Sua majestade o dinheiro. Artigo de Jean-Claude Guillebaud

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04 Abril 2019

“Hoje, como no século XVIII, os super-ricos simplesmente perdem a razão”. A reflexão é de Jean-Claude Guillebaud, jornalista, escritor e ensaísta, em artigo publicado por La Vie, 02-04-2019. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

Independente do que se disser, a crise dos “coletes amarelos” tem a vantagem de ter colocado em primeiro plano a precariedade, a vida pobre e a desigualdade. Já era tempo. De fato, enquanto a miséria está crescendo na Europa, as Bolsas de Valores decolam e, no nosso caso, as empresas do CAC 40 estão registrando lucros recordes. A frivolidade dos ricos é tão detestável quanto a sua arrogância.

Oh, eu sei! Quando se trata de dinheiro e finanças, a pequena sociedade político-midiática entra em ebulição. As acusações indignadas contra as finanças e seus beneficiários provocam entre eles apenas um tumulto de repreensões. Seria ridículo denunciar o roubo, imprudente dar as costas aos mercados financeiros, demagógico adular os pobres. Essas invectivas me fazem pensar no filme de Bertrand Tavernier, Que la fête commence! (1975), magnífico ataque contra a surdez dos pequenos marqueses do antigo regime no início do século XVIII, sob a regência do duque de Orléans. E imagem ácida de uma elite que vive cercada em seus privilégios e vaidades.

Neste filme, o dinheiro se alia ao cinismo em um redemoinho, enquanto o país ruge de raiva que vai explodir algumas décadas mais tarde, em 1789. Entre o clima crepuscular do século XVIII e a cegueira de hoje, o parentesco salta aos olhos. Hoje, como no século XVIII, os super-ricos simplesmente perdem a razão. Bastaria acrescentar algumas plumas, calções ou perucas para reconhecer os mesmos protagonistas.

Designar o dinheiro como um mau mestre seria, no entanto, a menor dessas coisas nestes tempos de crescente miséria, de Bolsas de Valores em festa e de desigualdades em franco crescimento. No entanto, não nos atrevemos mais a fazer como Bossuet em 1662, quando interpelou diretamente (no Sermão sobre o rico mau) os poderosos do seu tempo: “É possível fazer você ouvir a voz enfraquecida dos pobres que tremem diante de você?”

Atacar os ricos? Como isso é imprudente, repete-se hoje! Algumas pessoas acreditam que estão descobrindo por trás de tudo isso os vestígios de um arcaísmo vindo dos “cathos”, que pretendem “presos” à questão do dinheiro. Os tolos! Não sabem eles que a advertência contra o dinheiro rei é uma longa queixa que anda em todas as culturas e em todas as confissões? Simone Weil escreveu em O Enraizamento, publicado em 1949: “Ao fazer do dinheiro o móvel único ou quase de todos os atos, a medida única ou quase de todas as coisas, pôs-se o veneno da desigualdade em toda parte”. Talvez ela tenha pensado no profeta Ezequiel (28, 5): “Você multiplicou a sua fortuna e se elevou com a força da riqueza”. Ou Isaías (1, 23): “Todos gostam de suborno e correm atrás dos ganhos ilícitos”.

De maneira lúcida, George Steiner exclamou em 2000: “O cheiro do dinheiro empesta todo o país”. Quanto a Charles Péguy, ele escreveu em L’Argent, em 1913: “Pela primeira vez na história do mundo, o dinheiro é mestre sem limitação ou medida”. Nós encontramos as mesmas advertências entre os budistas, os muçulmanos ou os ateus resolutos. Penso em André Gorz, uma figura intelectual de prestígio dos anos 80: “O dinheiro tornou-se um parasita que devora a economia”. Passem a mensagem aos nossos governantes.

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