Sínodo da Amazônia; é a hora das assembleias locais entre os indígenas do Alto Solimões

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20 Novembro 2018

Um Sínodo sobre a Amazônia não poderia começar em outro lugar senão no rio. Porque no Alto Solimões (onde o Brasil literalmente toca no Peru e na Colômbia) são necessárias pelo menos três ou quatro horas para que se reúnam as oito paróquias de uma diocese de fronteira no coração da floresta. Escolheram Tabatinga, a cidade que está crescendo na fronteira, com todos seus desafios: acontece duas vezes ao ano nesta diocese, que é tão grande como a metade do território italiano, mas que conta com uma população de apenas 200 mil habitantes, espalhados em mais de 250 comunidades.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada por Vatican Insider, 19-11-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Um ambiente no qual as distâncias e as dificuldades para se comunicar transformam a viagem pelo rio na única maneira de caminhar juntos. Mas, desta vez, o encontro diocesano também tem um olhar mais amplo, porque a atenção se concentrará precisamente no Sínodo convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2019 sobre toda a Amazônia. “Um Sínodo que será um tempo de graça e não se relaciona só com o bispo: chama à causa todo o povo de Deus”, disse com firmeza Adolfo Zon Pereira (missionário xaveriano espanhol que, desde 2015, é o bispo deste enorme território) a uma centena de sacerdotes, religiosos, catequistas e agentes de pastoral que chegaram de várias margens do grande rio.

Se há um lugar no qual para promover uma consulta não basta publicar um questionário online, este lugar é precisamente a Amazônia: na floresta há lugares em que a internet não chega. Por este motivo, as assembleias locais, como a de Tabatinga, são o termômetro do caminho até o encontro do próximo ano. Uma preparação que se movimenta como o rio: lentamente, mas arrastando muitas coisas. Já nestes encontros, efetivamente, surgem alguns traços da “Igreja de rosto amazônico” que os “Lineamenta” (esboço) do Sínodo esperam; uma Igreja na qual se reza cantando que “tudo está interligado”, tudo está inter-relacionado, em um mundo que é a “casa comum”, como diz a encíclica “Laudato si”. Uma Igreja, portanto, que se propõe, na Amazônia, a se converter no grito de dor das comunidades indígenas, ameaçadas na floresta pela expansão da indústria de extração, mas também por fenômenos mais sutis, como o avanço de uma cultura global que finge legitimar, mas coloca às margens. No debate sobre os “Lineamenta” do Sínodo está surgindo, por exemplo, o drama dos suicídios entre os jovens indígenas, desorientados entre duas culturas, sem que se sintam verdadeiramente em casa em nenhuma delas. “O grito dos povos da Amazônia hoje é semelhante ao povo de Israel narrado no livro do Êxodo”, afirmou Ir. Lucia, missionária em uma das paróquias do grande rio, “mas também no Egito os que escravizaram este povo eram outros seres humanos”.

A reflexão avança em pequenos grupos sobre nove pontos específicos, apontados pelo questionário: desde a missão até a liturgia, passando pelos ministérios, pela defesa da Criação, o papel da mulher, a presença das novas periferias das cidades… Vendo a partir disso, compreende-se bem por que o tema da Eucaristia se anuncia como uma questão crucial deste Sínodo: a diocese de Alto Solimões conta com quinze sacerdotes ao todo, para um território enorme, composto por pequenas comunidades isoladas. Isso significa que há realidades em que se consegue celebrar a Missa apenas duas vezes ao ano. E nessas mesmas localidades, a presença das comunidades evangélicas está aumentando: cristãos locais são convencidos a ir para seminários de quinze dias em uma grande cidade para depois voltar e abrir a própria igreja, onde na maior parte das vezes o que pertence à identidade indígena é considerado pecado.

Por isso, para a Igreja católica, o grande desafio do Sínodo é pensar em novas formas de presença, seguindo a inculturação: reza-se a Ave Maria em língua ticuna na assembleia de Tabatinga; e é uma maneira de reforçar a ideia de uma única Igreja também com os fieis não indígenas que vivem no rio e nas cidades. Reflete-se sobre como acompanhar de verdade a vocação de Hércules, o indígena que começou no seminário, mas não poderá continuar com uma educação idêntica à de quem estuda filosofia e teologia com categorias e modalidades que lhe são completamente alheias.

Tudo isso, portanto, está no caminho de Alto Solimões até o Sínodo. Em um território semelhante ao que têm boa parte das 102 dioceses da Pan-Amazônia, o território que se estende por nove países será o centro do encontro que acontecerá em Roma em outubro de 2019. As reflexões reunidas em Tabatinga, por exemplo, chegarão no final do mês a Manaus, junto com as de outras áreas próximas, como parte do material da assembleia pré-sinodal das dioceses da Região Norte 1 da Conferência Episcopal brasileira. Este será um dos 50 encontros deste tipo registrados pela REPAM, a Rede Eclesial Pan-amazônica, que está coordenando, junto com a Secretaria de Estado, a preparação do evento.

Nestes dias, precisamente, o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo, visitou Manaus para ver como está indo o processo que deveria ser concluído na primavera, com a publicação do “Instrumentum Laboris”. Uma fase de escuta, escreveu Baldisseri em uma nota, que está se revelando como uma oportunidade preciosa para “saber mais sobre o ambiente amazônico e sobre seus povos, para reconhecer suas lutas e resistências e para confirmar o caminho da Igreja, que é cada vez mais profético e que está cada vez mais comprometido na causa do Reino de Deus nessa região”.

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