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20 Agosto 2017

O novo livro de Adriano Prosperi, dedicado ao pai da Reforma, identifica no ato de Wittenberg o divisor de águas entre o homem medieval e o indivíduo moderno, que descobre o problema da liberdade.

O comentário é do historiador italiano Franco Cardini, professor do Istituto Italiano di Scienze Umane (Sum). O artigo foi publicado por Avvenire, 18-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Uma resenha em uma revista científica é, ou deveria ser, uma contribuição à pesquisa e um instrumento de trabalho para quem lê: portanto, um “ato de serviço”. Uma resenha em um jornal ou em um periódico de divulgação, por sua vez, deveria ser um convite à leitura dirigido a um público mais amplo, no qual, por definição, não há – senão de modo excepcional e casual – verdadeiros especialistas no assunto tratado.

Infelizmente, esse segundo gênero de resenha se presta, muito frequentemente, a pouco sérias e pouco nobres manipulações: nos melhores casos, ou nos menos nocivos, é um pequeno favor prestado ao autor ou ao editor do livro resenhado; nos piores, é, ou tenta ser, um instrumento de troca, ou de chantagem, ou de vingança. Os abusos de poder são proporcionais àqueles que os perpetram: um resenhista é, muitas vezes, um pequeno homem e comete abusos pequenos.

E cuidado para não cair em uma armadilha particularmente infame: uma resenha positiva, em geral, é considerada com suficiência (deve ser, pensa-se, justamente “um favor”); a resenha severa, ou até feroz, ou a verdadeira “demolição”, ao contrário, muitas vezes é acolhida pelos leitores como prova não só de competência, mas também o rigor do resenhista.

Muitas vezes, o contrário é verdadeiro: a “resenha má” é apenas um pequeno e miserável ato de vilania. Mesmo se e quando, infelizmente, traz no rodapé uma assinatura ilustre. Uma pluridecenal experiência de resenhista (e também de resenhado) me ensinou a considerar, de minha parte, acima de tudo, a resenha como o resultado de um exame de consciência do resenhista: até que ponto ele tem as competências adequadas para assumir a sua responsabilidade? E até que ponto possui a necessária honestidade intelectual para isso?

Não excluo que algumas dessas considerações tenham amadurecido em mim não só a partir da minha condição de católico, mas também a partir da leitura de um livro que já tem mais de 20 anos (embora tenha sido reimpresso), Tribunali della coscienza. Inquisitori, confessori, missionari [Tribunais da consciência. Inquisidores, confessores, missionários], de Adriano Prosperi, publicado em 1996, é, sem dúvida, um dos mais belos livros de história que eu já li. As suas obras mais recentes, Delitto e perdono [Delito e perdão] (2013) e La vocazione [A vocação] (2016) confirmaram o julgamento que, então, eu pude formular.

Portanto, sinto-me induzido a renunciar à prudência – que muitas vezes é uma forma de não generosidade – com a qual o resenhista hesita em afirmar que o livro resenhado lhe agradou, que o envolveu e, talvez, até o comoveu: como se, no resenhado, se tivesse que identificar, necessariamente, um concorrente, senão até um adversário; como se a admiração por um colega tivesse que envolver, de algum modo, uma humilhação para si mesmo.

Digo tudo isso porque, sem sombra de preconceito, acolhi a biografia que Adriano Prosperi dedicou a Lutero. Gli anni della fede e della libertà [Lutero. Os anos da fé e da liberdade] (Ed. Mondadori, 580 páginas), como um “livro de ocasião”, escrito em coincidência com o quinto centenário da afixação, por parte de um obscuro monge agostiniano, das célebres “95 teses sobre as indulgências” no portal da igreja do castelo de Wittenberg. Quase um “ato devido”, eu me disse, por parte de alguém que é considerado, por julgamento unânime, um dos maiores especialistas europeus (e, portanto, mundiais) da Reforma.

