Risco de emergência humanitária em Vado Hondo, onde a caravana foi detida. Medo entre migrantes presos na Guatemala

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21 Janeiro 2021

A polícia e o exército guatemaltecos, por ordem do presidente Alejandro Giammattei, continuam impedindo o avanço da caravana de migrantes hondurenhos em Vado Hondo, no departamento de Chichimula, no sudeste do país. Partiu no último fim de semana de San Pedro Sula, no norte de Honduras, rumo ao México e, pelo menos nas suas intenções, o destino final seriam os Estados Unidos da América. As horas passam e, depois do que aconteceu no domingo com momentos de duros confrontos entre a polícia e os migrantes, a tensão aumenta devido ao risco de uma nova repressão brutal por parte da polícia e do exército guatemaltecos, destacados para resguardar quaisquer movimentos ou ações em bloco dos migrantes. Ontem as forças de segurança realizaram algumas "ações relâmpago" fazendo com que a caravana, em grande parte composta por famílias inteiras em sua maioria sem alimentos, recuasse alguns quilômetros.

A reportagem é publicada por L'Osservatore Romano, 19-01-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Isso está criando a base para que o episódio em breve tome as características de uma emergência humanitária. De fato, são milhares de mulheres e o mesmo número de menores entre os cerca de 8-9.000 migrantes presos em Vado Hondo. Depois de muitos quilômetros percorridos a pé, são muitos os que sofrem com feridas nos pés e não podem receber tratamento por falta de medicamentos. O procurador para os direitos humanos da Guatemala, Jordán Rodas, disse estar "indignado" com o que está acontecendo em Vado Hondo, onde foi realizado um uso indevido de força - também houve vários feridos – sem levar em consideração a situação de saída. Também fez algumas denúncias contra o presidente Giammattei, culpado, segundo ele, de ter "mostrado sua cara contra os migrantes e seguido as diretrizes dos Estados Unidos, apesar de a população ser em grande parte formada por grupos de cidadãos que se veem obrigados a migrar devido aos altos índices de pobreza e violência”.

Mapa da Guatemala e suas fronteiras (Foto: Blog de Geografia)

Rodas conta com o apoio da Rede regional de proteção, formada por cerca de quinze organizações, em sua maioria eclesiais, que pedem ao governo guatemalteco que “implemente um protocolo adequado para enfrentar este fenômeno regional”, ressaltando “sua contrariedade com as medidas de contenção e repatriação que o governo guatemalteco tem adotado, sem considerar as exigências de proteção internacional" de que necessitam nesse êxodo os migrantes. Disso resulta a advertência aos governos centro-americanos de que “não podem continuar a se esquivar de suas obrigações constitucionais para superar as causas estruturais da migração irregular”.

O medo de detenção, da expulsão em massa e do retorno ao desespero em seu próprio país de origem está crescendo entre os hondurenhos, onde a violência reina suprema. As condições de insegurança e pobreza extrema, agravadas pela passagem em novembro passado de dois furacões, Eta e Iota - que atingiram com quinze dias de intervalo um do outro muitos países da América Central - agravaram a emergência, também dissipando as últimas esperanças.

Nesse ínterim, um desdobramento de forças sem precedentes também foi posto em campo pelo México na fronteira sul com a Guatemala, a cerca de 250 quilômetros de onde estão os migrantes, para evitar que algumas franjas da caravana entrem no país. Enquanto isso, ontem, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador pediu ao governo dos Estados Unidos para intervir com reformas profundas na política de imigração do país, justamente quando milhares de migrantes que haviam iniciado sua marcha em direção aos EUA estavam sendo bloqueados na vizinha Guatemala. López Obrador disse que espera que o presidente eleito, Joe Biden, esteja disposto a trabalhar com o México e outros países sul-americanos nessa difícil questão. “Durante sua campanha, Biden se ofereceu para elaborar uma reforma da imigração e espero que ele tenha condições de fazê-lo”, disse o presidente mexicano. "Acho que chegou a hora de manter o compromisso", acrescentou.

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