Colômbia: “Freamos a guerra com as Farc, mas ainda não temos paz”, afirma jesuíta

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14 Julho 2017

O padre Francisco De Roux, ex-provincial da Companhia de Jesus na Colômbia, foi um dos conferencistas no primeiro dia do congresso de “Diálogo Latino-Americano”, promovido pelo Celam, intitulado “Tudo está interligado. Estratégia de um reencontro da sociedade com o Estado e o mercado, em vista de um desenvolvimento humano integral para a América Latina”.

A reportagem é do Servizio Informazione Religiosa (SIR), 12-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O encontro foi realizado no último dia 11 de julho, na Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. No seu discurso, fruto de uma longa experiência nas zonas do conflito colombiano, ele falou sobre o futuro da paz na Colômbia, depois de ter apoiado, nos últimos meses, com decisão, os acordos de paz do governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para tentar pôr fim aos 52 anos de conflito.

Um caminho que está ligado à necessidade de um desenvolvimento integral: “Devemos construir na Colômbia alternativas para as desigualdades, como as que vemos nas periferias de Bogotá, como Ciudad Bolívar”.

De fato, a verdadeira paz, junto com a justiça social, ainda não chegou às regiões colombianas: “Freamos a guerra com as Farc, assinamos os acordos, mas ainda não temos paz, há muitos problemas estruturais”.

Nesse sentido, ele lembrou um fato ocorrido há poucas semanas, quando acompanhava o presidente cessante da Conferência Episcopal, Dom Luis Augusto Castro, para a entrega de 7.000 armas das Farc.

Um casal de jovens ex-guerrilheiros se aproximou do jesuíta e disse: “Entregamos a vocês o nosso fuzil. Nós depositávamos a nossa vida no fuzil. Entregamos a vida nas mãos de vocês, mas os colombianos não têm confiança em nós”.

No discurso, o jesuíta recordou também os dois novos bem-aventurados colombianos: “É muito significativo que o papa tenha reconhecido como mártires Dom Jaramillo, bispo de Arauca, e o sacerdote de Armero, ambos mortos em circunstâncias difíceis no meio de tanta violência. Dom Jaramillo conseguiu se confessar antes de ser assassinado pelo ELN. Hoje, a crise política na Colômbia é profunda. A política é refém da corrupção. Por isso, o trabalho da Igreja deve se orientar para formar consciências novas para poder transformar os poderes públicos”.

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