Programa de TV católico fica ao lado de Trump sobre a imigração

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21 Junho 2018

“Admito a ironia de que alguém que escreve para o National Catholic Reporter solicite aos bispos para que façam alguma coisa ao EWTN. Muitos críticos conservadores do NCR pensam que nós deveríamos ser fechados por causa de nossos desvios da ortodoxia. Mas, tanto quanto sei ninguém no NCR escreveu alguma vez um parecer pouco ortodoxo por pura maldade”, escreve Michael Sean Winters, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 20-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o texto.

Telespectadores regulares do programa "The World Over" da rede Eternal Word Television Network - EWTN - que é apresentado por Raymond Arroyo já começam a achar normal uma abordagem de direita das notícias do dia. Divulgando-se como um sério católico ortodoxo, Arroyo dá lugar regularmente a convidados que atacam o Papa Francisco. O programa tem sido uma espécie de versão católica do FOX News. Você pode dizer que Arroyo é Sean Hannity vestido de católico.

Sobre a questão da imigração, no entanto, se deve escolher estar ao lado do presidente ou da Igreja Católica. Não necessariamente só ao lado do Papa Francisco, cuja primeira viagem fora de Roma foi para a ilha de Lampedusa para lamentar a perda de migrantes que morreram tentando cruzar o mar Mediterrâneo. Mas, com os bispos católicos dos Estados Unidos também, que realmente estão unidos na questão da imigração como em qualquer outro assunto. De fato, os ensinamentos sobre as boas-vindas ao estrangeiro são tão claros nas escrituras hebraicas, e tão claros também na vida de Jesus, que fugiu da perseguição de Herodes e foi refugiado no Egito, que fica difícil ver como um católico poderia se posicionar com presidente Trump sobre esta questão.

E, mesmo se você de alguma forma conseguiu racionalizar como colocar as leis humanas acima da lei de Deus, mesmo se você acredita que a propaganda sobre os efeitos maléficos da imigração no nosso país são verdadeiras, a decisão recente da administração para separar as crianças de seus pais e para restringir os motivos de requerentes de asilo é moralmente depravada. Qualquer católico pró-vida, pró-família entenderia que nada justifica a ação.

Mas Arroyo não acha.

No início do programa, ele se referiu a "crianças alienígenas ilegais" como se a mais de 2.000 crianças separadas de seus pais ao longo de nossa fronteira sul fossem todos a prole de um E.T.

Em vez de confrontar a política imoral, Arroyo inventou desculpas, repetiu a os argumentos da Casa Branca sobre essas separações: elas são necessárias por causa da “lei americana de longa data que exige que as crianças sejam separadas de seus pais". Sendo assim, como presidentes anteriores, de ambos os partidos políticos, não separaram as crianças de seus pais como Donald Trump está fazendo agora?

O primeiro convidado de Arroyo foi o editor do First Things, Matthew Schmitz. Ele não questionou o falatório político de Arroyo. Quando foi perguntado sobre a chamada do cardeal Joe Tobin para os bispos irem até a fronteira para demonstrar sua preocupação pastoral e seu protesto contra estas políticas desumanas, Schmitz sugeriu que isso foi uma "arrogância".

Arroyo não é a única personalidade do EWTN cujo compromisso com o “Evangelho de acordo com Donald Trump” supera um compromisso ao claro ensinamento da Igreja Católica. A apresentadora do "Nightly News", programa do EWTN, Lauren Ashburn, foi ao México na semana passada. Ela visitou o abrigo Catholic Relief Services (CRS) para migrantes, onde as pessoas que fazem a caminhada da América Central podem parar por alguns dias e obter comida sólida, chuveiros entre outras coisas. Ela entrevistou Cecilia Suarez, chefe do escritório no México da CRS.

Suarez merece um prêmio por não bater em Ashburn quando ela perguntou se "eles [os migrantes] não veem a imigração como colocar um fardo sobre os Estados Unidos?".

Neste nosso magnífico país, onde as pessoas são livres para dizer o que querem, está longe de mim, sugerir que as autoridades cívicas poderiam ou deveriam desligar esta programação repugnante. Mas, a EWTN se apresenta como uma fonte de notícias católicas. Ashburn anuncia seu programa de como "notícias a partir de uma perspectiva católica."

Se EWTN atingiu apenas alguns milhares de pessoas, assim como o First Things, ela poderia ser ignorada. Mas, existem centenas de milhares de católicos, especialmente católicos mais velhos que saem menos de casa e ligam a TV para para fortalecer sua fé. Meu querido e falecido pai assistia a EWTN às vezes e em seguida, me chamava com perguntas que mostram o efeito que a propaganda da rede pode ter em alguém com poucas ou nenhumas fontes de notícias alternativas sobre a fé católica. Meu pai não era um alienado. Ele tinha sido diretor de escola. Mas, como muitos católicos, sua piedade era devocional, não intelectual, e ele não lia muito em seus últimos anos. Estou feliz em dizer que seu filho era um bom filho e explicou pacientemente que EWTN não era uma fonte confiável da perspectiva católica.

Russell Moore, presidente da comissão Religious Liberty da Convenção Batista do Sul, se arriscou ao denunciar a política de separação familiar. Ele também explicou como a citação de Romanos 13 por parte do Secretário de Justiça Jeff Sessions para justificar a política foi equivocada e que o texto realmente demandava leis justas, e que esta não era. "Todos temos momentos em que precisamos de mais tempo na escola dominical, e este é um desses momentos para o departamento de Justiça", repreendeu Moore.

A antiga primeira-dama Laura Bush raramente falou sobre questões de política específicas quando morava na Casa Branca com seu marido, o presidente George Bush W.. Mas ela escreveu no The Washington Post segunda-feira dizendo o óbvio: "Moro em um estado de fronteira. Agradeço a necessidade de reforçar e proteger nossas fronteiras internacionais, mas esta política de tolerância zero é cruel. É imoral. E isso parte meu coração."

Se Russell Moore pode enfrentar Trump, e Laura Bush pode enfrentar Trump, porque a EWTN não pode?

A EWTN responde ao seu próprio Conselho. Não é um Ministério oficial da Igreja para que os bispos tenham determinada autoridade sobre ela. Mas, a rede se apresenta como católica e precisa de permissão do seu bispo local para fazer as coisas como a celebração de missa na televisão. E, outros bispos certamente podem avisar as pessoas que a EWTN não fala por eles. Certamente os bispos podem pressionar os cavaleiros de Colombo para cessar o financiamento da rede até que as alterações sejam feitas. Ou eles podem pedir para que seja fechada.

Admito a ironia de que alguém que escreve para o National Catholic Reporter solicite aos bispos para que façam alguma coisa ao EWTN. Muitos críticos conservadores do NCR pensam que nós deveríamos ser fechados por causa de nossos desvios da ortodoxia. Mas, tanto quanto sei ninguém no NCR escreveu alguma vez um parecer pouco ortodoxo por pura maldade. Mesmo aqueles que não concordam com a oposição da Igreja ao aborto escrevem a partir de um compromisso com as mulheres. Eu acho que eles estão errados, que um compromisso com as mulheres pode encontrar respostas mais humanas para gravidez indesejada do que a violência do aborto, mas as pessoas que pensam o contrário não são odiosas.

O show de Arroyo é odioso. Isso deve ser tirado do ar ou ele deve ser enviado para a FOX News, onde pertence. Entretanto, centenas de milhares de católicos pensam que ele fala pela Igreja. Seu show é um escândalo no sentido genérico e teológico da palavra.

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