Charles de Foucauld: “Uma grande figura do diálogo inter-religioso”

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02 Junho 2020

O padre e eremita francês, martirizado na Argélia em 1916, será em breve declarado santo.


Cruz adornada com o símbolo de Charles de Foucauld carregada pelas Pequenas Irmãs de Jesus, em Mulhouse, França. Foto: Christine Hart /L’Alsace/MAXPPP

Esta semana, o papa Francisco abriu oficialmente o caminho para a canonização de Charles de Foucauld, um ex-oficial de cavalaria do exército francês que foi assassinado em 1916 depois de se tornar padre e eremita na Argélia.

O caso de beatificação de Foucauld foi aberto apenas 11 anos após sua morte e, finalmente, Bento XVI o declarou, em 2005, mártir pela fé.

Ele, que em breve será declarado santo, deixou um rico legado espiritual. Sua vida e seus escritos inspiraram a fundação de mais de uma dezena de congregações, fraternidades e movimentos religiosos.

Entre os mais conhecidos estão os Pequenos Irmãos de Jesus e as Pequenas Irmãs de Jesus.

A Irmã Odette, da Fraternidade das Pequenas Irmãs de Jesus, de Paris, falou com Claire Lesegretain, do La Croix, sobre a canonização por vir do Irmão Charles e de como ele continua a inspirar sua congregação e outros fiéis.

A entrevista é de Claire Lesegretain, publicada por La Croix International, 29-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Confira a entrevista.

Qual foi sua reação quando você soube da canonização?

Foi uma grande alegria. Especialmente porque aquilo que Charles de Foucauld viveu tem um pouco a ver com os eventos atuais. Durante esses dois meses de confinamento, em que nos vemos privados da Eucaristia, tenho pensado muito nele. Por várias vezes ele celebrou sozinho, sem nenhum outro fiel do seu lado.

O que Charles de Foucauld viveu entre os muçulmanos é uma mensagem de fraternidade universal que precisamos ouvir nestes tempos de pandemia mundial.

Quando fico sabendo de alguns padres e fundadores da Igreja fracassam nos votos assumidos, eu também muitas vezes penso em Charles de Foucauld, pois, em toda a sua vida, ele foi um grande testemunho integridade.

As gerações mais novas sabem muito de Charles de Foucauld?

Não. Os jovens dificilmente sabem alguma coisa sobre ele. Esperamos que esta canonização ajude em sua redescoberta. Num momento em que muito se fala em diálogo inter-religioso, Foucauld é uma figura importante desse diálogo, por meio do seu apostolado de oração, silêncio e amizade com os irmãos e irmãs muçulmanos.

Enquanto as pessoas buscam sempre por resultados, ele aceitou uma inutilidade aparente.

Acredito que o papa Francisco está nesta linha de uma Igreja “em saída”, de uma vida discreta e que se faz no meio do mundo.

O que a levou para as Pequenas Irmãs de Jesus?

A primeira biografia que li de Charles de Foucauld, escrita por Michel Carrouges (“Charles de Foucauld: Explorador Místico”, originalmente publicado em 1954), me orientou enquanto pesquisava. Isso foi em 1959. Li outras obras depois, em particular as de René Bazin e Jean-François Six. Foi a contemplação que me atraiu para esta congregação, e o fato de que o Irmão Charles não havia convertido ninguém.

Eu não venho de um ambiente religioso e nunca consegui dividir a minha fé no ambiente familiar. Me senti atraída por uma vida simples, como aquela de Jesus de Nazaré.

Hoje, moro com duas outras Pequenas Irmãs em um apartamento na Rue Saint-Denis [um dos bairros parisienses marcados pela prostituição]. Somos uma presença amorosa, respeitosa entre as famílias e mulheres mais pobres da vizinhança.

A oração ocupa um lugar central em nossa vida, com uma hora de oração pela manhã, uma hora de adoração durante o dia e os momentos de oração comunitária.

Durante a sua formação, foi para a Argélia onde o Irmão Charles viveu?

Sim, a Pequena Irmã Magdeleine [fundadora da Fraternidade das Pequenas Irmãs de Jesus em 1939] enviava todas as noviças para a região do Saara por, pelo menos, seis meses. Não fui para Tamanrasset, mas passei seis meses em El Golea [lugar para onde o túmulo de Charles de Foucauld foi transferido em 1925]. Sozinha, pude experimentar aí aquilo que a minha vida futura viria a ser: desapego e contemplação.

Irá a Roma para a canonização?

Espero que sim. Presenciar a sua canonização e reencontrar a nossa fraternidade.

No total, somos cerca de 300 na França e cerca de 1.200 no mundo. Na década de 1960, a congregação atraiu muitos jovens, mas hoje ela está envelhecendo. Não temos noviços na Europa, mas alguns poucos na África e na Ásia.

 

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