"A convergência entre o papa e aqueles que pensam como Caffarra é impossível"

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20 Janeiro 2017

“A entrevista com o cardeal Carlo Caffarra confirma a sua capacidade de levantar questões teológicas e, ao mesmo tempo filosóficas com um rigor e uma fineza que tem poucos iguais na Igreja e até na cultura italiana de hoje. Sobre o risco cultural de uma ditadura do relativismo, do qual Caffarra falou ainda antes de Bento XVI, como não lhe dar razão?”, diz Massimo Introvigne, sociólogo e diretor do CESNUR (Centro de Estudos sobre as Novas Religiões), comentando a conversa com o arcebispo emérito de Bolonha, publicada no sábado passado por este jornal.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 17-01-2017.  Traduzimos a reportagem em parte, ou seja, a referência à opinião de Massimo Introvigne. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Feita essa premissa, Introvigne acrescenta: “Ao mesmo tempo, com todo o enorme respeito que eu tenho pelo cardeal, a minha impressão é de que, em relação à Amoris laetitia, a intervenção perpetua um equívoco e confirma que, entre os críticos do papa – que, aliás, não estão todos no mesmo nível: a elegância de Caffarra não deve ser confundida com as intemperanças de caubói de Burke – e Francisco, uma convergência sobre esse ponto é impossível, não tanto por má vontade, mas porque o método com o qual abordam a questão é tão diferente que o diálogo só pode ser um diálogo de surdos. Caffarra e outros como ele se colocam no plano que Bento XVI chamava de princípios inegociáveis”.

“Talvez – explica Introvigne – eles temam que o Papa Francisco, que explicitamente se distanciou da fórmula de Bento XVI, queira negar esses princípios, e lhe pedem para serem tranquilizados. Mas Francisco se coloca em um plano totalmente diferente. Ele não nega os princípios como princípios: ele os deixa onde estão, como pontos de referência importantes, mas, no seu Magistério, ele se ocupa principalmente com outras coisas. Ele sabe muito bem que a maioria dos casamentos no Ocidente terminam em divórcio. Em dois países de tradição católica, Bélgica e Espanha, respectivamente, 71% e 61% dos casamentos terminam em divórcio. Nos Estados Unidos, 53%; na Itália, 48% (mas os italianos se divorciam menos, porque se casam menos, e muitos simplesmente coabitam). A grande maioria dos divorciados se casa novamente.”

O papa, acrescenta o sociólogo, “pergunta aos seus críticos se eles realmente querem uma Igreja que exclui a metade – na Bélgica, mais de dois terços – dos casais da sua bacia potencial de fiéis que participam plenamente na sua vida religiosa. Em todos os casos, a sua resposta é clara: essas pessoas fazem parte da Igreja, ‘não estão excomungadas’ (como ele disse muitas vezes) e devem ser integradas na vida eclesial em todos os níveis”.

“Quanto à questão do acesso à Eucaristia – continua –, estamos diante de outro diálogo de surdos. Caffarra e outros pedem um sim ou um não, enquanto o papa afirmou repetidamente que não virão dele um sim ou um não válidos para todos os casos, mas apenas a indicação de um método que permita que o confessor se aproxima com verdade, mas também com misericórdia, caso a caso, das situações concretas que são, cada uma, diferente das outras. Nesse sentido, aqueles que dizem que o papa já respondeu às dubia dos cardeais têm razão.”

Por fim, afirma Introvigne, “parece-me que as dubia não são perguntas – quem as fez acha que já sabe a resposta já, e eu suspeito que também sabe como o papa pensa –, mas expressão de um dissenso. Como fiel católico, estou preocupado e, como sociólogo, fascinado pela questão sobre até onde chegará o dissenso, do cisma que parece ameaçar o cardeal Burke – um cisma de fachada, porque a grande maioria dos fiéis mundiais permaneceriam com o papa – a um simples resmungo destinado a se esgotar assim que os bispos dissidentes envelhecerem e se aposentarem, e o papa os substituir por outros da sua confiança”.

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