Como os esforços ecumênicos católico-luteranos deram fruto nos últimos 50 anos

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20 Setembro 2017

Os esforços ecumênicos católico-luteranos deram fruto nos últimos 50 anos, observaram dois palestrantes em um discurso conjunto, no dia 15 de setembro, no congresso “1517-2017: Luteranos e Católicos, então e agora”, na Georgetown University, nos Estados Unidos.

A reportagem é de Mark Pattison, publicada no sítio Catholic News Service, 18-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Kathryn Johnson, diretora de relações ecumênicas e inter-religiosas da Igreja Evangélica Luterana nos Estados Unidos, o maior órgão luterano do país, disse rejeitar o conceito de “inverno ecumênico”, no sentido de descrever uma inércia no ecumenismo. “Há sinais de mudança que estamos vendo ao nosso redor”, disse ela, acrescentando que o “outono” pode ser uma descrição melhor, observando que os cristãos terão que decidir “o que fazer com a colheita”.

Johnson disse que ainda existe um “profundo mal-entendido que temos uns dos outros” e que precisa de uma “hermenêutica da generosidade” para ser superado, apesar de 50 anos de diálogo. “Não há ações de graça fáceis, nem arrependimentos baratos”, acrescentou ela durante a fala intitulada “Diálogo luterano-católico: conquistas e desafios”.

Ela citou a Declaração Conjunta sobre a Doutrina de Justificação de 1999, que “mudou o ensinamento de cada Igreja”, como um divisor de águas. A declaração – que afirmou que os cristãos são redimidos “somente por graça (...) que nos capacita e chama para as boas obras” – tem sido afirmada desde então pelo menos em parte pelo Conselho Metodista Mundial, pela Comunhão Anglicana e pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.

Livrar-se de alguns dos momentos mais sombrios do luteranismo é “uma tarefa contínua e inacabada”, disse Johnson. “Nós rejeitamos” os escritos antissemitas de Martinho Lutero do fim da sua vida, e os luteranos ainda estão lidando com erros violentos cometidos contra os anabatistas há quase 400 anos, razão pela qual “o único recurso possível foi pedir perdão”.

Mas o progresso é inegável, de acordo com Johnson. A afirmação da “Declaração sobre o Caminho: Igreja, Ministério e Eucaristia” na assembleia da Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unidos do ano passado recebeu a aprovação de “mais de 99%” dos delegados da assembleia, observou ela. O documento tenta ir ao campo teológico comum entre as duas religiões. “Essa foi uma maneira de dizer à Igreja: ‘Continue assim, por favor’”, disse.

O Comitê para os Assuntos Ecumênicos e Inter-Religiosos dos bispos dos Estados Unidos afirmou, por unanimidade, os 32 “acordos” do documento – declarações de consenso que católicos e luteranos disseram que não são diferenças divisórias da Igreja.

A Ir. Susan Wood, religiosa das Irmãs da Caridade de Leavenworth, professora de teologia sistemática e diretora do departamento de teologia da Marquette University e ex-presidente da Catholic Theological Society of America, concordou que a perspectiva é positiva. “Existem as graças da Reforma”, disse ela. “Nem tudo é mea culpa.”

Os esforços ecumênicos nem sempre são suaves, ressaltou, já que os frutos do diálogo católico-luterano dos Estados Unidos seguem um contexto europeu. De fato, a maioria das lideranças do diálogo luterano internacional ainda são alemães, observou-se, e apenas recentemente um diálogo teve um representante luterano de cada continente.

Contrariando a crítica de que os esforços ecumênicos até hoje deram “poucos frutos”, a Ir. Wood aconselhou o público presente na Georgetown a “ler esses acordos em voz alta”, para verificar como são substanciais.

“Desde o Vaticano II, reconhecemos uma comunhão imperfeita entre luteranos e católicos”, acrescentou ela, insistindo para que “passos intermediários” sejam aprovados no caminho à plena comunhão.

No luteranismo, observou a Ir. Wood, a paróquia é onde “a igreja está” – embora as lideranças luteranas reconheçam a necessidade de estrutura –, e a denominação requer que os leigos façam parte do seu governo. Em contrapartida, o sentido de Igreja do catolicismo está enraizado no bispo diocesano – embora “a maioria das pessoas façam a sua experiência de Igreja na paróquia”, disse ela –, e a tomada de decisões se baseia no magistério.

A Ir. Wood disse que não gostaria de ver uma repetição da declaração de nulidade das ordens anglicanas do Papa Leão XIII em 1896 aplicada ao clero luterano, já que “você pode ver o fruto do ministério. E, se você vê o fruto do ministério, isso não dá continuidade à relação que temos como Igrejas?”.

O catolicismo, argumentou a Ir. Wood, precisa redefinir o “defectus” latino no seu posicionamento de longa data contra os luteranos. Em vez de uma “falta”, disse, ele deveria significar “algo que se perdeu”. E recomendou a “abandonar o uso da palavra ‘transubstanciação’ para dizer que falta algo” na compreensão luterana da Eucaristia. Esse foi o modo como o Concílio de Trento usou a palavra para descrever a transformação do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo.

“Não há nenhuma diferença substancial na crença luterana e católica na presença real de Cristo na Eucaristia”, acrescentou.

Ela sugeriu que a intercomunicação poderia acontecer em lugares “onde as pessoas não podem sair, como lares de idosos e prisões”.

A Ir. Wood disse que o ecumenismo “não é um passatempo, não é algo secundário, mas é um trabalho central do Evangelho” e não “uma ameaça à identidade eclesial”.

“Se eu fosse católica, eu diria: ‘Talvez este seja o momento para explorar isso (o papel do papa)’, mas ainda não chegamos lá”, disse Johnson. A Ir. Wood disse que o ecumenismo precisa ser “falado mais nos púlpitos”, acrescentando que há laços ecumênicos mais estreitos no nível dos leigos que ainda não abriram caminho nos diálogos formais.

O Sínodo da Igreja Luterana de Missouri, que é o maior órgão luterano que não pertence à Federação Luterana Mundial e que não foi signatário da declaração conjunta de 1999, “deu um acordo surpreendentemente positivo” ao documento On the Way, disse Johnson, acrescentando: “É extraordinário, e eu ainda estou tentando digerir isso”.

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