“Sobre o ambiente, Bergoglio acertou em cheio. Os EUA vão mudar de ideia.” Entrevista com Jeffrey Sachs

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26 Mai 2017

“O apelo do papa em favor do acordo de Paris acertou em cheio. Ele teve um impacto imediato: Trump até agora nunca tinha anunciado a sua disponibilidade de refletir sobre escolhas em favor da estabilidade climática. Porém, muitos tinham lhe pedido isso: governos, grandes empresas de energia, incluindo a Exxon, a comunidade científica. Nada. Mas agora as palavras pacatas do pontífice poderiam ser decisivas.”

A entrevista é de Antonio Cianciullo, publicada por La Repubblica, 25-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Columbia University, indicado como o inspirador econômico da encíclica Laudato si’, acaba de chegar em Roma para participar do Fórum da Administração Pública, que aderiu ao Festival do Desenvolvimento Sustentável, organizado pela Asvis. Ele deve fazer um balanço dos 17 objetivos de sustentabilidade que ele ajudou a preparar em nome das Nações Unidas, mas o encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o papa, repentinamente, mudou o cenário.

Eis a entrevista.

Você é otimista sobre as possibilidades de uma virada da Casa Branca sobre a questão climática. Mas, até essa quarta-feira, todos os sinais iam em outra direção.

É verdade. Trump venceu as eleições prometendo um confronto frontal sobre o ambiente para satisfazer a barriga do seu eleitorado e os interesses dos lobbies do petróleo e do carvão. Uma posição extremamente agressiva. Mas talvez começou a se dar conta de que é difícil que o mercado o siga. Para realizar os anúncios da sua campanha eleitoral, seria preciso mobilizar recursos financeiros substanciais em infraestruturas que precisam de décadas para compensar e gerar lucro: não é o horizonte de tempo da presidência Trump.

No entanto, foi dada a luz verde para o Keystone, o oleoduto muito contestado e bloqueado por Obama, que atravessa as terras dos nativos americanos.

Eu não acho que esse oleoduto será feito: há muitas incertezas. Muitas empresas fizeram as contas e viram que as políticas de Trump correm o risco de retardar o motor da economia, sacrificando setores estratégicos como as fontes renováveis, a mobilidade elétrica, a inovação digital. E também não é certo que o presidente conseguirá terminar o mandato.

O slogan “America first” poderia se tornar um bumerangue?

Todas as vezes em que Trump levanta a hipótese da saída do acordo de Paris, a China se manifesta, dizendo estar pronta para se relançar, comprometendo-se com a defesa do clima É claro que, se Washington abrir mão do leme de setores industriais cruciais, ele passa para Pequim: exatamente o contrário daquilo que Trump declara querer.

Ignorar a questão climática poderia ter outros reflexos geopolíticos?

Sim, por exemplo, no Oriente Médio. A primeira causa da crise da região está ligada à pesada interferência ocidental que durou décadas e impediu a possibilidade de um desenvolvimento equitativo e sustentável. Mas, entre 2006 e 2009, na Síria, houve uma seca excepcionalmente difícil que ajudou a desestabilizar o país. E o problema é sentido em toda a faixa que vai do Senegal ao Afeganistão: são 10 mil quilômetros de terras com alto risco de aridez que têm problemas de segurança alimentar, escassez de água, falta de energia. Essa região, se não for afrouxada a garra das mudanças climáticas, vai se tornar uma bomba-relógio também em termos de migração.

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