Carta Viganò: Vaticano precisa explicar por que dois secretários de Estado acobertaram o cardeal McCarrick

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28 Agosto 2018

Com a surpreendente carta do ex-núncio Carlo Maria Viganò, a situação no Vaticano mergulha em plena Idade Média, e a guerra civil em curso há anos em torno do pontificado de Francisco dá um salto de qualidade.

A reportagem é de Marco Politi, publicada em Il Fatto Quotidiano, 27-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A atmosfera é medieval porque, de repente, voltamos a confrontos abertos sobre a pessoa do pontífice, do qual não se criticam mais certos anos, mas do qual se exige a renúncia publicamente. E o pedido não vem de personagens externa à Igreja, mas de um alto funcionário da instituição eclesiástica, respeitado pelo seu profissionalismo. Um arcebispo, além disso. No último meio milênio, tal coisa nunca tinha acontecido.

O caso é sério. Carlo Maria Viganò é um decisivo adversário da linha do Papa Francisco. Em termos político-eclesiásticos, ele pode ser definido como um defensor daquela que foi chamada de “Opção Bento”. O alinhamento daqueles que se reconhecem na linha teológica de Ratzinger, julgam o pontificado de Bergoglio como fonte de confusão e de desagregação na Igreja e que, encontrando-se há alguns anos em Roma sob o pretexto de um debate sobre a reforma litúrgica, elogiavam “Bento, o Grande” e atacavam formalmente Francisco (mesmo sem nomeá-lo) afirmando que seria melhor que a “máxima autoridade” se preocupasse com a “sobrevivência do catolicismo”. Assim disse o ex-presidente Gotti Tedeschi entre ovações.

Mas Viganò também é uma personalidade que fala de modo documentado. Não se deve esquecer que ele foi expulso pelo cardeal Bertone do seu posto de secretário-geral do Governatorato vaticano, porque não queria se calar sobre os fenômenos de corrupção dentro do Estado papal.

O que emerge da sua carta é que, na Secretaria de Estado da época de João Paulo II e de Bento XVI, nada menos do que dois núncios de Washington enviaram dossiês sobre as relações homossexuais do futuro cardeal McCarrick com seminaristas e padres. São citados nominalmente os núncios Gabriel Montalvo e Pietro Sambi, autores dos dois dossiês, o secretário de Estado, Sodano, o arcebispo substituto Leonardo Sandri (que foi substituto para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado entre 2000 e 2007) e o posterior secretário de Estado, Bertone.

No entanto, o Papa Wojtyla, em novembro de 2000, premiou McCarrick com a nomeação a arcebispo da capital dos Estados Unidos, Washington, e, no ano seguinte, criou-o cardeal.

Tratava-se – e não é um detalhe irrelevante – de relacionamentos com adultos, não com menores. Mas, em todo o caso, em flagrante contradição com o magistério de João Paulo II, duríssimo contra as relações homossexuais consideradas como pecado gravíssimo. Se João Paulo II não foi informado, temos aqui a mesma “cúpula” que (junto com o secretário particular de Wojtyla, Dom Stanislaw Dziwisz) que se esforçou para que não chegassem a João Paulo II as denúncias contra o fundador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel. Este é o primeiro capítulo da história.

O segundo capítulo diz respeito às medidas restritivas impostas tardiamente por Bento XVI ao cardeal McCarrick: proibição de residir no seminário, de celebrar a missa, de viajar como personalidade pública. McCarrick não se importou minimamente com as proibições, e o seu sucessor na diocese de Washington, cardeal Donald Wilhelm Wuerl, por sua vez, não se preocupou em aplicá-las.

E aqui, o então secretário de Estado, Tarcisio Bertone, é questionado diretamente, informado por dois escritos de Viganò sobre o estado das coisas.

O terceiro capítulo aborda o mês de junho de 2013, poucos meses após a eleição de Bergoglio, quando o núncio Carlo Maria Viganò afirma ter advertido Francisco que, na Congregação dos Bispos, havia um dossiê cheio de documentação contra McCarrick. Nada aconteceu. Neste ano, no entanto, quando veio à tona que McCarrick abusou de um menor, o Papa Bergoglio o obrigou a renunciar ao Colégio Cardinalício e ordenou um processo canônico contra ele.

Só se pode imaginar que o recém-eleito Papa Francisco hesitou em deixar claro que a estrutura de comendo dos seus dois antecessores – Bento XVI e João Paulo II – tinha sistematicamente protegido um personagem que havia cometido “abuso de poder e de consciência” (porque é disso que se trata, não da relação erótica entre adultos que consentem em condições normais). Mas cabe a Francisco responder. “Quando tiver passado um pouco de tempo – e os jornalistas tiverem analisado o texto de Viganò – talvez eu fale”, disse o Papa Bergoglio à imprensa, voltando da Irlanda.

Mas, enquanto isso, cabe ao Vaticano a incumbência de responder sobre os documentos. Existem ou não os dossiês dos núncios Montalvo e Sambi sobre as relações “inapropriadas” de McCarrick com seminaristas e padres? Existem ou não as duas notas enviadas por Viganò ao cardeal Bertone?

A história recente mostrou que a falta de transparência mais total nos casos de poder e de corrupção das consciências sempre trouxe danos aos pontificados.

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