A luta contra a pedofilia está com os freios puxados

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14 Março 2017

Uma mulher faz tremer o Vaticano. É a irlandesa Marie Collins, professora de longa data e uma vida dedicada aos pobres e necessitados que, na Quarta-feira de Cinzas, jogou a toalha demitindo-se de forma clamorosa da comissão instituída pelo Papa Francisco para combater a pedofilia na Igreja.

O comentário é de De Orazio La Rocca, publicada por Trentino, 13-03- 2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

A senhora, justamente por sua vivência traumática em matéria de pedofilia - foi abusada sexualmente por um padre quando tinha 13 anos - havia sido incluída no grupo especial para combater o que o próprio Bergoglio muitas vezes descreve como o "maior e mais vergonhoso" mal que se abriga na Igreja, a violência sexual dos padres sobre as crianças. A comissão foi criada em 2014, sob a presidência do Cardeal Sean O'Malley, franciscano, Arcebispo de Boston, que fez da luta contra a pedofilia um de seus principais compromissos após os milhares de casos surgidos nos EUA nos últimos 50 anos. Marie Collins imediatamente engajou-se com entusiasmo na obra, mas logo - como ela mesma relatou na carta aberta escrita para explicar a sua saída da comissão - percebeu que "nem todos no Vaticano" estavam prontos para colaborar com ela e com os outros membros da comissão. Não por acaso, pela mesma razão, uma primeira baixa já havia sido contabilizada quando outro colega de Collins, Peter Saunders, foi forçado a sair pela "inexistente colaboração entre os dicastérios do Vaticano e a comissão antipedofilia".

Marie Collins afastou-se em um dia simbolicamente marcante para os crentes cristãos, a Quarta-feira de Cinzas, que - como todos os anos – o Papa Francisco celebrou na Basílica de Santo Anselmo, em Roma, pronunciando um duro sermão sobre os males da Igreja, justamente começando por – olha a coincidência - esses padres que traem a confiança neles depositada "aproveitando-se sexualmente de pequenos a quem eles deveriam dedicar atenção e cuidado pastoral". A professora irlandesa - que explica na carta que não vai deixar a Igreja, mas que continuará a servi-la ficando perto de quem sofre - em poucas linhas declara acreditar que o pontífice quer realmente limpar a Igreja, mas aqueles que o rodeiam e que deveria transformar em "ações concretas as suas orientações" só dificultam.

A senhora não se limita a uma acusação genérica, mas apresenta os nomes e sobrenomes daqueles que, em sua opinião, estão conspirando para comprometer os projetos de reforma e de renovação do Papa Bergoglio a partir da identificação dos responsáveis pelos casos de pedofilia e daqueles que, nas hierarquias eclesiásticas, colocam sob o tapete um fenômeno tão repulsivo e dramático. E entre os primeiros acusados por Collins está um dos cardeais mais poderosos, o alemão Gerhard Muller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o dicastério - é a acusação da senhora irlandesa - que praticamente nada faz nada para combater a pedofilia entre o clero, mas que até estaria praticando formas de obstrucionismo e de "cobertura" sobre os casos relatados até agora pela comissão. Se for verdade, as observações apontadas por Marie Collins sobre o trabalho do cardeal Muller não deveriam passar despercebidas, mesmo porque o cardeal alemão é hoje universalmente considerado como uma espécie de líder do grupo de cardeais que abertamente manifestaram-se contra a renovação iniciada pelo Papa Francisco, como os famosos quatro signatários da carta sobre as dúvidas (os "dubia") levantadas contra a abertura dos sacramentos para divorciados recasados, casais não casados e em união estável. Muller juntou-se aos autores dos "dubia" (Caffarra, Brandmüller, Burke e Meisner) com um livro publicado na Alemanha nos últimos dias em que teoriza, entre outras coisas, sobre o fato que "nenhum papa tem o direito de lançar mão dos sacramentos para moldá-los de acordo com as necessidades do momento". Com semelhante espírito obstrucionista - de acordo com Marie Collins - a Congregação da Doutrina da Fé está se movendo à frente da pedofilia no clero, despotencializando de fato o desejo de limpeza do Papa Francisco. Mas, até quando?

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