modelos econômicos que os governos e empresários recebem não incluem os maiores perigos aos quais a economia estará exposta no futuro. Consideram que mesmo documentos como o do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas mostram uma desproporção entre as ameaças implacáveis que preveem para um planeta mais quente e os impactos moderados que prognosticam em nossos modelos de bem-estar.

A reportagem é de Laura Rodríguez, publicada por El Diario, 22-09-2019. A tradução é do Cepat.

“As avaliações econômicas dos riscos potenciais futuros das mudanças climáticas omitem ou subestimam enormemente muitas das mais graves consequências que terão na vida e nos modos de subsistência das pessoas, porque se trata de riscos difíceis de quantificar e que estão fora do que tem sido a nossa experiência humana”, explicam os autores nas análises.

Um dos grandes problemas do aquecimento global é que anuncia uma situação que os seres humanos não conheceram em toda a sua existência. Estima-se que a concentração de CO2 na atmosfera é agora 45% maior do que quando a industrialização começou no século XVIII, e que a última vez que a nossa Terra teve concentrações semelhantes foi há três milhões de anos, na época do Plioceno. Naquela época, a temperatura era três graus mais alta, o gelo dos polos muito menos extenso e o nível do mar de 10 a 20 metros mais alto.

Nos modelos econômicos, é difícil prever o que essa mudança pode significar nas condições de vida das pessoas, pois seria necessário conhecer assuntos muito complexos como a resistência da população, sua capacidade de adaptação e capacidade de se mover em um mundo com cada vez mais habitantes. São incertezas difíceis de colocar em números de custos e benefícios, por isso acabam sendo subestimadas e frequentemente excluídas dos relatórios, embora se saiba que isso não está certo.

Conforme adverte o documento publicado, a maioria das avaliações econômicas se preocupa apenas em estimar os efeitos no Produto Interno Bruto, o que exclui muitos dos problemas e riscos que afetarão a qualidade de vida das pessoas. As migrações massivas nas regiões costeiras e mais próximas ao nível do mar, os conflitos que surgirão pela água e a perda de vidas que expõe um clima mais extremo não são incluídos como riscos para a economia futura.

Contudo, segundo esses economistas, os modelos devem considerar o impacto desses processos para oferecer uma imagem mais precisa. Entre os elementos que destacam para prever os perigos reais, estão a desestabilização das geleiras e calotas polares, e suas consequências, a elevação do nível do mar, a maior virulência dos furacões, o aumento de secas e inundações, as temperaturas extremas, as alterações na circulação atmosférica e dos oceanos, e a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas.

São processos complicados de entender e prever, mesmo para os cientistas que estudam os aspectos físicos das mudanças climáticas, mas necessários para oferecer um cenário mais realista que ofereça pistas para escolher políticas que nos protejam dos riscos do futuro.

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