“O que o Papa Francisco denuncia são os limites do capitalismo 4.0”, afirma Ugo Mattei, jurista italiano

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30 Março 2020

O título é intencionalmente impreciso. O que quer denunciar essa edição crítica dos principais testes do magistério social do Papa Francisco não é tanto “A ditadura da economia”, mas a do capitalismo 4.0, assim como a vê Ugo Mattei, que para as edições do Grupo Abele, cuidou a antologia. “Nessas horas, as preocupações parecem outras - admite o jurista de Turim -, embora as encíclicas e as mensagens de Bergoglio contenham ideias interessantes para entender o momento que estamos vivendo”.

A entrevista com Ugo Mattei é editada por Paolo Viana, publicada por Avvenire, 28-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Como marxista, não lhe parece estranho identificar o líder da revolta anticapitalista no Papa?

Existencialmente, pareceu-me muito estranho, mas historicamente a Igreja nunca foi uma “aliada” do capital, como demonstrado pela Rerum Novarum; no máximo, ela apoiou o capitalismo apenas por razões táticas, motivada pela preocupação, pelo menos até João Paulo II, de conter o comunismo soviético.

A tese do livro é que uma divergência antropológica entre o cristianismo e o capitalismo emerge do magistério do Papa Francisco e que o papa seja o líder de uma fação de “guelfos” que deseja propiciar uma conversão ecológica do mundo, baseada na conversão pessoal e participação, contra a globalização da indiferença, governada pelos “poderes fortes”. É isso?

É exatamente assim, justamente nessas horas que o mundo está vivendo um rápido redesenho dos equilíbrios planetários em chave imperialista, sob o pretexto da emergência sanitária: pela primeira vez um estado de exceção é declarado por uma organização, a OMS - financiada por vários Gates, Bezos e Zuckerberg; um estado de exceção com base em dados científicos e sanitários, longe de qualquer controle democrático.

Você faz o Papa dialogar com Gramsci, Arendt, Shumaker, Polany, Olivetti, Rodotà e Fanon e, ao final dessa jornada intelectual, arrola os benicomunistas no partido guelfo, motivando a escolha assim:

“O pontificado franciscano propõe um dominus mundi meta-estatal, generativo, espiritual, ecológico e respeitoso da diversidade” ... Exatamente assim e o poder tecnológico corre o risco de ser o grande vencedor do desafio: no entanto, independentemente de como a emergência Covid-19 terminar, teremos um nível de difusão das tecnologias da informação e da vigilância policialesca, que são o símbolo do poder imperial, visivelmente aborrecidos pelos apelos do papa por justiça social e ambiental.

Veja bem, mas por que o Leviatã vence?

O Leviatã que representa o poder laico e estatal ao qual a comunidade entrega sua liberdade em troca da sobrevivência: foi editado em 1651, ou seja, em um período de terríveis pragas, no qual a Igreja começava a perder o consenso social e, em vez disso, adquiriu sua ciência. Da mesma forma, a já avançada desintermediação das relações sociais e políticas, hoje é levada a um nível impensável pelo medo e continuará nas asas da ciência e da tecnologia: são os cientistas que credenciam as medidas dos governos, todas as medidas, sem intermediações democráticas e sem muitas explicações, e são os drones e celulares que controlam que sejam aplicadas. A política abdica do cientismo, que é a ideologia da ciência, e os poderes fortes aplicam aquele “capitalismo dos desastres” lucidamente identificado por Naomi Klein: por medo de morrer, sacrificamos a liberdade e a espiritualidade. Nesse embate final, por um lado, existe o império fundado no medo da morte e, no outro, o Papa, que luta pela vida do homem e do planeta.

Por que é tão difícil se converter?

Porque, conscientemente ou não, estamos todos dentro da lógica do poder que age em um nível emocional e existencial, enquanto a conversão implica uma consciência e um trabalho político mais complexos.

Amicus-hostis: desta vez, quem é o inimigo?

Não é o burguês que se ilude ser a classe média, não é o industrial que tenta permanecer no mercado: são os duzentos super ricos da terra que já se consideram classe social e defendem seus imensos patrimônios. Para os pobres aquele dinheiro é a sobrevivência, para eles a emoção de um poder que olha para o próprio umbigo.

 

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