Homossexualidade e pedofilia: a luta contra os abusos na Igreja

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21 Fevereiro 2019

Em um momento em que o problema dos abusos sexuais por parte de expoentes do clero oprime de modo tão pesado a vida e a consciência da Igreja e exorta o Papa Francisco a convocar uma cúpula com os presidentes de todas as Conferências Episcopais, refletir sobre a atitude pastoral em relação às pessoas homossexuais é algo que vai diretamente ao encontro de um dos núcleos do problema.

A reportagem é de Luciano Moia, publicada em Avvenire, 19-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Trata-se de uma reflexão importante por uma série de motivos, cada um dos quais é relevante para as várias implicações a que se refere. Começando com a repercussão da dúvida de considerar a homossexualidade e a pedofilia como comportamentos desviantes resultantes da mesma raiz. É por isso que distinguir não é apenas oportuno. É necessário para o respeito pela dignidade das pessoas.

O Papa Francisco expressou isso com clareza, retomando os dois Sínodos sobre a família na Amoris laetitia: “Cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, procurando evitar qualquer sinal de discriminação injusta” (AL 250). E, no Sínodo sobre os jovens de outubro passado, o tema foi reproposto em toda a sua complexidade. Ou, melhor, afirmou-se com clareza que é preciso favorecer os caminhos de acompanhamento para as pessoas homossexuais já iniciados em algumas dioceses. Não só isso, os bispos admitiram a necessidade de um cotejo com as diversas “inclinações sexuais”.

O Documento Final afirma: “Existem questões relativas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que precisam duma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais profunda, que se há de realizar nas modalidades e níveis mais convenientes desde o local ao universal. Dentre tais questões, sobressaem particularmente as relativas à diferença e harmonia entre identidade masculina e feminina e às inclinações sexuais” (n. 150).

Aprofundar, reelaborar, tentar entender. Sem esse trabalho de introspecção, que deverá ser tão mais sereno quanto complexo e embaraçoso, será impossível pensar em como conter os episódios de violência que têm como base o impulso de uma sexualidade patológica.

Não será suficiente isolar e reprimir aqueles que, dentro e fora da Igreja, mancham-se com esses crimes, se a teologia e a pastoral não se interrogarem sobre essas questões. Trata-se de uma urgência que investe de perto o grande problema da sexualidade, entrelaça a relação não resolvida entre norma, consciência e discernimento, toca a questão de escolhas que não podem mais ser descartadas como “incidentes de percurso”.

Há o dever de entender e, portanto, de se interrogar e de interrogar quem pode fornecer intuições úteis para aprofundar um tema do qual ninguém, entre os que amam a Igreja, pode se dizer alheio. Há, portanto, acima de tudo, a urgência de ir a fundo na grande e complexa questão da homossexualidade.

Há também a necessidade de limpar o campo de toda confusão sobre a relação entre pedofilia, efebofilia e, justamente, homossexualidade. Realidades que, às vezes, têm pontos de contato, mas também, é bom dizer logo com clareza, enormes e explícitas divergências.

Nesse esforço, é preciso enquadrar de modo finalmente orgânico e coerente uma pastoral para as pessoas com orientação homossexual. Mas seria impossível fazer isso se antes não forem esclarecidos algumas grandes questões de fundo.

A exigência não nasce hoje. Depois da Amoris laetitia, a Igreja na Itália está se interrogando sobre como configurar uma pastoral específica para que as pessoas com orientação homossexual também possam “dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida” (AL 250).

Houve alguns encontros preliminares entre bispos, agentes de pastoral e especialistas, foram redigidas uma série de indicações gerais, há algumas comunidades (Turim, Civitavecchia, Cremona, Parma) que iniciaram estruturas diocesanas para lidar estavelmente com o tema, muitas outras estão pensando nisso, mas, na realidade, não se sabe muito bem como proceder. Até que ponto pode chegar a acolhida? Acolher não envolve o risco de aprovar também implicitamente um estilo de vida? Quando se fala do dever da castidade, o que se entende? Respeito, fidelidade e compromisso de ajuda mútua na relação ou na abstinência absoluta?

Problema já complexo dentro do casamento e para os casais heterossexuais, terrivelmente mais emaranhado quando o casal estável, fiel, reciprocamente oblativo é homossexual. Nesse caso, seria óbvio entender a castidade como algo que impede qualquer relação sexual.

“A doutrina é clara”, diriam aqueles que usam as normas como pedras para atirar nas vidas das pessoas. Sim, mas qual norma? Na Amoris laetitia – que continua sendo o documento magisterial mais recente sobre o assunto –, depois de recordar a exigência da proximidade pastoral em relação às pessoas homossexuais por parte da Igreja, Francisco não acrescenta nenhuma condenação ética, não recorda a passagem do Catecismo a respeito da “desordem moral objetiva”, como haviam feito os documentos anteriores do magistério.

O mesmo vale para o Documento Final do Sínodo dos jovens. Um simples esquecimento? É difícil pensar assim. Talvez poderia ter sido predominante o desejo de ler a questão com uma ótica diferente, de abrir o debate, de escutar a opinião da base, na convicção de que “nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais” (AL 3).

As perguntas poderiam continuar longamente, mas as respostas, neste momento, não existem, mas também não são fáceis e, em todo o caso, é duvidoso que elas possam chegar tão em breve. Talvez porque, no que diz respeito à homossexualidade e a tudo o que gira em torno desse mundo multifacetado e nada unívoco – alguns afirmem que se deveria falar de homossexualidade no plural – as ideias mais recorrentes são muitas vezes contraditórias e confusas. E não apenas dentro da Igreja. Também no mundo científico as posições muitas vezes parecem irreconciliáveis, distantes.

O que queremos dizer quando falamos de homossexualidade? Nós não conhecemos as suas causas, as suas origens, a sua evolução. Não sabemos se se trata de uma condição permanente ou flutuante, como gostariam as chamadas “teorias do gênero”. Não sabemos se “nascemos” homossexuais ou se entramos nessa condição por uma série de motivos em que influências sociais e dados existenciais se entrelaçam com processos genéticos e hormonais.

Muitas hipóteses, nenhuma certeza. Sobre essas questões, lançamos em novembro passado uma investigação em capítulos no nosso caderno “Noi famiglia & vita”. Propomos três dessas entrevistas.

A primeira entrevista foi dedicada ao Pe. Maurizio Faggioni, médico, teólogo e bioeticista.

A segunda (dezembro) ao Pe. Stefano Guarinelli, psicólogo e professor [disponível aqui, em italiano].

A terceira, na qual quem fala é o Pe. Pierdavide Guenzi, professor de teologia moral e presidente da Associação dos Moralistas Italianos, será divulgada no próximo domingo, mas a antecipamos aqui, na iminência do debate no Vaticano.

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