Festa de Pentecostes - Ano A - Do confinamento para a Missão

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Por: MpvM | 29 Mai 2020

"Nestas últimas semanas, eventos inéditos forçaram as portas das nossas fronteiras e realidades cotidianas. Palavras “novas” ou com um sentido novo apareceram no nosso vocabulário, entre elas o polêmico confinamento!

"Como podemos dar um novo sentido aos momentos pelos quais estamos passando hoje? Medo, ansiedade, perdas, projetos desfeitos, relações interrompidas, outras reatadas... Alguma nova oportunidade à vista? A palavra oportunidade vem do nome de um vento que os antigos gregos chamavam de “oportuno”, o vento bom que levava os navios até o porto! Seria o Espírito Santo o vento bom, o vento oportuno que neste momento de pandemia nos convida a redescobrir os movimentos da sua vida em nós entre nós?"

A reflexão é de Irmã Annette Havenne, sm. Ela é religiosa da Congregação das Irmãs de Santa Maria. Possui graduação em psicologia e em teologia pastoral. Vive há 43 anos no Nordeste e reside na periferia de Aracaju/SE. Integra a equipe de assessoria da Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB e atua na da formação humana e espiritual de comunidades religiosas e grupos de leigos. Continua residindo no Nordeste do Brasil, mas serve sua congregação como conselheira geral. 

 

 

Leituras do Dia
1ª Leitura - At 2,1-11
Salmo - Sl 103,1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)
2ª Leitura - 1Cor 12,3b-7.12-13
Evangelho - Jo 20,19-23

Nestas últimas semanas, eventos inéditos forçaram as portas das nossas fronteiras e realidades cotidianas. Palavras “novas” ou com um sentido novo apareceram no nosso vocabulário, entre elas o polêmico confinamento!

Ser confinado, confinar-se, experimentar limites, não ter mais como tomar um voo para ir até os confins do planeta ao seu bel prazer... ou para correr atrás dos seus objetivos!

Por imposição, por ordem, por medo, por prudência, por solidariedade, por sabedoria fomos instigados a ficar dentro de casa... sem ver nem ter hora de sair! “Fiquem em casa!”

Convido vocês a fazer uma releitura dos textos bíblicos deste tempo de Pentecostes, à luz desta nova experiência, mais ou menos rígida, a depender dos países onde o covid 19 nos alcançou... Mas que no momento é de fato uma realidade que nos toca, a todas e todos.

O livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11), já no capítulo primeiro, fala do “confinamento” dos discípulos no quarto alto da casa de Jerusalém onde estavam hospedados, depois da partida de Jesus para o céu. “Lá ficaram juntos com algumas mulheres e entre elas Maria, a mãe de Jesus e com seus irmãos.”

Um confinamento que se torna retiro, pois “estavam unidos e assíduos na oração” ... e obedecendo a orientação dada por Jesus no último encontro, relatado por Lucas no final do seu primeiro livro: “Fiquem esperando na cidade até que sejam revestidos da força do alto” ! É deste quarto e desta casa que o Espírito os propulsa para a praça pública, como o relata a primeira leitura da liturgia do dia de Pentecostes.

O mesmo eco vem do evangelho joanino (Jo 20,19-23), também proposto nesta festa de Pentecostes, com detalhes concretos e emoções fortes: “As portas estavam trancadas por medo dos Judeus! Jesus apareceu no meio deles... Recebam o Espírito santo.”

Como podemos, à luz destes relatos pascais, ressignificar momentos sofridos de parada em nossa vida? Pois somos gente de um século e de uma cultura em que as pessoas não param “por conta”, apenas param quando são paradas por algo ou alguém!

Como podemos dar um novo sentido aos momentos pelos quais estamos passando hoje? Medo, ansiedade, perdas, projetos desfeitos, relações interrompidas, outras reatadas... Alguma nova oportunidade à vista? A palavra oportunidade vem do nome de um vento que os antigos gregos chamavam de “oportuno”, o vento bom que levava os navios até o porto! Seria o Espírito santo o vento bom, o vento oportuno que neste momento de pandemia nos convida a redescobrir os movimentos da sua vida em nós entre nós?

Estar em casa, ficar em casa, sentir-se em casa, até em terra estrangeira, não ter casa, andar “sem eira nem beira” como se diz no Nordeste, são experiências humanas profundas e primordiais. Mexem com quem somos, de onde viemos, onde sentimos senso de pertença, onde nos sentimos seguros. A experiência de ficar em casa que precede o Pentecostes é convite feito pelo Espírito santo a descer bem fundo dentro de nós, até nosso santuário interior, nosso desejo fundante. Para uma família, uma comunidade de vida, é também momento de estreitar laços, reafirmar valores essenciais, redescobrir porque estamos juntos... dar tempo ao diálogo, rezar juntos, ajudar-se, dar atenção ao outro!

Hoje recebi duas máscaras caseiras para enfrentar o desconfinamento... um costurado por uma irmã brasileira, outro por uma irmã congolesa... Eis o primeiro movimento do Espírito, da força de Jesus a discernir em nós nestes dias: convite a ir bem fundo para dentro da nossa casa interior e da nossa pequena casa comum... Porque nesta hora perdemos quase tudo e só nos resta... o amor de cuidado e de compaixão.

Mas dentro em brevê, esperamos que a dinâmica do Espírito nos lance no movimento oposto e numa harmoniosa complementaridade com seu primeiro sopro: a rajada forte que vai nos convidar a Ir bem longe para fora... a nos deixar levar de novo pelo vento oportuno da missão!

Quem sabe no final deste confinamento-desconfinamento, teremos redescoberto a sabedoria dos anciãos: “Há um tempo para tudo”: tempo de parar e tempo de retomar a mochila, tempo de rezar e tempo de testemunhar o que nos habita, tempo de nos congregar e tempo de nos deixar dispersar pelos caminhos da evangelização, tempo de buscar o deserto e tempo de ir fazer feira, tempo de silenciar e tempo de gravar um vídeo...

Peçamos ao Espírito de Jesus que venha nos ensinar, através dos seus movimentos e sinais, a discernir os convites para novos tempos... com a humildade de pessoas desejosas de aprender e a ousadia da esperança!

Vem, Espírito Santo
manda-nos do céu
um raio de tua luz.

 

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