Para Kirill, o martírio do czar Nicolau II foi culpa do Ocidente

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20 Julho 2018

O Patriarca de Moscou levou a peregrinação aos lugares do massacre do czar e de sua família. As ideias de progresso e bem-estar vindas do ocidente na base da revolução. "Rejeitar as tentações que vêm do exterior", como nos tempos de Dostoievski.

Na noite de 16 de julho último, o Patriarca de Moscou Kirill (Gundjaev) conduziu a peregrinação aos lugares do martírio do czar Nicolau II e de sua família, juntamente com os bispos reunidos na sessão especial do Sínodo. A solenidade tinha sido preparada nos dias anteriores das celebrações para os 1030 anos do Batismo da Rus de Kiev, que segundo as palavras do patriarca foi "o evento que marcou um ponto de virada na história dos povos eslavos, apontando o caminho da civilização eslava, passando da escuridão dos falsos ideais para a revelação da verdade divina".

A reportagem é de Vladimir Rozanskij, publicada por Asia News, 18-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em sua homilia em Ekaterinburg, na abertura das cerimônias, ele quis enfatizar que o assassinato do czar "é a consequência da influência perniciosa da filosofia vinda do exterior, que trouxe a negação de Deus, o esquecimento dos mandamentos e a perda de um verdadeiro relacionamento espiritual com a Igreja".

De acordo com Kirill, tal influência remonta às ansiedades imprudentes da humanidade pelo progresso de suas próprias condições materiais. Ao perguntar, "Quando tudo isso aconteceu, e por que isso aconteceu?", ele indicou de modo genérico os séculos das muitas revoluções culturais e sociais no mundo ocidental, “até que em um determinado momento da história, é como se o trem tivesse descarrilado, quando o maquinista não consegue controlar a velocidade em uma curva perigosa, jogando-se para a catástrofe".

De acordo com o patriarca, o povo russo foi atingido pelo trem desgovernado "quando pensamentos a nós estranhos, ideais estranhos, mentalidades estranhas, formadas por opiniões políticas e filosóficas que não tinham nada em comum com o cristianismo, com nossas tradições nacionais ou a nossa cultura, começaram a ser aceitas pela intelligentsia e aristocracia, até mesmo por uma parte do clero, como se fossem pensamentos que levam ao progresso, e ao segui-las fosse possível mudar para melhor a vida do povo".

Já em 2017, durante o centenário da revolução, o chefe da Igreja Russa tinha afirmado repetidamente que as culpas da catástrofe russa podiam ser atribuídas aos intelectuais e às influências ocidentais. Normalmente, considera-se que tenha sido Pedro, o Grande, em 1700 a ter introduzido à força a cultura ocidental no país, embora a escolástica dos jesuítas, através da Polônia, já tivesse penetrado na Rússia desde a fundação da Academia Teológica de Kiev, em 1625.

O imperador "ocidentalista" Pedro I, de fato, estava obcecado pela ideia do progresso técnico e o material da Rússia, que queria elevar ao nível dos outros países europeus. De acordo com Kirill, "essa ideia de mudar para melhor a vida do povo está sempre presente, quando se altera pela força o curso da história [...] as revoluções mais terríveis e sangrentas sempre foram feitas em nome do povo e do seu bem-estar, convencendo as pessoas que o melhor só pode vir do sangue e da morte, destruindo o sistema anterior".

O Patriarca depois convidou todos a rejeitar as "tentações provenientes do exterior", que espalham ilusões sobre o futuro bem-estar da Rússia: "A principal lição a lembrar é que não devemos confiar nas promessas de uma vida feliz, não devemos repor as esperanças em ajudas vindas de fora, em pessoas mais instruídas e avançadas do que nós". A confiança deve ser colocada em Deus e na sua Igreja Ortodoxa, que lidera a missão do povo russo na história, e nos homens escolhidos por Deus para representá-lo. Como o inocente czar Nicolau "que não tinha infringido as leis e não tinha abandonado Deus."

As palavras de Kirill voltam a propor a tese eslavófila da originalidade inerente à alma russa, guardiã da verdadeira Ortodoxia, e portadora da verdadeira "beleza" espiritual, como se expressava o grande escritor Fiodor Dostoievski. O aviso do patriarca lembra aquele de um dos personagens de O Idiota, a condessa Elizaveta Feodorovna, retornando da Europa: "Agora chega de exaltações; é hora de ter juízo. Todo esse vosso exterior, esse alardeado Ocidente, essa vossa Europa, não são nada mais do que fantasia; e nós mesmos, quando estamos no exterior, não somos mais que fantasia ... Lembrem-se de minhas palavras, e vocês verão".

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