Burke diz que não é inimigo de Francisco, mas que a "confusão" exige uma resposta

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25 Setembro 2017

Em uma nova entrevista com um jornalista australiano, o cardeal estadunidense Raymond Burke negou que haja uma rixa entre ele e o papa Francisco, considerando a acusação "caricatural", mas insistiu que "o mal causado às almas devido à confusão e ao erro" gerados pelo documento do pontífice 'Amoris Laetitia' e sua abertura à Comunhão para os divorciados e casados novamente deve ser abordado.

A informação é publicada por Crux, 22-09-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em uma nova entrevista, o cardeal estadunidense Raymond Burke descreveu como "caricatas" as impressões de que haja um conflito entre ele e o papa Francisco e considerou fundamentalmente desonestas" as representações do pontífice como revolucionário liberal, mas ao mesmo tempo insistiu que "há muita confusão, no geral", com muitos católicos querendo "uma apresentação muito mais forte da doutrina da Igreja".

Burke deu uma entrevista ao jornalista australiano Jordan Grantham, publicada pelo Catholic Outlook, a agência de notícias da Diocese de Parramatta, na Austrália.

Ele é um dos quatro cardeais, dos quais dois já faleceram, que apresentaram um conjunto de perguntas, tecnicamente conhecidas como dubia, ao papa Francisco sobre seu documento sobre a família, Amoris Laetitia, e, especificamente, sobre sua cautelosa abertura à comunhão para os católicos divorciados e casados novamente. Em geral, o teor da dubia sugeriu que os quatro cardeais consideraram a abertura à comunhão uma ruptura inaceitável com a tradição católica.

Até agora, Francisco não a respondeu diretamente, embora aliados e colaboradores do papa afirmem que sim, com uma carta aos bispos de Buenos Aires, na Argentina, em setembro passado, reiterando a conclusão de que Amoris significa sim que a comunhão para os divorciados e casados novamente é possível em alguns casos.

Em muitas aparições na mídia, Burke, de 69 anos, foi representado como um crítico tradicionalista de um papa progressista, mas ele rejeita ambas as imagens.

"Acho que uma coisa que não entendem é que ele é agente de revolução na Igreja, mas o sucessor de São Pedro não tem nada a ver com as revoluções", disse ele.

"Retratam o Papa Francisco como uma pessoa maravilhosa e aberta, e não há nada de errado nisso, mas me descrevem como o contrário", declarou. Ele acusou a mídia de querer apresentar o papa de maneira favorável à "sua própria agenda".

"O papa não é favorável à sua agenda", afirmou. "Usam essas técnicas para que pareça que é, e isso é fundamentalmente desonesto".

Em relação a si próprio, Burke insistiu que "eu sou muito pastoral" e que não é "uma pessoa fora do mundo atual, que vive na Idade Média".

Em um dado momento, Burke foi questionado a respeito dos comentários do cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do "C9", grupo de cardeais conselheiros do papa, que critica fortemente a dubia e afirma que "as pessoas comuns estão com o papa", o que significa, em partes, que apoiam a leitura de Amoris delineada pelos bispos argentinos e afirmada por Francisco.

"Acho que a fala do cardeal Maradiaga não corresponde à minha experiência", disse.

"Acho que há muita confusão, no geral, e as pessoas sentem que a Igreja não é um ponto de referência seguro", afirmou. "Alguns estão até um tanto perplexos...estão procurando uma apresentação muito mais forte da doutrina da Igreja".

Burke disse que a confusão engendrada por Amoris é "demonstrável".

"É fato que temos conferências de bispos que se contradizem no que diz respeito ao Amoris Laetitia; bispos que se contradizem; há fiéis leigos que discutem uns com os outros sobre isso; e muitos sacerdotes que sofrem, porque os fiéis chegam a eles esperando coisas que não são possíveis, porque tiveram contato com uma dessas interpretações equivocadas de Amoris Laetitia", disse.

"Consequentemente, não entendem mais o ensino da Igreja", afirmou Burke.

Burke, ex-bispo de Lacrosse, Wisconsin e St. Louis e também ex-líder do Supremo Tribunal Eclesiástico do Vaticano, disse que está cansado dos ataques pessoais gerados pelo debate acerca do documento.

"Chego à conclusão, de forma consistente, de que os chamados liberais, as pessoas que pedem revolução na Igreja e assim por diante, são liberais e querem conversar apenas se concordarem com eles", disse ele. "Quando se levanta uma questão, agem com desdém, fazem ataques pessoais, que chamamos de argumentos ad hominem, e assim por diante. Isso realmente não ajuda em nada."

Burke disse querer que as pessoas se preocupem com suas posições, não com sua personalidade.

"O que quero dizer é o seguinte: 'O que é que eu disse que não é verdade?' E vou abordar. Se simplesmente me acusam de estar 'fora de sintonia', 'desatualizado', ou seja o que for, 'medieval', iludido, não há resposta a isso", declarou.

Burke também é patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta e estava no centro de um recente pedido papal de reconfiguração do grupo depois que um de seus membros foi obrigado a sair por uma controvérsia a respeito de um programa de caridade que estaria envolvido na distribuição de preservativos. No final, após a intervenção do papa, seu líder, Irmão Matthew Festing, saiu do grupo.

Perguntado se Festing poderia ter recorrido segundo a legislação da Igreja, Burke disse que era possível.

"Poderia, pois foi extraordinário exigir, sem antes anunciar a ele, que renunciasse 'imediatamente', como dizem", afirmou, acrescentando: "Não parece que ele pretende recorrer".

Burke disse que não fazia ideia de por que o Papa Francisco não nomeou o cardeal alemão Gerhard Müller para prefeito da Congregação para a doutrina da fé do Vaticano novamente, mas o elogiou como alguém que, "por sua excepcional preparação e longa experiência como professor de teologia... foi a pessoa certa para liderar a congregação".

Finalmente, Burke disse que, embora lamente profundamente a morte de dois cardeais que formularam a dubia, não é a ausência deles que faz o Papa Francisco responder com urgência.

"A urgência de resposta à dubia advém do dano causado às almas pela confusão e o erro resultantes, caso as questões fundamentais levantadas não sejam respondidas de acordo com o constante ensino e prática da Igreja", afirmou.

"A urgência", disse Burke, "pesa muito no meu coração".

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