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05 Junho 2020

Publicamos aqui o comentário de Enzo Bianchi, monge italiano fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste domingo, solenidade da Santíssima Trindade, 7 de junho de 2020 (João 3,16-18). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No domingo após Pentecostes, os cristãos do Ocidente celebram o mistério da Tri-unidade de Deus, do Deus uma e três vezes santo. Deus é uma comunhão de amor entre Pai, Filho e Espírito Santo, comunhão que não permanece fechada em si mesma, mas que se abre para nós, homens e mulheres, chamados a acolher e a responder a esse amor. E, como sempre acontece no cristianismo, a meditação sobre Deus parte do homem Jesus Cristo, “o Filho unigênito que narrou Deus” (cf. Jo 1,18).

Em particular, a Igreja nos convida a contemplar esse mistério através da leitura de um breve trecho tirado do terceiro capítulo do Evangelho segundo João. Nos versículos que o precedem, narra-se um diálogo entre dois mestres, o fariseu Nicodemos e Jesus, “o mestre que vem de Deus” (Jo 3,2).

Eles discutem sobre uma questão difícil e ao mesmo tempo crucial: a possibilidade de um autêntico renascimento do ser humano. Jesus afirma que ele só pode acontecer “do alto” (Jo 3,3), por obra do poder de Deus, mas o outro não entende...

Jesus então rebate que esse poder é o Espírito de Deus, é ele quem pode operar um novo nascimento (cf. Jo 3,5-8). Depois, acrescenta uma revelação à primeira vista enigmática: para que o Espírito seja derramado por Deus sobre a humanidade, é preciso que ele, o Filho do homem, seja “elevado”, como Moisés havia elevado uma serpente de bronze durante o caminho de Israel no deserto (cf. Nm 21,4-9). Olhando para aquele imagem, o povo era preservado da morte que o atingia por causa das serpentes venenosas: assim como a serpente era um sinal de salvação, assim será o Filho do homem uma vez elevado da terra, e quem crer nele terá a vida eterna (cf. Jo 3,14-15).

Mas o que significa “ser elevado”? Certamente significa ser elevado da terra, e Jesus o será na cruz (cf. Jo 8,28); mas também significa ser elevado por Deus (cf. Jo 12,32), que tomará Jesus na sua glória e o proclamará Senhor.

Em suma, estamos diante do anúncio central da nossa fé, feito na língua joanina: a da paixão, morte e ressurreição de Jesus. É por isso que o evangelista sente a necessidade de interromper o relato para comentar o anúncio de Jesus e o faz com palavras que representam uma espécie de evangelho no Evangelho: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”.

Com toda a sua vida gasta até sua morte na liberdade e por amor nosso, com a sua passagem entre nós, fazendo o bem no poder do Espírito Santo (cf. At 10,38), Jesus Cristo nos narrou que “Deus é amor” (1Jo 4,8.16); nos manifestou, na concretude de uma existência humana, o ato gratuito com que Deus escolheu enviá-lo no mundo, a ele, o seu único Filho, entregando-se sem reservas a nós, homens e mulheres.

Por isso, o autor pode continuar: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Somos nós que nos julgamos sozinhos, acolhendo ou rejeitando o amor vivido por Jesus...

João expressará novamente essa realidade na sua Primeira Carta, com palavras de contemplação que são o melhor comentário às do Evangelho: “Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados. (...) A prova de que permanecemos nele, e ele em nós, é que ele nos deu do seu Espírito. E nós vimos, e damos testemunho: o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo” (1Jo 4,9-10.13-14).

Sim, o amor vem de Deus e chega até nós, homens e mulheres, e não vice-versa: “Nós amamos, porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19)! Portanto, somos convidados a nos reconhecer como criaturas amadas radicalmente por Deus no poder do seu Espírito Santo, a “crer no amor” (cf. 1Jo 4,16), que se manifestou definitivamente no Filho Jesus Cristo.

Acolhendo esse amor, somos capacitados a exercitá-lo, amando-nos uns aos outros: é assim que o amor de Deus pode se espalhar e se manifestar na história. Na verdade, como canta um antigo hino da Igreja, “onde o amor é verdadeiro, lá está Deus”!

 

 

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