Papa: para eliminar a fome no mundo não bastam slogans

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15 Fevereiro 2019

“A fome não tem presente nem futuro. Só passado”: uma frase que não deveria só ser ‘slogan, mas uma verdade’. A afirmação foi do Papa Francisco ao abrir o Conselho de Governadores do FIDA [Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola], no encontro que aconteceu na sede da agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura (FAO). Francisco, que convocou um Sínodo sobre a Amazônia a ser realizado durante o mês de outubro no Vaticano, também se reuniu com uma delegação de populações indígenas da África, Ásia, América e do Pacífico.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 14-02-2019. A tradução é de Graziela Wolfart.

“Minha presença [nesta reunião] tem como objetivo trazer a esta sede os anseios e necessidades de uma multidão de irmãos nossos que sofrem no mundo”, disse em espanhol o Pontífice da encíclica “Laudato si’”. “Gostaria que pudéssemos olhar seus rostos sem nos envergonharmos, porque finalmente seu clamor foi ouvido e suas preocupações atendidas”, prosseguiu o Papa, recordando suas “precárias” condições de vida: “o ar está viciado, os recursos naturais dizimados, os rios contaminados, os solos acidificados; não têm água suficiente para eles próprios nem para seus cultivos; suas infraestruturas sanitárias são muito deficientes, suas casas escassas e defeituosas”, afirmou.

Francisco elogiou e animou o compromisso da “comunidade internacional, da sociedade civil e de todos que possuem recursos”, porque “não se deve fugir das responsabilidades, passando-as uns para os outros, mas devem ser assumidas para oferecer soluções concretas e reais”. Também pediu aos participantes que se comprometam para que a difícil frase “A fome não tem presente nem futuro. Só passado” seja “não um slogan, mas uma verdade”.

A chave para acabar com a fome, portanto, é promover o “desenvolvimento rural”, e para isso é necessário garantir “que cada pessoa e cada comunidade possa desenvolver suas próprias capacidades de um modo pleno, vivendo assim uma vida humana digna desse nome”; não aplicando um sistema de ordens que se executem de cima para baixo; “mas trabalhando com eles e para eles”, para que os povos e as comunidades “sejam responsáveis pela própria produção e pelo próprio progresso”, uma vez que “um povo que recebe uma ajuda que gera dependência não pode se desenvolver”. O Papa elogiou a maior descentralização que foi adotada nos últimos tempos pelo FIDA (“a promoção da cooperação sul-sul, a diversificação de fontes de financiamento e as modalidades de ação, promovendo ações baseadas na evidência de que, ao mesmo tempo, gerem consciência”) e animou a “seguir por este caminho, que sempre deveria levar a melhorar as condições de vida das pessoas mais necessitadas”.

Na sede da FAO de Roma, o Papa se encontrou com um grupo de representantes de diferentes populações indígenas. Francisco saudou um a um os 38 delegados de 31 diferentes povos da América, África, Ásia e da zona do Pacífico, segundo explicou o diretor interino da Sala de Imprensa vaticana, Alessandro Gisotti, e alguns lhe deram estolas artesanais. O Fórum Internacional dos Povos Indígenas do FIDA, criado em 2011, é uma plataforma de diálogo permanente entre os representantes dos povos indígenas, o fundo da ONU e os governos internacionais. Este ano, o Fórum se concentra na promoção do uso dos conhecimentos das populações indígenas para permitir desenvolver resiliência em relação ao clima e facilitar um desenvolvimento sustentável.

O Papa, que chegou às 9h da manhã à FAO, voltou ao Vaticano no final da manhã, depois de ter se reunido também com os empregados do FIDA, a quem agradeceu por seu trabalho “contra a corrente” com relação à fome e à miséria espalhadas pelo mundo. Antes de tomar a palavra, Francisco escutou os discursos do presidente do Fundo, o togolês Gilbert Houngbo, do diretor geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, e do presidente do Conselho italiano, Giuseppe Conte, que agradeceu ao Papa por sua “proximidade às agências romanas das Nações Unidas” e por seu compromisso para combater a fome no mundo; e fez isso retomando em seu discurso a receita dos três “t” que o próprio Papa expõe muitas vezes (Terra, Trabalho e Teto). O Papa Francisco também escutou a execução da violinista Midori, “mensageira de paz” para a organização da ONU. O Papa deixou de presente uma escultura da artista argentina Norma D’Ippolito, intitulada “Ecce Homo”, que representa as mãos atadas de um homem.

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