No Sínodo dos jovens aflora a questão feminina

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16 Outubro 2018

Um apelo para aumentar a presença das mulheres na tomada de decisão da Igreja Católica e do Vaticano foi pronunciada na plenária do sínodo pelo Cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência episcopal alemã, que também destacou como os abusos sexuais na Igreja tenham sido possíveis graças a uma cultura clericalista que uma maior presença feminina em papéis de responsabilidade teria evitado.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 12-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em seu discurso, publicado posteriormente no site da Conferência Episcopal Alemã, Marx, a partir do documento de trabalho do Sínodo sobre os jovens (Instrumentum laboris 128), ressaltou que na Alemanha desde 2013 os bispos decidiram "aumentar significativamente a proporção de mulheres em posições de responsabilidade, que na Igreja estão disponíveis a todos os laicos", para aprofundar no plano teológico e pastoral, "a participação das mulheres (e dos laicos como um todo) nas tarefas de responsabilidade da Igreja" e, por fim, para "promover uma pastoral atenta à diferença de gênero na teologia e na prática".

Desde então, vários projetos foram lançados, como, por exemplo, uma "tutoria" para mulheres na Igreja que preparou nos últimos anos quase 100 pessoas para cargos de responsabilidade. Referindo-se à recente estudo encomendado pelos bispos alemães que ressaltou as "estruturas clericais e forma clerical em que são vividas as responsabilidades" entre as causas fundamentais da propagação dos abusos sexuais na Igreja, o Arcebispo de Mônaco da Baviera, disse: "as mulheres em posições de responsabilidade têm um papel decisivo na ruptura dos círculos clericais fechados". "Se, como o Instrumentum laboris solicita, a Igreja quer defender a dignidade das mulheres (cf. número 158) - disse Marx - não é suficiente repetir os textos magistrais específicos. Devemos enfrentar as questões muitas vezes incômodas e impacientes dos jovens sobre a paridade de direitos para as mulheres na Igreja. Não podemos mais facilmente nos eximir dos discursos e nós precisamos aprender novamente uma cultura do debate para estarmos presentes no debate público de maneira argumentada sobre as principais questões fundamentais da existência humana como a sexualidade, os papéis de homens e mulheres e as relações humanas. E devemos, para nossa própria credibilidade, aumentar muito mais o número de mulheres em cargos de liderança em todos os níveis da igreja, da paróquia aos níveis da diocese, da Conferência episcopal e do próprio Vaticano. Nós realmente devemos querer isso e fazer com que aconteça! A impressão de que a Igreja, quando se trata de poder, é, em última análise, uma Igreja masculina - concluiu o cardeal alemão - deve ser superada tanto na Igreja universal como aqui no Vaticano. Caso contrário, as mulheres jovens não poderão encontrar aqui nenhuma possibilidade criativa real. Chegou a hora!”

Na esteira da intervenção do Cardeal Marx, a questão feminina também voltou durante o briefing diário na sala de imprensa do Vaticano. "No Sínodo há grande abertura para ouvir a todos, incluindo as mulheres, e as mulheres também estão presentes, assim como estiveram presentes no pré-sínodo e com o levantamento via internet anterior: acho que a elas foi dada muita voz, mas depois o Sínodo é o Sínodo dos bispos, não há mulheres bispos ou cardeais, e isso deve ser aceito", disse o bispo holandês Everardus Johannes de Jong. A quem perguntava, mais especificamente, por que os religiosos homens podem votar no Sínodo, mesmo não sendo religioso, enquanto as religiosas mulheres não, o prelado holandês respondeu: "Eu não organizo o Sínodo e não sei por que não há mulheres que votam, mas é verdade que os apóstolos eram homens" e, seguiu dirigindo-se para a jornalista que fez a pergunta: "eu gostaria de entender melhor o que está por trás desta pergunta, se existe a sensação de que as mulheres sejam excluídas dos processos de tomada de decisão na Igreja ou porque em sua opinião os problemas que afetam as mulheres não são enfrentados por nós, mas eu acredito que as mulheres devem falar e serem ouvidas, não vejo nada contra a possibilidade de um conselho de mulheres que se organize e se dirija ao Papa, teve 30 mil mulheres nos Estados Unidos que assinaram um pedido de explicações sobre a questão dos abusos: por favor, falem!, de questões importantes para vocês e para a Igreja".

No briefing também interveio uma "auditora", a irmã sul-coreana Mina Kwon, que sobre o tema declarou: "Minha impressão do Sínodo é que a situação da Igreja está melhorando."

O bispo auxiliar de Los Angeles Robert Emmet Barron, em seu primeiro sínodo, referiu-se a uma assembleia "alegre" com jovens ouvintes que, com as suas intervenções, são efetivamente os "protagonistas" do Sínodo, e que ontem o Papa saudou convidando-os a “continuar fazendo barulho”.

Várias perguntas para o prelado estadunidense se concentraram na renúncia que o papa aceitou do cardeal arcebispo de Washington Donald Wuerl, mas D. Barron explicou que tinha ficado sabendo da notícia, e da existência de uma carta do Papa para Wuerl, apenas alguns minutos antes, enquanto se dirigia da sala do Sínodo à sala de imprensa do Vaticano: "Estávamos ocupados durante toda a manhã em reuniões, eu realmente não tive a oportunidade de refletir sobre a questão", disse ele. "Eu conheço o cardeal Wuerl e considero que ele toma decisões em boa consciência e deve ter feito o que achava melhor para a Igreja", limitou-se a dizer. Quanto à questão mais geral dos abusos na Igreja dos Estados Unidos, "achei muito encorajador o comunicado do Vaticano de 6 de outubro em que o Papa promete transparência e diz que quer abrir os arquivos e investigar aqui também", e no Sínodo o tema dos abusos também está sendo discutido, tanto na plenária como nos grupos de trabalho, porque "as pessoas veem uma ligação entre os dois temas”, a questão da juventude e a questão dos abusos, "e estamos discutindo de forma franca, queremos uma Igreja transparente e responsável em todos os níveis”.

Quando perguntado sobre a importância da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI, que no domingo vai ser canonizado, o bispo dos EUA disse que é uma carta que "não foi muito discutida na plenária, mas acho que seja a hora de comemorar seu caráter profético". Quanto à "inclusão" das pessoas homossexuais, "gays ou lésbicas, é preciso chegar a elas como se chega a todos os filhos de Deus, que são amados como qualquer outro, dito isso, a Igreja chama também à conversão”, disse o bispo, "Jesus acolhe e em seguida, propõe a conversão: a minha hesitação, com a palavra inclusão, é que é um termo secular, eu prefiro a palavra amor, o que também significa chamar as pessoas a mudar de vida: aceitação e inclusão não significam não pedir conversão”.

Durante o briefing, o prefeito da congregação vaticana para as Comunicações, Paolo Ruffini, disse que após a sessão da sexta-feira, a partir de sábado os padres sinodais estarão envolvidos nos grupos de trabalho linguísticos para examinar a segunda parte do Instrumentum laboris. A congregação para a Evangelização dos Povos, disse ele, distribuiu na plenária um dossiê sobre mais de 100 sacerdotes e bispos mortos. Um jovem ouvinte iraquiano falou sobre a minoria cristã no país, lembrando que mais da metade foi morta nos últimos anos, e, em seguida, falou sobre a emigração que reduziu em um terço a presença cristã no Iraque desde 2003, passando de 1,5 milhões para 400 mil e, finalmente, expressou a esperança de que "um dia eles possam ver o papa no Iraque", relatou Ruffini, ressaltando que essa foi a intervenção mais aplaudida do sínodo até agora.

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