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27 Novembro 2020

Publicamos aqui o comentário de Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 1º Domingo do Advento, 29 de novembro de 2020 (Marcos 13,33-37). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Inicia o tempo do Advento, isto é, o tempo da espera pela Vinda do Senhor Jesus na glória. Não é um tempo de preparação para a festa do Natal, mas de preparação para aquele evento que o próprio Jesus indicou aos seus discípulos como evento definitivo, evento em que a justiça será definitivamente instaurada e se cumprirá o Reino dos céus por ele anunciado. O grito da Igreja neste tempo é o da Esposa que, junto com o Espírito, invoca: “Vem, Senhor Jesus! Maranà tha!” (Ap 22,17.20; 1Cor 16,22).

A vinda do “Dia do Senhor” já havia sido invocada pelos crentes de Israel, que pediam ao Senhor, Pai e Redentor, que voltasse (cf. Is 63,15-17), isto é, que fizesse sentir a sua presença e viesse libertá-los da opressão e da miséria do pecado, com as suas consequências mortíferas: “Quem dera rasgasses o céu e descesses!” (Is 63,19).

Por sua vez, os cristãos ainda estão à espera, embora o ar que respiram hoje mostre uma profunda incapacidade de esperar: eles sabem, porém, que a espera do Senhor é a única espera importante, decisiva, e acreditam firmemente nas suas palavras sobre a vinda do Filho do homem (cf. Mc 13,26-32).

O Filho do homem, isto é, Jesus que já veio na frágil carne humana, nascido de Maria e morto na cruz, Ressuscitado e Vivo, virá na glória; mas virá em uma hora que está oculta e secreta em Deus, uma hora que os homens e as mulheres não esperam nem pensam como possível.

Sim, a vinda do Filho do homem será como a catástrofe do dilúvio nos tempos de Noé, quando a terra estava cheia de violência, e os homens consideravam que podiam viver como quisessem, na injustiça e na devassidão: inesperada, repentina, veio a calamidade...

Assim será também para a vinda de Jesus na glória: muitos, de fato, em uma cega suficiência, nem pensam nem creem em um juízo, em um dia em que haverá o cumprimento da justiça e da verdade para todos aqueles que na história foram oprimidos e afligidos, para todas as vítimas, os sem voz.

Mesmo assim, eis que esse dia vem, e essa é uma boa notícia, é Evangelho! A vinda do Senhor não nega a história, não condena esta humanidade, mas quer transfigurar este mundo, quer redimir a história.

Os cristãos, portanto, são chamados a vigiar, a vigilar, porque são “os que esperam a manifestação do Senhor” (2Tm 4,8), eles sabem que, além da morte, há a vida eterna como vida para sempre em Deus, há o fim do pecado e do mal, a festa escatológica. Não há nenhuma possibilidade de viver como que adormecidos, em um triste sonambulismo espiritual; pelo contrário, é preciso atenção, ou seja, vigilância como tensão interior de toda a vida rumo à meta: o encontro com o Senhor que vem.

Por isso, na breve parábola de Jesus, diz-se que este é o tempo em que o Senhor partiu para uma viagem, deixando a cada um a sua tarefa, e ao porteiro, a de vigiar. Quando vai voltar? À noite, ou à meia-noite, ou ao cantar do galo, ou de manhã? Qualquer que seja a hora, o Senhor quer ser acolhido; por isso, é preciso vigiar, mas isso é muito difícil, e o Senhor sabe bem disso.

Não esqueçamos que essas palavras foram dirigidas aos discípulos, mas precisamente eles, quando chegou a hora da crise, a hora da paixão do seu próprio mestre e profeta, quando chegou a noite, dormiam enquanto Jesus vigiava; depois, à noite, todos fugiram, deixando Jesus sozinho, e ao cantar do galo Pedro renegou Jesus. Porém, Jesus teve misericórdia de todos eles...

Por isso, vigiemos e fiquemos atentos, recordando as palavras de Ignazio Silone [escritor e político italiano] que, a quem lhe perguntava por que ele não se tornava cristão, respondia: “Porque me parece que os cristãos não esperam nada!”.

 

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