Os homens das finanças que ''traem'' a Cúria

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06 Janeiro 2018

Francisco e os traidores internos da Cúria Romana. Poucos, mas capazes de fazer mal. Nomes e sobrenomes que o papa não dá, embora a referência seja de precisão cirúrgica. A três anos de distância das 15 doenças enucleadas no discurso que se tornou famoso, de 22 de dezembro de 2014, Jorge Mario Bergoglio dá um segundo e duríssimo golpe, escrito sopesando palavra por palavra, acusações não genéricas, mas detalhadas.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 22-12-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos votos de Natal à Cúria, no dia 21 de dezembro, o papa falou sem meios termos de “traidores da confiança” internos à Santa Sé, de “aproveitadores da maternidade da Igreja”, daqueles que “se deixam corromper pela ambição ou pela vaidade e que, quando são delicadamente afastados, autodeclaram-se erroneamente martirizados pelo sistema, pelo ‘papa mal informado’, pela ‘velha guarda’”.

A quem ele se refere? Muitos não têm dúvidas. O que pesou na escrivaninha de Santa Marta, assim como nas mesas dos seus principais colaboradores na Secretaria de Estado, foram as recentes manifestações, ocorridas em 2017, de homens sobre os quais ele e os seus assistentes puseram uma confiança que, no fim das contas, não foi retribuída.

O caso mais notável é o de Libero Milone, o auditor-geral do Vaticano, que saiu em junho, depois que a Santa Sé falou de um “comum acordo” alcançado. Ele estava no cargo há apenas dois anos. Tudo parece resolvido com uma saída de cena incomum, mas, no entanto, concordada. Mas, em vez disso, poucas semanas após o anúncio, no dia 24 de setembro, eis que Milone intervém publicamente em uma entrevista concedida a vários meios de comunicação internacionais, na qual afirma que foram construídas provas falsas contra ele; em síntese, que ele contratou uma empresa privada de investigações para espionar altos expoentes vaticanos.

Passam-se poucos meses, e as finanças vaticanas são abaladas por outra demissão surpreendente. Sem explicações aparentes, é demitido o número três do IOR, Giulio Mattietti, responsável há décadas pela estrutura de TI do banco vaticano. A Santa Sé não fornece detalhes sobre a sua medida. Também sobre ele, abundam os rumores. Fala-se de um pontífice ignorante e pouco informado. Será verdade? Quem conhece Bergoglio diz que não. E conta que, em vez disso, havia um elevado risco de um novo vazamento de documentos confidenciais, ações que se tornaram intoleráveis após o Vatileaks.

Sobre as finanças, Bergoglio aposta muito da sua obra de reforma. Ele já parece ter entendido que mudar alguns homens não é suficiente. E, de fato, no silêncio generalizado, ele dá outro golpe notável. Chama da Argentina um bispo, seu amigo, Gustavo Zanchetta. Para ele, cria um cargo até hoje inexistente, o de assessor da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa). Basicamente, ele deve controlar os trabalhos internos: uma supervisão do órgão vaticano em grande estilo.

O papa trovejou várias vezes contra a mundanização das ordens religiosas, abaladas ciclicamente por dificuldades e escândalos financeiros. Portanto, em geral, é também contra um sistema doente, nos órgãos e nas pessoas que atuam dentro deles, que ele se refere quando adverte contra o “câncer” presente na Igreja.

“As coordenadas das palavras do papa são para todos os lados; um chamado a uma conversão em nível global”, diz o cardeal Giuseppe Versaldi, chefe da Educação Católica e ex-presidente dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Daí também o pedido, ao receber no dia 21 de dezembro os empregados leigos do Vaticano, de secar os bolsos do trabalho ilegal: “É um problema de consciência para mim: não podemos pregar a doutrina social e depois fazer essas coisas que não estão certas”, disse Francisco.

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