A Paixão de Cristo, sacrifício e violência. IHU promove exibição e debate neste sábado na Unisinos Porto Alegre

Cena do filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson (2004)

12 Abril 2019

Perseguido, traído, torturado e morto. Sequências da vida e morte de um homem que sobrepôs os extremos: amor e violência. A Paixão de Cristo é retratada de diversas formas. O cinema desde o final do século XIX busca sensibilizar a fé com a arte. O Instituto Humanitas Unisinos — IHU dá continuidade ao Ciclo de Filmes: Cinema, Cultura, Fé e Teologia nesse sábado, 13-04-2019, exibindo “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson (2004), na Unisinos Porto Alegre, a partir das 9h, na Sala TEDU 806.

A expressão do sacrifício e sofrimento de Jesus tem diferentes representações. O cinema, segundo, Luiz Antônio Vadico precisou dar novidade a uma história que já se conhecia o fim. Assim, no século XIX, as produções sobre a Paixão de Cristo “preocuparam-se mais com a estética”. Vadico esteve no IHU em 2009, como conferencista do evento Páscoa IHU, e proferiu as palestras "Imaginando o Divino. Representações de Jesus no Cinema" e "A paixão de Cristo no Primeiro Cinema. Influências artísticas, estética e narrativa". De acordo com o professor “o Primeiro Cinema pode ser caracterizado pela forte presença de uma imagem de Jesus como o Servo Sofredor ou Cordeiro de Deus, valorizando o sofrimento e a vida de Jesus como salvação para a humanidade. Ao longo da história, de acordo com cada obra nova, esses aspectos foram mudando”.

Algumas das obras do Primeiro Cinema referidas por Vadico podem ser assistidas abaixo:

La Passion (A Paixão), de Louis Lumière e George Hatot (1898)

La vie et la passion de Jesus (A vida e a paixão de Jesus), direção de Ferdinand Zecca, por Pathé (1903)

La vie du Christ (A vida de Cristo), de Alice Guy-Blaché, por Gaumont (1906)

From the Manger to the Cross (Da Manjedoura à Cruz), de Sidney Olcott, por Frank Marion (1912)

A representação da Paixão pode ser feita de diferentes formas. Na produção cinematográfica de Mel Gibson a violência e o sacrifício são os destaques. Em entrevista à revista New Yorker, em dezembro de 2013, semanas antes de lançar o filme, afirmou sua relutância em legendar o filme que fora gravado todo em aramaico, hebraico e latim, pois seu objetivo “era que o público se ativesse à via-crúcis do Salvador e todo o sofrimento impingido a ele”.

Essa ênfase na violência torna o filme único e controverso, dado a grandiosidade da produção. O filme custou US$ 30 milhões e arrecadou mais de US$ 600 milhões com bilheterias ao redor do mundo. Embora esse sucesso, muitas críticas foram feitas a Mel Gibson, tanto pela sua violência, quanto pelas "mensagens antissemitas subliminares", apontadas por alguns críticos, como o próprio Luiz Vadico: ".

Para Massimo Pampaloni, as críticas são em certo ponto injusta. Em entrevista à IHU On-Line, o professor italiano explica que o filme “tem uma dimensão teológica de grande profundidade, mas para ser lida e identificada exige conhecer não só a linguagem do filme, mas também a teologia e a patrística. Neste filme podem ser encontrados todos os grandes temas cristológicos dos Padres da Igreja dos primeiros cinco séculos”.

A discussão teológica e cristológica sobre a Paixão é a contradição da vida e da morte, do amor, do sacrifício e da violência e da tortura. Roberto Solarte, filósofo e teólogo colombiano, escreveu ao IHU, em 2015, sobre o pensamento de René Girard, que debatia em suas obras sobre a relação do sagrado e da violência. Solarte destaca que para Girard existiam dois elementos centrais na Paixão: “O primeiro consiste em expor a lógica dos sistemas sociais, que são sacrificiais: nestes relatos aprecia-se a crise social, em que os diversos grupos, que mantêm posições polarizadas, se unem diante de uma vítima eleita e acusada de forma completamente arbitrária [...] O segundo aspecto é a verdade da inocência de Jesus, que é sustentada durante todo o relato do Evangelho, mas que dispõe de especial drama em suas respostas perante as acusações. Jesus é uma vítima que sabe e expõe sua inocência. Quem o assassina sabe que o faz sem razão”.


Revista IHU On-Line Nº 479 teve como tema Violência e o Sacríficio, a partir do pensamento de René Girard

As contradições geram enfim uma compreensão do sacrifício pois “ao fazê-lo nos revela, por um lado, a lógica dos sistemas sociais e, por outro, a possibilidade de libertar-nos dessa lógica através da entrega da própria vida, ou seja, da lógica do dom e da graça”, explica Solarte.

Neste sábado, o IHU dá continuidade ao Ciclo de Filmes Cinema, Cultura, Fé, Teologia - 16ª Páscoa IHU, com a introdução e exibição do filme A paixão de Cristo, de Mel Gibson.

O filme será apresentado pela Profa. Dra. Cleusa Maria Andreatta, professora adjunta da Universidade do Vale do Rio dos Sinos; integrante da Equipe de Coordenação do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, com ênfase no Programa Teologia Pública.

A atividade é gratuita.

Programação

13 de abril de 2019 (sábado)

9h às 9h20min – Uma introdução ao Filme A paixão de Cristo, de Mel Gibson

Profa. Dra. Cleusa Maria Andreatta – Unisinos

9h30min às 11h40min – Exibição do Filme: A paixão de Cristo (Direção de Mel Gibson, Drama, EUA, 2004, 2h07min)

Sala TEDU 806 | Campus Unisinos Porto Alegre

Campus Unisinos Porto Alegre

Mais informações sobre a programaçãoinscrições podem ser consultadas aqui.

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