Alemanha. Arquidiocese de Colônia espera pelo relatório potencialmente explosivo sobre abusos

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18 Março 2021

Um relatório potencialmente explosivo sobre abusos sexuais na Arquidiocese de Colônia está para ser publicado em 18 de março.

O destino do arcebispo da cidade, cardeal Rainer Maria Woelki, poderia ser profundamente afetado. Ele ofereceu seu cargo se for implicado por encobrimento.

A reportagem é de Donald Snyder, publicada por National Catholic Reporter, 17-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O escalão superior da arquidiocese será alvo do relatório atualmente secreto, de acordo com Joachim Frank, correspondente chefe do Kölner Stadt-Anzeiger, o maior jornal da cidade.

“Os responsáveis pela gestão da diocese que encobriram casos de abuso sexual ou cometeram violações da lei secular e eclesiástica devem ser mencionados”, disse Frank ao NCR.

Peter Otten, um catequista da paróquia de Santa Inês em Colônia, disse em um e-mail que espera que o relatório cite “os criminosos por trás dos criminosos – bispos, bispos auxiliares, vigários gerais e outros gerentes de equipe”.

Observadores da conturbada arquidiocese acreditam que há mais de 200 clérigos que abusaram de até mil crianças, de acordo com Thomas Schüller, professor de direito canônico da Universidade de Munster. Ele disse que, em alguns casos, os agressores abusaram sexualmente de até 50 crianças.

Segundo Frank, os nomes dos perpetradores e das vítimas serão omitidos do relatório.

O relatório, encomendado por Woelki no outono de 2018, deveria ter sido tornado público em março do ano passado, mas Woelki bloqueou sua divulgação no último minuto. Compilado por advogados em Munique, acredita-se que documenta décadas de abusos sexuais cometidos por clérigos e supostamente menciona pessoas em altos cargos, incluindo amigos de Woelki, embora, de acordo com os termos da investigação independente, Woelki tenha sido impedido de conhecer as conclusões com antecedência.

A razão oficial apresentada para a não divulgação do relatório foi a necessidade de esclarecimento jurídico quanto à identificação de pessoas cuja privacidade possa ser violada. Há alegações não confirmadas de que Woelki enfrentou ameaças de ações legais contra ele se publicasse o relatório.

Atrasos na publicação do relatório levantaram questões sobre o compromisso de Woelki com a transparência.

“Muitas pessoas pensam que o cardeal estava tentando esconder algo contido no relatório feito pelos advogados de Munique”, disse Christiane Florin, editora de religião da Deutschlandfunk, uma estação pública de rádio alemã. Florin disse que o cardeal acredita que a igreja é feita por Deus e não deve ser mudada.

Entre os que enfrentam acusações de encobrimento está o arcebispo de Hamburgo, Stefan Hesse, ex-vigário geral da arquidiocese de Colônia. Hesse negou as alegações e exige que o estudo não seja publicado sem uma explicação de seu ponto de vista.

A situação foi agravada em 9 de março, quando um líder na luta contra o abuso sexual, Oliver Vogt, renunciou a seu cargo em Colônia e deixou a Igreja Católica Romana.

“Não consigo mais lidar com o fato de que os principais representantes da Igreja não estão preparados para assumir responsabilidade moral pelos eventos nos quais estiveram pessoalmente envolvidos”, disse Vogt à Agência de Notícias Católicas da Alemanha (KNA).

Vogt estava na vanguarda da investigação de casos de abuso na arquidiocese de Colônia. Uma de suas tarefas era coletar todos os arquivos pessoais dos abusadores. Ele entregou cerca de 236 arquivos pessoais a advogados em Colônia. Ele também foi responsável por desenvolver estratégias de intervenção em situações em que se descobriu que os padres estavam se engajando em comportamentos inadequados.

O mandato do relatório era para que especialistas investigassem, dentro das diretrizes da Conferência Episcopal da Alemanha, casos de possível abuso sexual. O chefe da conferência, o bispo de Limburg, Georg Bätzing, classificou a gestão da crise dos abusos sexuais na arquidiocese de Colônia como um “desastre”.

Bätzing disse em fevereiro que a Igreja Católica na Alemanha tem uma “imagem escandalosa”, que ele atribui ao tratamento de Woelki às comunicações sobre o assunto de abuso sexual por parte do clero.

Woelki, um dos poucos conservadores que restaram na Igreja Católica Alemã, admite ter cometido erros. “Cometemos erros”, disse ele. “Perdemos a confiança. Eu entendo a impaciência das pessoas”. No entanto, ele acredita que os liberais dominantes querem expulsá-lo.

Florin, observando que os católicos alemães estão abandonando a Igreja em número recorde, disse que o cardeal perdeu toda a credibilidade, mas não vê isso como consequência do comportamento de líderes da Igreja como ele. “Ele diz que conhece a verdade”, disse ela. “E se as pessoas deixam a Igreja, elas não estão interessadas na verdade”.

“Acho que há uma grande decepção com a controvérsia sobre a forma como toda a questão do abuso sexual está sendo tratada e a longa demora no recebimento do relatório”, disse Frank, também se referindo ao grande número de pessoas que deixam a Igreja.

Em 2019, aproximadamente 272 mil alemães deixaram a Igreja Católica. Foi o maior número de todos os tempos na Alemanha, de acordo com Florin. Em janeiro deste ano, 650 moradores de Colônia solicitaram a separação oficial da Igreja Católica, segundo Frank.

Espera-se que esses pedidos aumentem para 1.500 por mês em março, abril e maio.

De acordo com as estatísticas do Anuário de Colônia de 2019, naquele ano, existiam 366.377 católicos e 160.567 protestantes de um total de 1,09 milhões de cidadãos, o que faz daqueles que não pertencem a qualquer instituição religiosa serem a maioria.

Otten questiona a relevância de tais instituições na vida das pessoas comuns. A Igreja não lida com os problemas das pessoas, disse ele. Não fala a língua deles. Não responde às suas necessidades. E muitas pessoas não precisam dessa instituição para ter um relacionamento com Deus.

“Mais pessoas deixarão a Igreja em 2021 do que nunca”, disse ele.

O tribunal distrital de Colônia recentemente criou uma linha direta em que as pessoas podem ligar para registrar seus pedidos de saída da Igreja, mas teve que fechá-la minutos após sua abertura por causa do alto volume de chamadas, de acordo com reportagem do Tagesschau, prestigioso jornal televisivo da Alemanha.

 

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