Êxodo de migrantes hondurenhos fugindo da pobreza, da violência e da corrupção para os Estados Unidos

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18 Outubro 2018

Como os antigos israelitas, o povo hondurenho caminha em seu êxodo fugindo das escravidões políticas e econômicas impostas pela corrupção e pela deterioração dos sistemas de governo. São muitas as migrações forçadas e na América Latina estas migrações estão marcando a história atual.

A  reportagem foi publicada por CELAM, 16-10-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Uma multidão de mais de três mil hondurenhos, com toda a razão – como eles mesmos afirmam – decidiram sair de seu país fugindo da pobreza, da violência e da corrupção. Neste dia 15 de outubro se completaram três dias de caminhada. São milhares de quilômetros que terão que percorrer, e o caminho é feito a pé. São, sobretudo, camponeses, homens, mulheres e crianças, inclusive deficientes em cadeiras de rodas, atingidos pela pobreza, pela violência e pela corrupção. São migrantes que comovem o coração do mundo.

Na tarde deste dia 15, chegaram à fronteira guatemalteca conseguindo pacificamente romper o cerco da fronteira colocado pela polícia do Estado da Guatemala que, inclusive, enviou um helicóptero para sobrevoar a área; os migrantes disseram se sentir amedrontados por isto, mas não pararam sua caminhada.

As organizações pró-migrantes os receberam na casa do migrante Abad Gregorio e no ginásio municipal da localidade de Esquipulas, onde lhes ofereceram comida, hospedagem e auxílio. Diante da situação de tantos migrantes, a Igreja tem contribuído com a articulação de um corredor humanitário de ajuda, que se espera que agora seja efetivo diante desta situação.

No caso atual, são hondurenhos procedentes de diferentes municípios e departamentos do país. A situação de Honduras se agravou depois da fraude eleitoral das últimas eleições.

Vários meios digitais das redes sociais tanto de Honduras como da Guatemala transmitiram ao vivo parte da caminhada. As imagens mostraram uma multidão em crescimento, pois o número da caravana aumenta; conforme o percurso avança são mais pessoas que vão se integrando.

Os migrantes transmitem ânimo uns aos outros, comovem e consternam diante do olhar de quem os vê passar. Na tarde desta segunda-feira, dia 15 de outubro, a página de “Nuestra Esquipulas” transmitiu a passagem dos migrantes pelo ponto de fronteira de Agua Caliente, Esquipulas e Chiquimula. Na transmissão foi possível verificar as dificuldades que a polícia guatemalteca tratou de colocar para impedir tal passagem, cumprindo com o anúncio das autoridades guatemaltecas do Estado, que haviam informado que não deixariam os migrantes entrar no território guatemalteco.

Os migrantes são pessoas pacíficas e expõem claramente as razões de sua saída e o objetivo de chegar aos Estados Unidos, para onde deverão cruzar o longo mapa da geografia mexicana, que vai desde a fronteira da Guatemala até a fronteira com os Estados Unidos, uma distância de aproximadamente três mil quilômetros.

As imagens das transmissões de meios digitais mostram um mar de gente como nunca se havia visto cruzar massivamente a fronteira, gritando a frase “sim, é possível”. As organizações humanitárias, entre elas a Igreja católica, os receberam em Esquipulas com abrigo e comida. Em algumas áreas encontram gente solidária que lhes apoia com transporte. Filas de guatemaltecos acampados ao longo da estrada lhes davam as boas-vindas e abençoavam sua caminhada. Esquipulas é a cidade de fronteira com Honduras e El Salvador, onde começaram os diálogos que deram origem aos processos de negociação de paz na América Central, em particular na Guatemala.

A caravana partiu de San Pedro Sula, localizada a 180 quilômetros de Tegucigalpa, a capital de Honduras, e foi autoconvocada como consequência da situação de pobreza, violência e corrupção que se vive naquele país centro-americano.

Cantando o hino nacional de Honduras, rezando, e gritando “Sim, é possível” e “Honduras: te amamos”, os migrantes não pararam a caminhada rumo ao seu objetivo, mesmo diante das autoridades guatemaltecas que deram a ordem de não permitir sua entrada no país. “Temos direito” diziam os viajantes e “não somos delinquentes, somos migrantes” afirmaram.

Dá pena deixar a terra, porque nela eu cresci, e porque amamos a terra – disse uma jovem ao sair de San Pedro Sula na madrugada deste sábado, 13 de outubro – mas a vida exige isso, esta é a situação, concluiu. Os números indicam que 1,2 milhões de hondurenhos saíram do país buscando melhores condições de vida.

Meios nacionais e internacionais entrevistaram os migrantes no caminho e todos coincidem com o fato de que a realidade em Honduras é insuportável e que é necessário arriscar tudo para buscar uma vida melhor, mesmo que a viagem seja incerta.

Várias organizações humanitárias fizeram um chamado para que se façam esforços necessários para auxiliar quem se pôs no caminho arriscado como consequência da decomposição dos sistemas de governo que arruinaram a vida no país.

Um jornalista fez uma transmissão pela página oficial da cidade de Esquipulas, site ao qual se conectaram até 10 mil pessoas simultaneamente e que acompanharam a transmissão de vários países do mundo. Deixamos aqui o link da conexão. Outros sites transmitiram também a passagem pela fronteira.

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