A reforma da Igreja e a resistência é tema de debate na Universidade de Georgetown

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02 Setembro 2020

As iniciativas do Papa Francisco no sentido de reformar a Igreja Católica têm encontrado resistência em alguns círculos, segundo um dos painelistas que participou de um fórum on-line, em 31 de agosto, promovido pela Universidade de Georgetown.

A reportagem é de Mark Pattison, publicada por Catholic News Service, 01-09-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Eu acho que nos Estados Unidos tem havido uma resistência ativa contra o Papa Francisco”, disse Paul Elie, pesquisador do Centro Berkley para a Religião, Paz e Assuntos Mundiais, da Universidade de Georgetown, durante um fórum on-line intitulado “O Papa Francisco e a Reforma da Igreja”.

Diferentemente do que pode haver em outros lugares, “aqui nós não temos uma situação na qual os católicos sejam ignorantes e que o ensino social da Igreja seja um segredo bem guardado”, disse Elie, coordenador do ciclo de debates “Fé e Cultura” do Centro Berkley e diretor do Projeto Peregrinação Americana. “Temos uma situação na qual um pequeno número de bispos americanos escolhe ficar do lado de um presidente e de um partido, numa clara violação do ensino social católico”.

“Não há nada de errado com as críticas. A crítica é perfeitamente normal”, disse Austen Ivereigh, jornalista e autor de dois livros sobre o pontificado de Francisco. Porém, as diferenças entre crítica e resistência, acrescentou, são a “negação da autoridade espiritual de Francisco, ou a negação de que ele é conduzido pelo Espírito Santo”.

Ivereigh falou que um aspecto interessante dessa resistência é a “resistência ao discernimento” e que se apresenta com mais frequência nos sínodos convocados pelo papa.

Acusar Francisco de herege ou modernista, ou alegar que ele busca mudar os fundamentos da Igreja, constituem uma “resistência que nega, com efeito, sua autoridade; é uma mentalidade cismática”, completou Ivereigh, acrescentando: “Resta saber se estas coisas levarão ao cisma”.

O fórum foi organizado também pela La Civiltà Cattolica, revista jesuíta de Roma cujos textos são revisados pelo Vaticano antes de serem publicados.

Até agora, as reformas curiais do papa são “mais substantivas do que muitos pensam”, continuou Ivereigh. Segundo ele, tais reformas buscam pegar uma burocracia que foi construída para se defender do mundo e colocá-la a serviço do mundo”.

Ivereigh falou ainda que o papa é um “mediador, um intermediário, um ‘middleman’, como às vezes se diz em inglês (…). Isso explica a guerra que ele trava – e é preciso chamar de guerra mesmo – contra o clericalismo, o que o papa considera a pior coisa da Igreja”. O clericalismo, acrescentou, “arroga o poder da religião para si mesmo, ao invés de colocá-lo a serviço das pessoas”.

As ideias de reforma do papa não têm a ver com cortar cabeças, nem com demissões, explicou Ivereigh. “A abordagem dele é muito mais a longo prazo, semeando as sementes que outros papas provavelmente irão colher. Se simplesmente se muda a estrutura sem mudar a cultura, nada terá sido feito. Se simplesmente se mudam as pessoas sem mudar a estrutura, nada terá sido feito também”.

Um terceiro painelista, o padre argentino Augusto Zampini, do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, falou que a pandemia de covid-19 tem levado o mundo a um novo cenário, o qual necessariamente isso gerará mudanças. “Isso significa que sairemos diferentes, e precisamos decidir se para melhor ou para pior”.

Haverá um “vinho novo em odres novos”, segundo Zampini. A questão maior que ele apresenta é: “Como lidar com a situação atual, quando um minúsculo vírus vem exacerbando os vírus maiores que temos em nossa vida”, tais como a economia, o meio ambiente, as finanças e os estilos de vida.

“A covid-19 vai acelerar algumas das reformas que o Papa Francisco vem propondo, em especial através do discernimento com os outros, pois nós não temos as respostas”, explicou Zampini. “O que significa viver juntos num mundo global? O que significa amar os inimigos, porque todos estamos afetados pelo vírus?”

“O papa não tem um plano stalinista” para a reforma da Igreja, continuou Zampini, “entretanto não podemos ser a mesma instituição em um mundo diferente. Precisamos dizer algo novo, porque a Palavra de Deus é sempre nova”.

“Acho que o Papa Francisco vem usando imagens muito, muito eficientes para transmitir não só um senso de papado na Igreja em meio a reformas, mas um senso da Igreja em sua essência”, disse Elie.

“A imagem que mais chamou a atenção [após a eleição de Francisco] foi a recusa em morar no Palácio Apostólico. Ele escolheu a pousada de hóspedes”, disse Elie. “Isso sugere um papado despojado”.

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