O encontro do cardeal Barbarin com o Papa

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19 Março 2019

O Arcebispo de Lyon, que anunciou no dia 7 de março que iria se encontrar com o Papa para apresentar sua renúncia, foi recebido na segunda-feira pela manhã. O Papa Francisco recebeu na manhã de segunda-feira, 18 de março, às 10 horas, no Vaticano, o cardeal Philippe Barbarin no escritório papal, no palácio apostólico.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por La Croix, 18-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O cardeal havia anunciado no dia 7 de março, imediatamente após a sentença de condenação a seis meses de prisão com a condicional, sua intenção de encontrar o papa para apresentar-lhe as demissões de seu cargo de arcebispo de Lyon. A Santa Sé confirmou na segunda-feira ao meio-dia que a audiência aconteceu, mesmo que nada do conteúdo tenha vazado, uma vez que o Vaticano nunca publica comunicados após encontros de um bispo com o Papa. Este último, no entanto, provavelmente tomará uma decisão daqui há alguns dias ou até mesmo em algumas semanas.

O cardeal estava acompanhado por Eric Monterde, vigário geral da diocese de Lyon, e por Etienne Piquet-Gauthier, diretor da fundação Saint-Irénée.

Após a cúpula no Vaticano, no final de fevereiro, sobre a proteção de menores, e a insistência de que os bispos prestem contas de suas ações, seria lógico supor que o papa aceitaria a renúncia do cardeal que, julgando os fatos apresentados, não havia denunciado situações graves de agressões sexuais contra menores cometidos pelo padre Preynat. No entanto, o Papa tem outras opções à disposição.

Em primeiro lugar, porque Francisco não gosta de se sentir pressionado. Aceitar a renúncia do Arcebispo de Lyon significaria que Francisco age forçado pela justiça francesa que condenou o cardeal em primeira instância. E isso, mesmo que o cardeal Barbarin tenha conseguido dissociar sua renúncia da recente condenação, para o benefício de uma diocese que ele não se sente mais em condições de governar.

Enquanto isso, a condenação impetrou uma apelação. Além disso, seus advogados temem que a aceitação das demissões acabe dando a impressão de que o papa reconhece a culpa do cardeal antes de uma decisão definitiva do sistema judiciário francês. Eles teriam enviado uma nota nesse sentido ao Papa para explicar como, na opinião deles, a sentença será diferente no tribunal de apelação. Ali estariam atuando em terreno favorável, pois o Vaticano já foi queimado pelas reações, provavelmente excessivas, à condenação do arcebispo de Lyon, que chegaram até mesmo a compará-lo a um pedófilo. Mas também não se trata de dar a impressão de que pagaria os erros, mais graves, de seus predecessores.

Além disso, até mesmo a recente condenação do cardeal australiano George Pell tem suas consequências: embora o Vaticano expresse oficialmente "o maior respeito pela justiça australiana", nos bastidores alguns falam de um "processo stalinista" feito contra o ex-responsável pelas finanças do Vaticano. Embora o sistema judicial australiano seja muito diferente do sistema francês, no Vaticano paira a impressão negativa de processos montados contra dois cardeais.

Todos esses elementos poderiam levar o papa a não aceitar a renúncia do cardeal, com o risco de que isso não seja entendido na diocese de Lyon e pela maioria dos fiéis. Ao papa seria então oferecida uma terceira solução: nomear um administrador apostólico para a diocese de Lyon. O cardeal Barbarin permaneceria assim como arcebispo titular, pelo menos até o final do processo de apelação, apesar de estar afastado de sua gestão efetiva.

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