A rebelião dos mexicanos

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04 Julho 2018

Ficou claro que uma vitória folgada, como a de López Obrador no México, é a combinação de pelo menos três fatores: uma vinculação permanente e irredutível com as frentes de luta populares, uma interpretação profunda e dinâmica do mal-estar social e uma organização programática baseada em percorrer o território nacional metro a metro. Tudo isso articulado por uma personalidade, cuja tenacidade não conhece o cansaço. “A terceira será da vitória”. E foi o que aconteceu.

A reportagem é de Fernando Buen Abad Domínguez, publicada por Página/12, 03-07-2018. Fernando Domínguez é diretor do Instituto de Cultura e Comunicação da Universidade Nacional de Lanús. A tradução é de André Langer.

A vitória do Morena-López Obrador é uma rebelião nas entranhas de uma estrutura democrática seriamente danificada pelo corporativismo bipartidário (PRI-PAN) e por uma enorme lista de vícios e corrupções que levaram à falência institucional todo o aparelho político. Uma rebelião assediada pela violência macabra provocada por uma falsa guerra contra o “crime organizado”, que na prática não tem sido outra coisa senão a militarização “secreta” de todo o território para colocar as riquezas nacionais a serviço das empresas transnacionais e seus cúmplices locais. Uma rebelião que teve que superar milhares de armadilhas e emboscadas em todos os odiosos repertórios do empobrecimento econômico e das guerras midiático-psicológicas.

O México sofre com a virulência do neoliberalismo e os ataques coloniais do império ianque. É um país sequestrado por gerentes – impostos pela via da fraude – para entregar recursos naturais, para dar de graça a mão de obra. No México, até hoje ninguém pode garantir ao povo a defesa do território e a defesa dos recursos naturais. Ninguém foi capaz de garantir o exercício independente da justiça. Ninguém conseguiu deter o crime organizado e sua metástase em todas as estruturas sociais e culturais do país. Ninguém foi capaz de exercer qualquer liderança em matéria de democracia comunicacional. Ninguém foi capaz de garantir o direito à educação, ao trabalho, à saúde, à alimentação... Ninguém foi capaz de garantir dignidade para as pessoas porque uma moral entreguista e desprezível, adoradora do império ianque, serve das maneiras mais ignominiosas a opressão. É nesse contexto que López Obrador vence as eleições.

Agora começa a parte mais difícil. López Obrador propõe-se a pacificar o país, a acabar com a corrupção e reconstruir a economia com trabalho digno e salários dignos. Obter a inclusão dos mais negligenciados e a distribuição equitativa do orçamento federal. Isso implica em derrotar as máfias que sequestraram o Governo e o Estado, para fazer justiça, por exemplo, aos estudantes de Ayotzinapa, aos povos originários e garantir a sustentabilidade das ações para ampliar a participação social no governo mobilizado como organizador capaz de somar força que possa oferecer soluções à força popular que alcançou a vitória.

Os desafios são muitos e são enormes em um país cujo tecido social está profundamente dilacerado, mas que, apesar de tudo, se rebelou contra o establishment para tornar visível a sua multiculturalidade e sua plurinacionalidade ligadas às “classes médias” para somar a maior votação que um presidente já teve no México e que nenhum líder da esquerda jamais alcançou.

O México enfrenta seu futuro imediato mobilizado como nunca com as praças cheias, com as ruas tomadas, com uma magnífica mobilização que incuba ideias emancipatórias. Contra a fraude, contra o saque e contra a exploração históricos... é uma identidade nova, uma festa de baixo, uma situação social sem precedentes. Pode ser que o nascimento de um novo México, desta vez decidido pelo seu povo, com as armas da democracia em reparação, com uma moral renovada e muita clareza nos desafios, possa se preparar para derrotar qualquer tentativa de retrocesso. Portanto, o México é hoje um ponto de inflexão, um desafio à nossa capacidade de luta e unidade dentro e fora do país... Ponto de inflexão para que nos conheçamos para a tomada do poder impulsionados pelas nossas próprias forças populares nos trabalhadores do campo e da cidade... para mudar o sistema e mudar a vida.

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