‘Discussões no Sínodo têm viés político’, afirma Villas Bôas, ex-comandante do Exército

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03 Setembro 2019

Ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Eduardo Villas Bôas, disse que, ao “escapar” para questões ambientais, o Sínodo da Amazônia adquiriu “viés político”.

Villas Bôas admitiu que o governo tem “preocupação” com os temas do Sínodo, a ser realizado no mês que vem, em Roma, mas tentou amenizar o tom de confronto com a Igreja. “Eles não são inimigos, mas estão pautados por uma série de dados distorcidos, que não correspondem à realidade do que acontece na Amazônia”, afirmou o general, em uma referência à carta escrita por bispos, que na semana passada se queixaram de serem tratados como “inimigos da Pátria”.

“Estamos preocupados, sim, com o que pode sair de lá, no relatório final, com as suas deliberações. E, depois, como tudo isso vai chegar à opinião pública internacional porque, certamente, vai ser explorado pelos ambientalistas. Agora, que fique claro: não vamos admitir interferência em questões internas do nosso País. Lá, nas discussões, as coisas se misturam e o Sínodo escapou para questões ambientais e também tem o viés político”, afirma o militar em entrevista de Tânia Monteiro, publicada por O Estado de S. Paulo, 03-09-2019.

O general responde à carta publicada, em Belém, pelos bispos que participaram do encontro de estudos do Instrumento de Trabalho do Sínodo da Amazônia, onde disseram que estão sendo “criminalizados” e tratados como “inimigos da pátria”.

“Não é verdade, até porque a maioria dos militares é de católicos. Se, de certa forma, eles provocaram esta reação (do governo) foi porque, em todos os movimentos iniciais relativos ao Sínodo, a Igreja não fez nenhum contato com o governo brasileiro. Isso, naturalmente, gerou uma preocupação com os temas propostos para o encontro”, responde o militar.

Perguntado se “a organização do Sínodo e depois, a sua realização, pode interferir na ONU?”, o ex-comandante diz: “Eu acho que sim. Há uma forte interligação entre os organismos internacionais, sempre com esse viés crítico em relação ao que acontece no Brasil. Constatamos que há uma ação orquestrada. Depois da fala do Macron, por exemplo, houve uma do secretário-geral da ONU (António Guterres), na mesma linha do presidente francês”.

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui

 

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