Católicos expressam desespero, descrença e raiva diante de novas revelações de abuso

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17 Agosto 2018

Depois que as primeiras alegações de abuso contra o arcebispo Theodore E. McCarrick foram divulgadas em meados de junho, funcionários da sede da Conferência dos Bispos dos EUA em Washington se prepararam para ligações de católicos confusos, ultrajados, ou uma mistura dos dois, a respeito do escândalo emergente.

A reportagem é de Mark Pattison, publicada por Catholic News Service, 15-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen

A grande surpresa: mais católicos estavam ligando - e continuaram ligando - para perguntar como eles poderiam acolher crianças imigrantes que tinham sido separadas de seus pais pelo governo EUA na fronteira EUA-México.

Isso não durou muito, no entanto.

As ligações sobre o acolhimento de crianças imigrantes recuaram e os telefonemas relacionados a abusos aumentaram em volume e intensidade, de acordo com o diácono Bernie Nojadera, diretor executivo do Secretariat for the Protection of Children and Young People (Secretariado para a Proteção das Crianças e dos Jovens, em tradução livre) da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.

O diácono Nojadera disse que não sabe exatamente por que as pessoas ligam para o escritório dele. Ele sugeriu que pode ser que as pessoas esperem que o escritório possa emitir reprimendas a qualquer padre suspeito: "O que você vai fazer a respeito?".

Mas esse não é o caso, disse ele ao Catholic News Service em uma entrevista de 13 de agosto. Os padres acusados de abuso estão sujeitos à disciplina de seu bispo diocesano ou superior religioso; se forem considerados culpados de má conduta, podem ser laicizados pelo Vaticano. Os bispos acusados, porém, estão sujeitos primeiro ao Vaticano.

Os pais que ligam soam preocupados, acrescentou o diácono: "Como eu sei que meu filho estará seguro se estiver em formação ou se estiver no seminário?".

Os três casos mais notáveis neste verão envolvem o arcebispo McCarrick, que está enfrentando uma alegação credível de ter abusado de um menor e acredita-se que ele tenha assediado e abusado de seminaristas mesmo depois de serem ordenados ao sacerdócio; a diocese de Lincoln, Nebraska, onde um diretor de vocações que morreu em 2008 foi recentemente acusado de assédio; e a arquidiocese de Boston, onde o cardeal Sean P. O'Malley ordenou uma investigação do seminário arquidiocesano depois que surgiram relatos de abusos no início de agosto.

"Nosso primeiro trabalho é ouvir e ter empatia", disse o diácono Nojadera. Alguns dos que ligaram, reconheceu ele, estão com raiva. "Bem, eu também estou com raiva", disse ele ao CNS. Sem oração, ele acrescentou: "Eu não posso fazer o que estou fazendo".


O cardeal de Boston Sean P. O'Malley e o diácono Bernie Nojadera, diretor executivo do
Secretariat for the Protection of Children and Young People dos bispos dos EUA,
durante a convenção católica de 2017 em Orlando, Flórida (Foto: CNS / Bob Roller)

Tanto o National Review Board quanto o Committee on the Protection of Children and Young People (Comitê para a Proteção de Crianças e Jovens, em tradução livre) devem se reunir em setembro. O diácono Nojadera disse que seu escritório espera ser capaz de dar orientações a cada órgão no reforço da “Charter for the Protection of Children and Young People” (Carta para a Proteção de Crianças e Jovens), aprovada pelos bispos em 2002.

"Em 2002, estávamos respondendo a uma situação muito específica: o abuso de crianças por padres", disse o diácono Nojadera. "Eu ainda acho que é um documento muito bom. É melhor do que nada. Tem seus pontos fortes, tem seus pontos fracos”. Ele acrescentou: “Precisamos ter uma discussão muito séria sobre o que podemos fazer para aperfeiçoar o que é exigido pela Carta”.

A carta, emendada em 2011 e novamente no início deste ano, não levou em conta a possibilidade de que os bispos fossem agressores, ou que as vítimas de abuso pudessem ser adultos, muito menos seminaristas e padres cujo caminho para a ordenação pudessem ser atrapalhados por bispo-abusadores.

O aumento do volume de chamadas relatado pelo diácono Nojadera e sua equipe não foi observado em outras duas dioceses contatadas por CNS.

“Todos nós, entre o pessoal e o clero, gastamos tempo assimilando isso, porque este é outro nível de preocupação e outro nível de aflição para todos os católicos”, disse Beth Heidt Kozisek, coordenadora de assistência às vítimas da diocese de Grand Island, Nebraska, em entrevista por telefone ao CNS. "Mas nós realmente não tivemos um aumento no número de ligações de paroquianos ou membros da comunidade de modo geral."

As alegações contra o arcebispo McCarrick não foram publicadas no Omaha World-Herald, o maior jornal de Nebraska, nem no jornal local The Grand Island Independent, disse Kozisek. "Encontrei on-line, mas não vi nenhum comentário on-line", acrescentou ela. "Isso é um sinal da nossa cultura rural - ninguém está lendo a notícia? Eles estão ocupados com a agricultura e outras atividades?"

"Baton Rouge não sofreu um aumento nas alegações ou ligações no último mês devido à história do Cardeal McCarrick", disse via e-mail Amy Cordon, coordenadora de assistência às vítimas da diocese de Baton Rouge, Louisiana, ao CNS.

"Meus colegas e eu não vemos nosso ministério para vítimas de abusos clericais como um trabalho. Somos ministros", disse Cordon sobre si mesma e sobre seus coordenadores de assistência às vítimas. “E nosso chefe, Jesus Cristo, nunca desaponta”.

"É por isso que você não está vendo um êxodo em massa de coordenadores de assistência às vítimas quando essas histórias continuam a surgir mais de 10 anos depois que a carta foi escrita", acrescentou ela. "A maioria de nós trabalha sob verdadeiros homens santos de Deus e é muito afortunada por ter bons bispos que cuidam daqueles que foram prejudicados. Eu posso dizer que certamente é o caso em Baton Rouge".

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