Teólogo alemão contesta Bento XVI sobre uma “ditadura global”: “é pura fantasia”

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07 Mai 2020

O teólogo alemão Magnus Striet, catedrático de Teologia Fundamental na Faculdade Católica da Universidade de Friburgo, contestou o editorial do próximo livro-biografia de Peter Seewald sobre Bento XVI.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 06-05-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em seu texto de resposta, publicado pela rede da Igreja alemã, o teólogo Striet lamenta a “ladainha que Ratzinger escutou uma ou outra vez” sobre a sociedade moderna. Com seus erros, como o da “ditadura do relativismo” que faz aprovar o casamento homossexual, pois “em regimes totalitários ou populistas, as condições de vida das pessoas com orientação homossexual deterioram-se”. Portanto, acrescenta Striet, “a observação de uma ditadura global é pura fantasia”.

Do mesmo modo o professor discute a abordagem de Bento XVI sobre a existência de um “credo anticristão” nas sociedades modernas. “Joseph Ratzinger não entende o que são as sociedades modernas e o Estado secular?”, questiona, insistindo que os cidadãos “podem viver seu credo cristão, seja de forma individual ou comunitária, e o mesmo se aplica a pessoas com credos diferentes. O único requisito é que não entrem em conflito com a lei vigente”.

Striet continua: “Portanto, a ninguém é negado o direito a exigir uma estrita legislação contra o aborto ou a crer na tradição bíblica de que a homossexualidade é um pecado”. Disso para que isso seja uma norma, “vai um mundo”.

Porque, defende o teólogo, a sociedade da qual fala Ratzinger não existe ou, pelo menos, “não é de nenhuma maneira anti-religiosa”, porque as autoridades religiosas já não são “autoridades culturalmente transcendentes”. “Joseph Ratzinger pode afirmar que na Alemanha existe um falso e absurdo humanismo que se opõe à crença cristã: receberá críticas por parte de um país que prática a democracia, não por hostilidade”.

Sobre sua condição de Papa emérito, Striet insiste em que os historiadores da Igreja afirmam que não pode haver dois papas, ainda que Ratzinger admita que pode. “Cabe destacar que não ele escreve se houve um Papa emérito, mas sim se pode haver”, aponta entre símbolos de admiração.

Finalmente, Ratzinger afirma que as diáconas e sacerdotisas nunca existiram. “Os historiadores estão de acordo nisso, porém não podem existir no futuro?”. “Imaginemos que nunca houve uma aceitação moral-teológica de casais homossexuais na história da Igreja e que João Paulo II ensinou uma teologia do corpo que exclui definitivamente o reconhecimento de tais corpos. Não pode, no entanto, ocorrer tal reconhecimento no futuro? Finalmente, também há uma razão teologicamente criativa para o fato de que possa haver o novo título e depois provavelmente também o novo cargo de um Papa emérito”, argumento o teólogo.

“Pessoalmente – conclui – creio que Joseph Ratzinger tem uma boa dose de auto-ironia”, pois “é completamente impossível que ele, que descreveu a si próprio como o ‘simples trabalhador da vinha do Senhor’, escolhesse o título de Papa emérito por razões de vaidade”.

“Honestamente, para mim, é indiferente se Deus considera razoável o ofício de um Papa emérito. Encontro perguntas mais urgentes, como o que acontece com aqueles que tem de viver diariamente desnudos com medo existencial e o que tem que dizer a fé da oração de Jesus a respeito. Ou, como esta se relaciona com situações ‘problemáticas’ que eticamente já não são decisivas”, finaliza Streit.

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