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17 Mai 2013

Com o Pentecostes a Páscoa está completa! Cumpriu-se hoje a promessa de Jesus: cheios do Espírito Santo, começaram a falar em outras línguas!

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Festa de Pentecostes. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura: At 2,1-11
2ª leitura: 1 Cor 12,3-7.12-13
Evangelho: Jo 20,19-23

O Universal

Os Atos relatam que os estrangeiros vindos a Jerusalém ouviam os apóstolos falar-lhes em sua própria língua. Devemos nos referir a isto apenas como um milagre destinado a dotar de autoridade a mensagem destes Galileus? Certamente que não. Primeiro, ficamos sabendo que, daí em diante, a luz do mundo e o fogo que o Cristo veio acender passa aos apóstolos e se difunde através deles. A Palavra de Deus assume agora, como o seu caminho, as suas bocas. Além disso, sendo proclamada em todas as línguas, a sua mensagem é universal, endereçada a todos. Não há língua sagrada nem cultura a se exportar. Veremos mais adiante, nos Atos, Paulo liberar os pagãos que se fizeram discípulos de Cristo das obrigações alimentares, da circuncisão etc. No começo, o ser humano representativo de todos os homens de todos os tempos se torna um vivente pelo sopro de Deus (Gn 2,7). Agora, somos beneficiários de uma segunda criação: como explica Paulo (1 Cor 15,42-49), não somos mais apenas corpos viventes, corpos psíquicos, mas corpos espirituais: animados, portanto, pelo Espírito. Este homem do fim, assim como o da parábola do começo (Gn 1 e 2), é também universal. Paulo irá repetir que não há mais nem judeu nem pagão, nem escravo nem homem livre, mas unicamente o Cristo que é tudo em todos. Maravilhemo-nos de que o Cristo possa ser celebrado e seguido em outras línguas e através de outros ritos. O Espírito sopra onde quer e como quer e se difunde sobre toda a carne.

O uno e o múltiplo

Há, pois, pelo Espírito uma reconciliação entre o particular (a língua dos Galileus) e o universal (todas as línguas). Há também uma passagem: estavam trancados num lugar bem conhecido e a situação agora é de mobilidade; “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho”, diz Jesus a seus discípulos (Mc 16,15). O Espírito é de fato intangível, voando de uma extremidade à outra da terra. É a respiração, mas também ventania de Deus. E é, ao mesmo tempo, a presença de Deus em nós. Ou, se quisermos, é Deus e o Cristo que, pelo Espírito, nos são interiores. É, sem dúvida, por estar misturado intimamente a nós que Ele é intangível e não conseguimos representá-Lo. É um paradoxo: Ele é o que possuímos de mais íntimo e, ao mesmo tempo, o que nos expulsa de nosso “eu” para nos pôr a caminho do que nos ultrapassa por todos os lados. Ele, a um sopro só, nos desliga de nós mesmos e nos liga a um corpo de que nos tornamos os membros. É a respiração deste novo corpo. Corpo que, a uma só vez, é uno e múltiplo, conjugando as diversidades, como está dito na segunda leitura. A disparidade se tornou harmonia. Mais ainda: o Espírito é a origem mesma desta disparidade, o arquiteto de todos os possíveis habilitados a fazerem parte desta construção. Por ter êxito em conciliar os extremos é que se diz que o Espírito é o Amor. As Escrituras falam seja que “Deus é Espírito” seja que “Deus é Amor”.

A Palavra e o Sopro

Temos aí o que sai da boca de Deus. De fato, o Sopro é que nos sopra a Palavra. “O Espírito vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”, anuncia Jesus imediatamente antes de sua Paixão (Jo 14,26). Em 16,12-15, insiste no fato de que o Espírito não tem outra Palavra a não ser a do Filho, em que habita tudo o que há no Pai: “Tudo o que o Pai possui é meu”. O Espírito fala em nós e o que Ele nos diz é o Filho, Palavra do Pai. Podem daí surgir algumas dificuldades, porque o Espírito não é o único que fala dentro de nós; há também a nossa vontade de poder, o nosso medo de dar demais ou de ter que suportar coisas demais. São vozes discordantes que podem encobrir e sufocar a voz sem palavras do Espírito. Mas pode ser muito difícil identificar quem está falando dentro de nós. Muitas vezes, nada se parece mais com o anjo de luz do que o anjo das trevas. No relato das tentações de Jesus, os evangelistas, sem nenhuma repugnância, põem na boca do tentador citações das Escrituras ou a promessa de um bem futuro. O que poderia haver de melhor do que defender a fé? Mas, se com isso o que se quer são as cruzadas ou a inquisição, deixa-se então a órbita do Espírito. Sabemos que o mal pode facilmente apresentar-se como um bem e, por isso, João e Paulo falam já em discernimento espiritual, com vistas a identificarmos aqui e agora a voz que está falando dentro de nós. É necessário ter disponibilidade e confiança absoluta no Espírito.

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