Intercomunhão: papa pede que bispos alemães cheguem a um acordo

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05 Maio 2018

O Papa Francisco “aprecia o empenho ecumênico dos bispos alemães e pede que eles encontrem, em espírito de comunhão eclesial, um resultado possivelmente unânime” sobre a polêmica da “hospitalidade eucarística”, ou seja, se se deve ou não conceder que um protestante tenha acesso à comunhão enquanto participa da missa junto com o cônjuge católico.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 03-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Foi o que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo Francisco Ladaria, disse à representação da Conferência dos Bispos da Alemanha que se reuniu durante essa quinta-feira, 3 de maio, “em um clima cordial e fraterno” e discutindo em alemão, com uma delegação da Santa Sé, liderada justamente pelo prefeito do ex-Santo Ofício e pelo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal Kurt Koch.

Um comunicado da Sala de Imprensa vaticana e do episcopado alemão resume o caso no centro de um acalorado debate na Igreja Católica alemã, que, agora, chegou a Roma. “Na sua última Sessão Plenária, realizada de 19 a 22 de fevereiro de 2018, a Conferência dos Bispos da Alemanha tratou de um subsídio pastoral intitulado ‘Caminhar com Cristo: Nos passos da unidade. Matrimônios mistos e participação comum na Eucaristia’. Mais de três quartos dos membros da Conferência Episcopal aprovaram esse texto. Um número não indiferente de pastores – incluindo sete bispos diocesanos – não se sentiram capazes, por vários motivos, de dar o seu consentimento. Esses sete bispos se dirigiram à Congregação para a Doutrina da Fé, ao Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e ao Pontifício Conselho para os Textos Legislativos. De acordo com o desejo do Papa Francisco, portanto, foi acordada uma reunião entre alguns bispos com responsáveis da Santa Sé”.

Durante o encontro, “realizado em língua alemã” e que durou até as 19h, “o arcebispo Ladaria – continua a nota – ilustrou que o Papa Francisco aprecia o empenho ecumênico dos bispos alemães e lhes pede que encontrem, em espírito de comunhão eclesial, um resultado possivelmente unânime. No colóquio – continua a nota, sem entrar em detalhes – foram discutidos vários pontos de vista: por exemplo, a relação da questão com a fé e o cuidado pastoral, sua relevância para a Igreja universal e sua dimensão jurídica. O arcebispo Ladaria informará ao Santo Padre sobre o conteúdo do colóquio. O encontro ocorreu em um clima cordial e fraterno”.

Após um trabalho diplomático de alguns dias, nos últimos dias, havia sido definida a composição das duas delegações que participaram do colóquio. Pelos bispos alemães, estavam presentes em Roma o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha e membro do C9; o cardeal Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colônia e líder dos sete bispos críticos; Dom Felix Genn, bispo de Münster e membro há vários anos da Congregação para os Bispos do Vaticano; e também Dom Karl-Heinz Wiesemann, presidente da Comissão Doutrinal da Igreja alemã, seu vice, Dom Rudolf Voderholzer, bispo de Regensburg, Dom Gerhard Feige, presidente da Comissão para o Ecumenismo, e, por fim, o secretário da Conferência Episcopal, o jesuíta Hans Langendoerfer.

Da parte da Santa Sé, estavam presentes o arcebispo Ladaria, o cardeal Koch e também Dom Markus Graulich, subsecretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, o Pe. Hermann Geissler, chefe do escritório da Congregação para a Doutrina da Fé.

A reunião dessa quinta-feira ocorreu depois que, nas últimas semanas, na imprensa alemã, apareceu a notícia, depois desmentida pelos bispos da Alemanha, que o arcebispo Ladaria havia rejeitado o subsídio pastoral. O documento, na realidade, ainda era um rascunho e foi aprovado posteriormente, emendado durante o Conselho Permanente dos prelados alemães que ocorreu no fim de abril.

Quanto ao papa, é preciso lembrar que, justamente sobre a hospitalidade eucarística, ele havia elaborado um raciocínio articulado na visita à Igreja Luterana de Roma, em 15 de novembro de 2015, quando tinha respondido a uma senhora protestante alemã casada com um católico italiano, que havia lhe perguntado: “Vivemos felizmente juntos há muitos anos, compartilhando alegrias e dores. E, portanto, nos dói muito o fato de estarmos divididos na fé e não podermos participar juntos da Ceia do Senhor. O que podemos fazer para alcançar, finalmente, a comunhão nesse ponto?”.

O pontífice argentino havia respondido, entre outras coisas: “Eu me pergunto – e não sei como responder, mas faço minha a sua pergunta –, eu me pergunto: partilhar a Ceia do Senhor é o fim de um caminho ou é o viático para caminhar juntos? Deixo a pergunta para os teólogos, para aqueles que entendem. É verdade que, em certo sentido, compartilhar é dizer que não há diferenças entre nós, que temos a mesma doutrina – enfatizo a palavra, palavra difícil de entender –, mas eu me pergunto: não temos o mesmo batismo?”.

E ainda: “À sua pergunta, eu respondo apenas com uma pergunta: como posso fazer com meu marido para que a Ceia do Senhor me acompanhe no meu caminho? É um problema a que cada um deve responder”. E concluía: “Eu nunca ousarei dar permissão para fazer isso, porque não é a minha competência. Um batismo, um Senhor, uma fé. Falem com o Senhor e sigam em frente. Não ouso dizer mais”.

O Papa Francisco havia presenteado o pastor luterano que o havia acolhido, Jens-Martin Kruse, com um cálice para a comunhão, olhando com um sorriso para a senhora que lhe fizera a pergunta.

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