São necessárias paróquias capazes de sair e procurar os distantes, afirma cardeal

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21 Julho 2020

O prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Beniamino Stella, fala sobre a nova instrução do dicastério, explicando que nasceu da necessidade de orientar em sentido missionário a renovação, já em ato, das estruturas eclesiais. "As paróquias não podem pensar apenas em se proteger, mas devem saber olhar além de suas fronteiras para anunciar o Evangelho".

A entrevista é de Fabio Colagrande, publicada por Vatican News, 20-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Renovar as estruturas paroquiais, redescobrindo a vocação missionária de cada pessoa batizada e, ao mesmo tempo, superando a ideia de uma pastoral paroquial limitada ao interior do território. Estes são os aspectos centrais da Instrução: "A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja", elaborada pela Congregação para o Clero e publicada em 20 de julho.

O documento destaca como hoje existe um risco concreto de que as paróquias permaneçam estruturas organizacionais burocráticas mais atentas a se preservar do que a evangelizar e as convida a serem cada vez mais projetadas em direção a novas formas de pobreza. Em particular, a Instrução quer se colocar-se a serviço de algumas escolhas pastorais já iniciadas e experimentadas para contribuir a avaliá-las e orientá-las em um contexto mais universal, como confirma o cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero:

"Por um lado, especialmente no chamado mundo "ocidental", existe a escassez de sacerdotes, que agora é um aspecto objetivo. Mas há também o fato de que mudaram os limites das paróquias: de alguma forma eles "desapareceram”. Hoje existem outras exigências: existe uma mobilidade mais acentuada. Tudo isso nos fez entender que precisamos olhar além, para além da ideia da paróquia tradicional. Hoje as pessoas se mudam, frequentam a igreja do lugar onde se encontram. Muitos projetos de reforma das comunidades paroquiais e de reestruturação diocesana já estão em ato. No entanto, é necessário que a norma eclesiástica, que deveria regular essas reestruturações, tenha em mente o âmbito canônico da Igreja, que possui âmbitos universais. É necessário que essas reformas não sejam ditadas apenas pelo gosto - eu diria quase “pelo capricho” - de competentes e especialistas. É necessário que obedeçam às novas exigências, mas também que levem em conta uma perspectiva mais ampla, que a Igreja seja vista em sua universalidade".

 

Eis a entrevista.

Por que a Igreja sente essa necessidade de renovar as estruturas paroquiais em chave missionária?

Não estamos trabalhando em uma empresa, mas pertencemos a uma comunidade, a uma família. Essa nossa fé, que significa adesão, que significa encontro, que significa adoração do rosto de Deus, deve necessariamente nos levar a olhar além das necessidades pessoais e familiares, a sentir que nosso âmbito de ação é a humanidade, mas uma humanidade mais ampla que o jardim da nossa casa, das nossas fronteiras. Ser missionário significa esquecer um pouco o vilarejo, esquecer a família, sobretudo esquecer os próprios confortos e, a partir da beleza da fé e da alegria do Evangelho, sentir que pertencemos ao Senhor e, portanto, compartilhar nosso tesouro com aqueles que não o têm, com aqueles que perderam o sentido de seu valor, com aqueles que precisam voltar a encontrar o Senhor, sentir sua presença em suas vidas.

A Instrução também pede para superação a ideia de uma pastoral paroquial limitada, dentro de seu território, e almeja uma "pastoral no geral da diocese" caracterizada por um "dinamismo em saída". O que isso significa em termos concretos?

Significa que, se sentimos que nossa fé é uma fé a ser anunciada, a ser proposta, não existem apenas as canônicas, os muros das igrejas, mas há pessoas que precisam dessa fé. A paróquia talvez tenha sido sentida até agora quase como um palácio, um castelo a ser cuidado, a ser protegido ... Parece-me que precisamos remover as chaves, abrir as portas, ventilar o ambiente e sair. É isso, esse dinamismo em saída, do qual o Papa fala muitas vezes, significa olhar para longe, ver quem precisa da fé: o mundo inteiro da juventude, o mundo inteiro daqueles que precisam de Deus, mas não sabem que caminho seguir. A paróquia deveria ser uma estrutura em busca. Padres, diáconos, consagrados devem saber sair, ficar do lado de fora. O Papa muitas vezes fala de "estar com": isso significa saber dedicar tempo, descobrir as riquezas, às vezes, das pessoas, das famílias vivendo justamente junto. É um grande sacrifício, porque todos amamos as rotinas, o nosso habitat que nos deixa tranquilos, serenos, confortáveis. Mas essa não é a dinâmica da fé. Há também a necessidade da cooperação entre as paróquias, da coordenação dos horários. Tudo isso nos leva a sentir a paróquia como uma "vida da comunidade", uma "vida da grande família". E assim o padre deve ser o guia dessa procissão em saída: ele deve ajudar seus colaboradores, ajudar as famílias a "ficarem de fora", a procurar aqueles que estão longe e atender ao primeiro aceno, palavra, convite para se envolver nesse caminho de fé que também dá alegria, serenidade e, por sua vez, projeção missionária.

 

Nota do Instituto Humanitas Unisinos – IHU:

O documento "Instrução. A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja" está disponível em português aqui.

 

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