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17 Maio 2013

Mesmo sendo uma palavra abstrata “Trindade”, o nosso Deus não é um conceito: é um Deus de amor que se faz Criador, Salvador e Guia para a nossa felicidade.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Festa da Santíssima Trindade. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:

1ª leitura: "A Sabedoria foi constituída antes das origens da terra" (Provérbios 8,22-31)
Salmo: Sl 8 - R/ Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!
2ª leitura: "Em paz com Deus, por meio de Jesus Cristo, no amor derramado pelo Espírito" (Romanos 5,1-5)
Evangelho: "Tudo o que o Pai possui é meu; o Espírito receberá do que é meu e vo-lo anunciará" (João 16,12-15)

A Sabedoria do começo

Não passemos depressa demais por nossa 1ª leitura. O Novo Testamento vê em Cristo a Sabedoria de Deus, por isso ficamos sabendo que Cristo está aí desde o começo. O Cristo sim, digo bem: este mesmo Cristo de sempre, que se tornou homem em Jesus de Nazaré, quando “os tempos se cumpriram”.

Este Jesus dos nossos evangelhos é precisamente a quem Paulo se refere, em Colossenses 1,15-20: “Ele é a imagem do Deus invisível (a visibilidade do invisível), primogênito de toda criatura; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra.”

Paulo não fala somente do Verbo, como faz São João no início de seu Prólogo: para ele, o “Verbo encarnado” já estava aí bem antes do aparição do homem. A Sabedoria no livro dos Provérbios é o Verbo, operando em todas as coisas para produzir a Imagem e Semelhança de que fala Gênesis 1.

Esta expressão que define o homem define em primeiro lugar o Filho no qual Deus se conhece e se reconhece. Com Jesus, revela-se à luz do dia o que se encontra fora do tempo. Deus, em Jesus, revela-se saído de Si mesmo: “generosidade expansiva”, conforme o biblista Paul Beauchamp.

Não há Deus, de um lado, e, de outro, como se fosse algo a mais, esta generosidade. Não! Ele é esta generosidade. “Deus é amor”. Para Ele, existir consiste em que aconteça este “face a face semelhante a Si mesmo”, sendo, no entanto, Outro. Um Outro tirado de Si mesmo (Gênesis 2,18 e 22-24). Isso é o que nos ensina a vinda de Jesus. Ver: Tito 3,4 e 1Jo 1,1-4.

O Espírito e a Sabedoria

Encontra-se na Sabedoria "um Espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil...” (Sabedoria 7,22). Este Espírito é “artífice do mundo”. Mas quem, então, é criador: O Pai, o Filho ou o Espírito? Digamos que quem cria é este intercâmbio, esta tríplice relação que “constitui” Deus.

Somos todos concebidos e feitos numa relação de engendramento. Deus é quem gera, quem é gerado, e a própria geração. Foi necessária muita audácia aos primeiros cristãos para acreditar nisto e para dizê-lo, a partir do gesto de Jesus e do dom do Espírito.

A imagem que fazemos de Deus, do divino, transformou-se radicalmente. Não podemos mais dizer simplesmente que Deus é Um. Agora, é preciso dizer que Ele é “União”, conforme santo Inácio de Antioquia, que concluiu que só existimos verdadeiramente como homens quando nos fazemos, também nós, “União”. Um só corpo.

A “função” atribuída ao Espírito é ser a uma só vez Agente da comunhão entre do Pai e do Filho e Quem dá ao Cristo um corpo novo, ao mesmo tempo uno e múltiplo. O sopro de Deus, que é a sua própria vida, se dissemina e comunica-se. fazendo-nos existir por participação na natureza divina (2 Pedro 1,4). O Sopro traz a Palavra e a Palavra se vê ganhar um corpo, o que vale para a Anunciação e, finalmente, para o Pentecostes. Só podemos existir sendo assumidos no intercâmbio Trinitário.

Um programa para a humanidade

Temos, pois, de nos encontrar com o “divino” que se revela dom de Si mesmo. O que exige a duração toda da nossa história. E isto vale não só para cada um de nós como para toda a humanidade. Mas será preciso esperar até o “final dos tempos” para que o Deus-União complete a criação “à sua imagem”?

Ora, de fato, entramos na comunhão divina a cada vez que, junto aos outros, criamos relações autênticas. Lembremos este canto muito antigo: “Onde haja caridade e amor, Deus aí está”, ou ainda estas palavras de Jesus: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. Ele está “no meio” para ser o “meio” no qual nos encontramos. Não só ao mediador, que é o traço de união, mas à própria união; n'Ele somente é que podemos aceder.

Assim, fazendo-nos irmãos é que nos tornaremos Filhos. Entramos já na eternidade de Deus, mas permanecemos no tempo: nosso estatuto de irmãos e de filhos está incessantemente por se reconquistar, ao fio dos acontecimentos e encontros.

A Trindade, no entanto, que nos parece tão alta e tão longínqua está aqui, ao alcance de nossos corações e de nossas mãos. Vivemos isto tudo na obscuridade da fé. Esperando a plena revelação, olhemos como Cristo viveu e agiu, Ele que é a visibilidade do Pai (Santo Irineu). E o Espírito é que dá testemunho.

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