Não era assim: eu me equivocava. E, para compreender isso, bastou-me a leitura da “Premissa” tão participada e comovida, tão corajosa, embora no estilo sempre sóbrio e vigiado que é típico de Prosperi. O que realmente significou a experiência daquele Martin, que se autodenominou de Luder, Luther (“o Libertador”), na história da Alemanha, da Europa, do mundo cristão?

Era lógico e natural, mas também profundamente significativo, remeter-se ao famoso discurso proferido em 1945, em Washington, por um Thomas Mann sobre a relação entre Lutero, a experiência nacional-socialista e a Igreja Luterana. Um discurso, de certo modo, duro e impiedoso de quem o proferia contra não só o seu país, mas também contra si mesmo: ele poderia ter se escondido atrás da sua condição de “opositor”, de “perseguido”: mas não o fez. E enfrentou o tema da “tragédia alemã”, que lhe dizia respeito e da qual se sentia corresponsável, como nascido da “paradoxal coexistência de liberdade e servidão, definida por Lutero em 1520 como uma característica original da cultura germânica: liberdade do crente e servidão do súdito”.

Lutero, “o Reformador”. O que mais, afinal, pode ser um cristão, a partir do momento em que a forma primitiva da Igreja – aquela que, no fundo, nunca entenderemos, que nunca conseguiremos – foi várias vezes traída e distorcida, e que, portanto, é necessário continuamente reformare deformata?

O que mais, senão isso, fizeram, ou tentaram fazer, ou disseram que queriam fazer, os grandes reformadores-refundadores da Igreja romana do século XI, aqueles mesmos que, por outro lado (ou pela mesma razão), provocaram a ruptura da Cristandade, afastando a grega da romana?

E, talvez, não foi a proposta de Lutero que provocou mais uma – em muitos aspectos talvez a mais grave – ruptura dentro da Cristandade ocidental, quase exatamente meio milênio depois da outra, exatamente meio milênio antes do nosso centenário? Lutero, “o Revolucionário”, quando não até “o cismático”.

Mas as coisas, no fundo, são bem diferentes. Correndo o risco de dar a impressão de querer reavaliar as cisões convencionais da história, Prosperi reitera que – muito mais do que o dia 12 de outubro de 1492 – aquele 31 de outubro de 1517 marcou “a fratura decisiva entre as épocas que definimos Idade Média e Idade Moderna, e que poderíamos mais concretamente definir, respectivamente, como a idade dos vivos a serviço dos mortos e a idade os vivos que começam a se libertar do peso dos mortos”.

É difícil definir com tanta síntese lúcida o que é a Modernidade: que começa a partir do momento em que o homem ocidental (que ainda é um homem cristão) descobre a sua absoluta liberdade individual; mas, como cristão, é forçado a associá-la imediatamente, profundissimamente, à sua escravidão em relação à Onipotência divina. Liberdade no exame da palavra de Deus, escravidão do arbítrio humano. Um drama insondável, insolúvel.

Todo o “processo de secularização”, toda a “globalização” parte daí e é a sua consequência. Colombo descobriu o Novo Mundo, embora nunca tenha se convencido de que o fosse; Lutero, no rastro de Agostinho e da filosofia humanística, descobriu a insondável contradição da alma cristã entre fé, liberdade individual e Onipotência divina.

O livro de Prosperi é construído com límpida sabedoria: que não é uma biografia, mas que parte de longe, da conversão do monge Martin e da sua relação com a cultura cristã do humanismo – de Gasparo Contarini, de Lorenzo Valla (aqui o nó entre renovação filológica e exegese escritural), de Erasmo – para chegar ao febril dia de Wartburg e ao nó conclusivo e terrível que ela explicita, a liberdade do crente que, através da leitura do Livro Sagrado, dialoga com Deus, inextricavelmente unida, no entanto, à servidão do súdito.

Serão muitos aqueles que, uma vez terminada essa leitura, olharão com olhos novos para a Modernidade e para a história do Ocidente.

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