"Agora, quem nos guia é o espírito de Lund." Entrevista com Jens-Martin Kruse, pastor da Igreja Luterana de Roma

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03 Novembro 2016

Com uma pitada de ironia, ele define a comemoração comum da Reforma "não como um passo à frente, mas três ou quatro passos à frente ao mesmo tempo". Jens-Martin Kruse, pastor da Igreja Luterana de Roma, sorri ao analisar o que aconteceu na última segunda-feira na Suécia.

A reportagem é de Giacomo Gambassi, publicada no jornal Avvenire, 02-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Realmente – explica – podemos falar de espírito de Lund, que, de agora em diante, representará um farol, um ponto de referência no diálogo entre luteranos e católicos." O pastor adverte que estamos diante de um "evento histórico".

Porque, "pela primeira vez, um papa e um bispo luterano fizeram memória juntos da Reforma", continua. Ele cita a "grande alegria que todos perceberam. Basta olhar para os rostos de Francisco e do bispo Munib Younan, presidente da Federação Luterana Mundial: ambos estavam sempre sorridentes, e, nas suas expressões, transparecia a satisfação por terem se reencontrado".

Tudo isso, esclarece Kruse, "é um forte estímulo ao ecumenismo". Ele acrescenta: "Certamente, podemos dizer que estamos caminhando rumo a um futuro de unidade. E, graças ao encontro em terras suecas, estamos bem mais perto da meta".

Eis a entrevista.

O Papa Francisco evidenciou nos seus discursos que estamos experimentando um novo clima de compreensão recíproca e de mútua confiança.

Prova disso também é a atitude em relação a Lutero por parte da Igreja Católica. Apontado como se fosse um herege, o monge agostiniano foi lembrado de uma maneira muito aberta por Francisco, como, aliás, Bento XVI também tinha feito. O atual pontífice destacou que Lutero se fez a pergunta da justa relação com Deus. São palavras que ajudam muito. Hoje, Lutero não é mais um obstáculo. Não é por acaso que se reconhecem os dons da Reforma. Um fato que seria inimaginável há apenas dez anos.

Entre os legados da tradição luterana, Bergoglio reconheceu a maior centralidade da Escritura na vida da Igreja.

Lutero reiterou que ler a Bíblia permite conformar a nossa vida à de Cristo. Além disso, o papa destacou o estímulo à reforma da Igreja que Lutero ajudou a favorecer.

Porém, permanecem sobre a mesa muitas questões teológicas.

É verdade, não devemos esconder isso. Mas a comemoração comum criou um clima mais profícuo para abordar também as questões doutrinais. Fortalecidos com essa renovada estima recíproca, será possível encontrar as respostas adequadas aos nós a serem desfeitos.

Na catedral luterana em Lund, foi lançado o convite para reconhecer os erros e para pedir perdão, caminho para curar as feridas da história.

Durante a oração ecumênica, ambas as Igrejas pediram perdão de Deus pelos erros cometidos. Além disso, o Papa Francisco deixou claro que, sim, não podemos mudar a história, mas podemos lê-la e contá-la de maneira nova. Trata-se de mais um passo rumo à purificação da memória que é indispensável em um percurso de proximidade.

A Arena de Malmö acolheu, por outro lado, o encontro de oração e testemunho sobre o compromisso comum ao lado dos últimos.

Os quatro relatos no palco mostram a atenção que os cristãos têm para os refugiados, os pobres, o ambiente. A caridade é um terreno de encontro formidável. Eu chamaria isso de ecumenismo do amor, que, junto com o do sangue, é um dos pilares do itinerário de reaproximação que os cristãos estão fazendo de modo cada vez mais decidido.

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