''São Romero'': papa viajará a El Salvador para canonização

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15 Agosto 2017

O primeiro cardeal da história de El Salvador, Gregorio Rosa Chávez, informou nessa segunda-feira, em seu perfil no Facebook, que o Papa Francisco lhe confirmou a sua intenção de ir ao país centro-americano “para a possível canonização do nosso bem-aventurado” Dom Oscar Arnulfo Romero. “Darei mais informações nos próximos dias. Deus o abençoe”, acrescenta Rosa Chávez.

A reportagem foi publicada por La Repubblica, 14-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O anúncio chega às vésperas do aniversário, nesta terça-feira, festa da Assunção, dos 100 anos do nascimento de Dom Romero, um dos mais célebres mártires do último século, morto ao altar no dia 24 de março de 1980 em San Salvador, cidade da qual era arcebispo, pelos esquadrões da morte, enquanto celebrava a missa na capela do Hospital da Divina Providência.

Quem atirou, para silenciar a voz de um prelado que, cotidianamente, condenava a repressão do seu povo cometida pelo regime, foi um assassino mandado por Roberto D’Aubuisson, líder do partido nacionalista conservador Arena (Aliança Republicana Nacionalista).

Na homilia, Romero tinha reiterado a sua denúncia contra o governo de El Salvador, que atualizava cotidianamente os mapas dos campos minados enviando crianças na frente, que ficavam dilaceradas pelas explosões. E, no dia anterior, 23 de março, ele havia convidado abertamente os oficiais e todas as forças armadas a não executarem as ordens, se contrários à moral humana.

No funeral presidido nos dias seguintes por Dom Ernesto Corripio y Ahumada, então arcebispo de Cidade do México, o Exército salvadorenho também abriu fogo contra os fiéis, fazendo um massacre.

Nestes dias, inúmeras celebrações e publicações no mundo (incluindo um verdadeiro caderno especial no L’Osservatore Romano) recordam o centenário do nascimento do bispo-mártir, beatificado no dia 23 de maio de 2015, depois de uma causa que ficou por muito tempo parada devido à oposição de prelados não apenas sul-americanos, que temiam a manipulação política da canonização de Romero, especialmente por parte das forças de esquerda latino-americanas, e desbloqueada, primeiro, por Bento XVI e, depois, com o ato final do Papa Francisco, primeiro papa sul-americano da história.

Nas comemorações em El Salvador, participará, em nome do papa, o enviado especial cardeal Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago do Chile: entre os eventos, uma peregrinação “Caminho de Dom Romero” de 157 km (98 km a pé e 59 km de ônibus, ao longo de vários dias) da capital San Salvador até Ciudad Barrios, cidade natal do arcebispo.

Justamente sobre essa cidade, o cardeal Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador, que recebeu o “barrete” do Papa Bergoglio no consistório do dia 28 de junho último, ex-colaborador do “mártir dos pobres”, propõe que assuma o nome de “Ciudad Romero”.

Rosa Chávez, durante a primeira etapa da peregrinação comemorativa, também despertou o entusiasmo dos fiéis, afirmando: “Diz-se em Roma que provavelmente Dom Romero será canonizado no ano que vem. Imaginem se fosse certa essa possibilidade. Seria o ressarcimento de um povo”.
 
De fato, Romero espera o último passo da proclamação da santidade, para a qual ainda sobram resistências. Mas o postulador da causa, o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da Academia para a Vida – que, no sábado, participou de uma missa na catedral londrina de St. George, em Southwark, onde está conservada uma cruz com as relíquias do bem-aventurado –, foi claro: “Estamos em um ponto bom”, disse ele à Rádio Vaticano. “Estamos examinando um milagre que diz respeito a uma mulher grávida e ao seu filho, que foram, esperamos, milagrosamente curados por intercessão de Dom Romero. Terminou o processo diocesano, que chegou a Roma, e começamos o exame do milagre. Espero que o processo chegue a termo em breve. Se tudo isso ocorrer, é possível que, no ano que vem, também se possa esperar para celebrar a canonização de Romero”. E, pelo que foi anunciado hoje, o Papa Francisco fará isso pessoalmente.

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