Bolsonaro X Maia, a trama se adensa enquanto o dólar tem forte alta

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28 Março 2019

O bate-rebate entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia teve mais um capítulo nesta quarta-feira, com o presidente da República e o da Câmara trocando farpas públicas em tom cada vez mais exaltado. O mal-estar, um dia depois de os deputados aprovarem em tempo recorde um projeto que engessa o orçamento do Executivo, reverberou na Bolsa de São Paulo. O dólar fechou no maior valor em quase seis meses e a principal Bolsa do país teve forte queda. O dólar comercial encerrou esta quarta-feira vendido a 3,954 reais, com alta de 0,088 reais (+2,27%). A divisa está no valor mais alto desde 1º de outubro, quando tinha fechado em 4,02 reais. O dia ainda teve espaço para uma demissão em falso do ministro da Educação, Ricardo Vélez.

As informações são publicadas por El País, 27-03-2019.

A imprensa revezou em manchetes ao longo do dia as declarações de Bolsonaro e Maia enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendia seus planos para a pasta na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O presidente disse na TV, no programa popular de José Luiz Datena, que o "estado emocional" do presidente da Câmara poderia estar abalado, numa referência velada aos dias de prisão do ex-ministro Wellington Moreira Franco, padrasto da mulher de Maia e investigado pela Operação Lava Jato. Antes, havia feito pronunciamento em teor parecido. “Abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, a capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios, e o presidente brincando de presidir o Brasil”, rebateu Maia, que disse que era hora de parar de "brincar" no poder.

As declarações complicaram a trama e aprofundaram ainda mais a percepção de crise política precoce numa gestão que nem completou três meses. Em meio a tudo disso, coube a Guedes também adicionar uma pitada de incerteza no Senado. "Não tenho apego ao cargo, desejo de ficar a qualquer custo, como também não tenho a inconsequência e irresponsabilidade de sair na primeira derrota. Não existe isso", disse o ministro da Economia, questionado sobre as dificuldades de tramitação da reforma da Previdência.

Já eram as horas finais de negociação na Bolsa de São Paulo, mas ainda houve tempo para o mercado reagir à frase de Guedes. O Ibovespa, que estava se recuperando e tinha atingido os 93 mil pontos por volta das 14h30, ampliou a queda e retornou aos 91 mil pontos depois do início da audiência de Guedes na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Educação

O dia ia se encaminhando para seu fim quando a colunista Eliane Cantanhêde anunciou, na Globo News, que Bolsonaro havia decidido demitir o ministro da Educação, Ricardo Vélez, por "motivos óbvios". O ministro falou nesta quarta-feira à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, onde fez uma confusa analogia com o traficante Pablo Escobar para defender o afastamento de traficantes de drogas das escolas brasileiras. Além disso, a partir da audiência viralizou um vídeo em que a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) o critica pela falta de um plano de educação e de conhecimento sobre "dados básicos" do Ministério.

Não foi desta vez, contudo, que Vélez, cujo ministério tem sido um dos grandes focos de confusão do Governo, deixou de ser ministro. Coube ao próprio Bolsonaro desmentir a colunista, com a costumeira alfinetada na imprensa. "Sofro fake news diárias como esse caso da 'demissão' do Ministro Velez. A mídia cria narrativas de que NÃO GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc. Você sabe quem quer nos desgastar para se criar uma ação definitiva contra meu mandato no futuro. Nosso compromisso é com você, com o Brasil", escreveu o presidente em seu perfil no Twitter. Mais cedo, Bolsonaro havia dito durante o programa de José Luiz Datena, ao comentar a situação no MEC, que "tem que resolver, porque realmente não está dando certo as questões lá".

Vélez também foi à rede social se manifestar sobre a informação de que teria sido demitido. "O jornalismo brasileiro se põe raivoso por estar, pela primeira vez, sem poder barganhar às custas de trocas de favores. Meu compromisso é com os brasileiros e seus representantes. Os veículos que busquem outras fontes de financiamento", escreveu.

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