No ano do papa Francisco, o “tapa” supera Abu Dhabi. E Bento XVI é o segundo papa

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14 Janeiro 2020

A internet não fotografa toda a realidade, mas certamente a parte em que um "tapa" é mais interessante do que uma viagem apostólica. E onde Bento XVI se torna uma ficção.

O comentário é de Simone M. Varisco, publicado por Caffè Storia, 13-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na internet, são chamados de "memes". Ideias ou eventos capazes de se espalhar rapidamente na cultura de massa, subitamente se tornando famosos. Em outras palavras, situações capazes de se espalhar de maneira viral e espontânea: imagens, frases, vídeos, muitas vezes engraçados e de sucesso, ouras vezes tolos. E embora o termo tenha origens gregas e o conceito tenha a ver com genética e o evolucionismo, a web se confirma a pátria indiscutível dos memes modernos.

Qualquer assunto e qualquer figura pública podem se tornar protagonistas, de Chuck Norris - entre os primeiros a ter emprestado, contra sua vontade, o rosto (e o flanco) a essa tendência - até o Papa Francisco. Deste ponto de vista, o ano recém passado tem muito a ensinar. Se analisarmos as tendências de pesquisa na rede, que refletem certamente os interesses da cultura cada vez mais massificada em nível global, o resultado não deixa dúvidas: o meme - na forma do compartilhamento na web e nas mídias sociais, até atingir as mídias tradicionais - é capaz de catalisar a curiosidade global. Acendendo os holofotes sobre ninharias e (quase) desligando a atenção de eventos bem mais importantes.

Basta pensar nos dois eventos que no ano recém passado mais fizeram falar de Francisco na rede: a viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos, em fevereiro passado, e a agora famosa (é preciso dizer) repreensão no final do ano do Papa a uma fiel de modos decididamente questionáveis. Bem, o primeiro, julgado por muitos como um momento histórico na relação entre cristianismo e islamismo, conseguiu reunir em torno da figura do Papa apenas pouco mais de um quarto do interesse despertado pelo "tapa" e subsequentes desenvolvimentos, primeiro entre todos o público mea culpa de Francisco.

Em outras palavras, se em uma escala de interesse colocássemos a reação energética do papa com um número simbólico de 100, sua viagem a Abu Dhabi chegaria a 27 em nível mundial. E não seria melhor na Itália, onde o interesse pela viagem apostólica chegaria a 16 contra 100, também superada pelo sexto aniversário da eleição de Bergoglio ao trono papal (19).

Mas, se sabe, Francisco está no centro das atenções todos os dias e a busca por curiosidades midiáticas em torno de sua figura é algo corriqueiro. Mas o que dizer de Bento XVI? Talvez inclusive devido à menor exposição midiática, a atenção em relação ao Pontífice emérito parece mais equilibrada, pelo menos em nível global. Despertou grande vivacidade na rede, em abril passado, o longo discurso de Bento XVI na revista alemã Klerusblatt, no qual aborda o flagelo dos abusos contra menores cometidos por membros do clero católico. Na época era o período imediatamente posterior à reunião no Vaticano dos presidentes de todas as Conferências Episcopais do mundo para refletir sobre a crise da fé e da Igreja após a divulgação dos dramáticos relatos de abusos, e o texto de Ratzinger teve um eco imediato, em alguns ambientes, mesmo de maneira polêmica.

É esse evento, de indiscutível interesse, que se oferece como uma comparação para o ano midiático do Papa Emérito (100). No entanto, ele também é quase alcançado (85) pela curiosidade sobre a produção cinematográfica Os dois papas de Fernando Mereilles, que caracteriza o "dezembro digital" de Bento XVI. Curiosidade mantida tanto pela contraposição instrumental entre os "dois pontífices" quanto por alguns escorregões comunicativos, como a publicação de um pôster do filme na via della Conciliazione em um prédio do Vaticano. Isso em nível global, porque na Itália a relação de interesse entre os dois fatos é mais do que invertida, talvez graças à paixão nacional pela ficção.

No geral, a situação levanta sérios questionamentos sobre que tipo de ferramenta está se tornando a Internet, cada vez mais expressão desse duplo trilho que parece separar especialistas e o resto do público. Talvez seja uma ferramenta predominantemente lúdica, e não seria um problema se o percebessem também aqueles usuários convictos de encontrar a verdade a apenas um clique de distância. Uma condenação capital, por outro lado, para alguns temas e personalidades de relevância global, cada vez mais encerrados em recintos profissionais ou de interesse pessoal, se não tornados irreversivelmente silenciosos. Uma realidade factual que também coloca um desafio à gestão da comunicação pela Santa Sé e pela Igreja em geral, especialmente na web, que nos últimos anos não brilhou por coerência e por “compartilhabilidade” de escolhas.

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