Bangladesh. O maior campo de refugiados do mundo. Oitocentos mil Rohingyas

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23 Outubro 2017

A área poderá acomodar até 800.000 pessoas e será o maior campo de refugiados já criado. O projeto é das autoridades do Bangladesh que buscam ampliar o assentamento de Kutupalong para responder à emergência determinada pelas centenas de milhares de Rohingyas que estão em fuga da violência que atinge o Mianmar (mais de 600.000 nos últimos quatro meses).

A informação é publicada por L'Osservatore Romano, 20-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

De acordo com os dados das Nações Unidas, atualmente o campo de refugiados que abriga mais pessoas é o de Bidibidi, na Uganda, com mais de 285.000 refugiados, principalmente do sul do Sudão, o mais novo país africano, atravessado por um sangrento conflito.

A respeito do dramático caso dos Rohingyas manifestaram-se ontem conjuntamente Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Mark Lowcock, subsecretário geral do Departamento da ONU para os Assuntos Humanitários (OCHA), e William Lacy Swing, diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM). "Pedimos à comunidade internacional – manifesta a nota – que se intensifiquem os esforços para alcançar uma solução pacífica para a grave situação dos Rohingyas, colocando um fim à fuga desesperada, apoiando as comunidades de acolhimento e garantindo que sejam criadas condições para eventuais regressos voluntários em situação de segurança e dignidade. As causas e, portanto, a solução da crise estão nas mãos do Mianmar".

Desde 25 de agosto último, após a explosão das violências no Rakhine, um rio humano atravessou a fronteira com o Bangladesh para procurar refúgio. E a velocidade e a magnitude desse fluxo fizeram desta crise de refugiados a mais grave emergência humanitária no mundo.

O governo de Bangladesh, as organizações locais e de voluntários e as Nações Unidas estão trabalhando em ritmo acelerado para garantir assistência, mas muito mais é necessário com urgência. "Devemos aumentar os esforços - é o apelo do ACNUR, OCHA e OIM - e ampliar o montante das ajudas para acolher e proteger os refugiados e assegurar-lhes abrigo e condições de vida adequados”.

Nos campos de refugiados - denunciam as agências da ONU - os serviços básicos são postos a duras provas. Em alguns assentamentos falta água potável e serviços de saneamento. Isso gera um aumento nos riscos para a saúde não só dos refugiados, mas também das comunidades de acolhimento.

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