Desafio de Francisco para o acolhimento. Luz religada nas casas ocupadas

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • ‘Cultura do descarte e do ódio’ de governantes atuais lembra Hitler, confessa papa Francisco

    LER MAIS
  • O que suponho que Lula deveria dizer. Artigo de Tarso Genro

    LER MAIS
  • Bolívia. Breve reflexão a partir do golpe de Estado de 10 de novembro de 2019

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

14 Maio 2019

Ao escutar os relatos, o que aconteceu na Via Santa Croce in Gerusalemme, em Roma, pertencia até sábado à noite à categoria do inimaginável. Mas quando, às 22h, depois de uma semana de escuridão e dificuldades, de refeições frias e sem banhos, a luz está de volta ao prédio ocupado e até mesmo quem não tem fé pensou em um milagre ao ver um cardeal emergir do poço da energia elétrica no qual duas horas antes tinha descido, três metros abaixo do solo, com a força do desespero e da humanidade, para religar os medidores lacrados por falta de pagamento.

A reportagem é de Maria Rosa Tomasello, publicada por La Stampa, 13-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Como alguns super-heróis, D. Konrad Krajewski, o homem que o Papa Francisco enviou às ruas para ajudar os pobres da cidade de Roma, deixou sua assinatura: um cartão de visita assinado, com total responsabilidade por seu gesto em favor das 450 pessoas de 18 diferentes nacionalidades que vivem na antiga sede do Inpdap. Um edifício de sete andares ocupado pela Action em 2013, que em seis anos se tornou aquilo que a Spin Time Labs, um coletivo de 25 organizações culturais atuantes dentro do edifício, definiu como "um canteiro de obras para a geração urbana": um espaço com um teatro, laboratórios, uma taberna, cursos de formação e atividades esportivas.

"Quando o prédio se iluminou, foi muito lindo: todos começaram a cantar, alguns bateram tambores, outros se abraçaram. Ficamos felizes. E quando às 3h da madrugada chegaram os encarregados com a polícia para cortar a energia novamente, ficamos unidos, para defender nosso poço”, relata Sabrina Aristarco, 50, que na noite de quarta-feira, em meio à crise elétrica, correu risco de morrer. “Tive uma violenta crise respiratória. Tenho enfisema pulmonar, preciso de oxigênio 24 horas por dia e sou cardiopata. Estávamos numa condição insustentável, à luz das velas, eu tinha que fazer inalações, mas sem eletricidade era impossível. O que me salvou foi a intervenção de um dos médicos solidários que nos assistem. O Padre Konrad fez um gesto grandioso”.

Como muitos outros, Sabrina chegou aqui depois que sua vida desandou: ela tinha um emprego no cinema, uma família, uma casa, então o trabalho acabou, chegou o despejo e a doença piorou. E como muitos outros, está na lista há muito tempo para uma moradia pública.

Gianni Alilovic espera há sete anos: "O que pedimos é a dignidade de sermos tratados como seres humanos, ao invés disso, vivemos com o medo do despejo". Todos pensaram nisso, na expulsão sem volta, quando a escuridão tomou o prédio. "Aqui temos mais de cem crianças, mais de trinta por cento são idosos, pessoas com doenças graves. Nos dias do corte da luz, muitas pessoas se sentiram mal, algumas caíram, uma criança bateu a cabeça. Tudo aconteceu sem aviso, sem qualquer senso de humanidade", relata a irmã Adriana Domenici, uma missionária leiga que escolheu viver ao lado dos desabrigados. Foi ela, no sábado, enquanto a vizinhança fazia o possível para ajudar - as lojas recarregavam os celulares, os pais da escola Di Donato cuidavam das máquinas de lavar – que avisou D. Konrad que há seis dias o prédio estava sem energia devido a contas não pagas de 300 mil euros na conta da propriedade, um fundo do Grupo Banca Finnat.

“Na segunda-feira, após o corte da eletricidade, entramos em contato com o município. Na terça-feira nos disseram que a ligação seria restaurada em 24 horas, mas isso não aconteceu. O cardeal prometeu: se nada acontecer até às 20h, eu cuido disso. E assim foi. Agora esperamos a resposta das instituições: que venham aqui, que vejam o que acontece em um lugar onde as pessoas perderam tudo”.

A primeira resposta, cortante, veio do líder da Liga Nord, Matteo Salvini: "Espero que o esmoleiro do Papa também pague os 300 mil euros de contas em atraso e também ajude todas as famílias italianas em dificuldade".

Tons decididamente diferentes daqueles usados pelo colega do M5S Luigi Di Maio em defesa do Pontífice, contestado ontem por Forza Nuova: “Não há limite para a vergonha. A minha proximidade ao papa Bergoglio e a todos aqueles que ao lado dele se empenham por um futuro melhor. E mais humano”.

O porta-voz da Spin Time, Adriano Dossi, falou: "Muitas vezes reiteramos que estamos disponíveis para assumir os custos dos serviços públicos, repetimos isso. E se é ilegal religar a energia, não seria ilegal deixar crianças, idosos e doentes sem energia elétrica?”

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Desafio de Francisco para o acolhimento. Luz religada nas casas ocupadas - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV