O Credo do papa e as crenças dos seus inimigos. Cardeal pede que papa professe publicamente o Credo

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23 Agosto 2017

(Foto: Ytali.com)

O cardeal Brandmüller pede que Francisco confirme a sua fé pronunciando publicamente o Credo, como preveria um velho e obsoleto costume que ele diz que permaneceu em vigor até a Idade Média. O que está por trás disso?

A reportagem é de Riccardo Cristiano, publicada no sítio Ytali.com, 22-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Então, até isso pode acontecer. Com um artigo que apareceu nestes dias na Alemanha, o cardeal Walter Brandmüller chega a pedir que o Papa Francisco confirme a sua fé, pronunciando publicamente o Credo, como preveria um velho e obsoleto costume, que ele diz que ficou em vigor até a Idade Média. Pronunciamento que se repetia a cada aniversário da eleição.

O fato de a Idade Média estar no coração de muitos príncipes da Igreja não é uma novidade, mas o motivo pelo qual o cardeal Brandmüller levanta a hipótese de que, de acordo com esse antigo costume, Francisco leia o Credo, presumivelmente perante eles, isto é, os Senhores Cardeais, está no fato de que, na sua opinião, a fórmula, da qual até o título é incerto, com a qual o papa deveria se expressar incluiria o pronunciamento de fidelidade à doutrina e àquilo que foi feito pelos papas anteriores.

E uma vez que, como se sabe, o cardeal Brandmüller é um dos quatro signatários das dúvidas sobre a exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, pode-se apostar que essa ideia surge justamente da intenção de reafirmar o “não” mais firme e resoluto aos divorciados em segunda união.

Não por acaso, comentando os conteúdos dessa “práxis” trazida à tona depois de séculos e séculos em que ninguém mais a mencionava, o cardeal escreve:

“É notável como, explicitamente, especialmente no último parágrafo do texto, é sublimada a restrita conservação daquilo que foi dado e transmitido; o papa promete conservar os cânones e os decretos dos nossos papas como mandamentos divinos.”

Aqui, porém, querendo permanecer nesse “jogo”, surge uma dúvida, que se soma às dúvidas do cardeal Brandmüller e dos seus colegas purpurados.

Reiterando a fidelidade à obra de todos os seus antecessores, aos cânones e à santa doutrina da Igreja, o Papa Francisco não poderia ignorar que o Código de Direito Canônico de 1917, cânone 2.356, diz que os divorciados em segunda união são “bígamos” e, portanto, infames públicos, isto é, privados da boa reputação, e, para eles, com base na gravidade da culpa, também pode ser considerada a excomunhão.

Francisco, portanto, também deveria retornar a isso? Deveria, então, desmentir João Paulo II, que, com a encíclica Familiaris consortio, reconheceu que os divorciados em segunda união fazem parte da Igreja e, consequentemente, fez modificar o Código de Direito Canônico, que não recorre mais à definição de bígamos, de infames públicos, nem prevê a possibilidade da excomunhão?

Um papa, talvez, poderia se dizer fiel a um antecessor seu, João Paulo II, e infiel aos outros? Então, deveria dizer que João Paulo II traiu a doutrina? Ou deveria dizer que a doutrina antes de João Paulo II estava equivocada? Ou, talvez, deveria reconhecer aquilo que ele supostamente nega, isto é, que a doutrina, até mesmo a católica, também é um corpo vivo, que evolui com a evolução dos tempos? Evolui pouco, certamente, e muito lentamente. Mas evolui.

O verdadeiro problema da Amoris laetitia, na minha opinião, é que se trata de um texto que fala de homens e mulheres, um texto que fala de pessoas, maridos, esposas, filhos, isto é, das pessoas em carne e osso, não é um texto abstrato. Fala das pessoas, das suas vidas, da sua realidade, da sua cotidianidade. Aquela que alguns, e esta é outra dúvida, gostariam de manter do lado de fora da porta.

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