Reunião dos bispos em Roma. O objetivo é que todos tenham absolutamente claro o que é preciso fazer diante dos casos de abuso sexual

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11 Janeiro 2019

Rumo ao encontro com os presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica sobre o tema da proteção de menores e adultos vulneráveis.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican News, 10-01-2018

Há uma expectativa midiática excessiva em vista da próxima reunião convocada pelo Papa Francisco sobre o tema da proteção de menores e adultos vulneráveis, como se fosse um evento no meio do caminho entre um concílio e um conclave. Uma expectativa que corre o risco de fazer passar em segundo plano o significado eclesial de um encontro entre pastores, entre os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, que juntos ao Sucessor de Pedro refletirão sobre o tema dos abusos.

Em primeiro lugar, é importante sublinhar a universalidade típica da Igreja católica que se reverbera no encontro: a presença dos episcopados de todo o mundo, convocados pela primeira vez juntos para enfrentar esta chaga dolorosíssima que foi e continua sendo fonte de sofrimentos enormes para as vítimas e contratestemunho evangélico, ajudará a aumentar a consciência de todos sobre a gravidade da crise. O fenômeno do abuso de menores, as experiências dramáticas das vítimas, os procedimentos a serem aplicados diante das denúncias e as indicações para garantir um ambiente seguro para crianças e adolescentes serão, portanto, examinados com uma ótica não somente europeia ou estadunidense.

O objetivo da reunião é muito concreto: fazer com que cada um que tomará parte dela possa retornar ao seu país, tendo absolutamente claro o que é preciso fazer (e não fazer) diante desses casos. Quais são os passos a serem cumpridos para tutelar as vítimas, respeitando a verdade e as pessoas envolvidas, a fim de que nunca mais nenhum caso seja coberto ou escondido.

Obviamente, será necessário aguardar o diálogo entre os bispos e as propostas que serão apresentadas para melhor esclarecer ou especificar alguns aspectos particulares da normativa vigente em questão. Com a consciência de que não se trata de um “ano zero” da luta contra os abusos, pois nos últimos dezesseis anos muitos passos significativos e concretos foram dados. As normas para agir foram estabelecidas e reforçadas por vontade dos últimos Pontífices e, em alguns casos, podem ser definidas como “emergenciais” pela rapidez de ação que permitem em relação àqueles que se mancharam com esse delito.

Mas as normas, as leis, os códigos e os procedimentos cada vez mais refinados e precisos não bastam, nunca serão suficientes se não mudarem a mentalidade e o coração daqueles que são chamados a aplicá-los. Por isso, Francisco continua indicando o caminho da conversão. Por isso, é importante que cada um dos participantes do encontro ouça os testemunhos das vítimas sobreviventes e tome como exemplo o testemunho de Bento XVI e seu sucessor, que nos últimos dez anos, em várias partes do mundo, acolheram as vítimas, as ouviram, choraram com elas, partilhando o seu sofrimento.

Em seu recente discurso à Cúria Romana, Francisco, depois de reiterar que até um só caso de abuso seria “já em si monstruoso”, acrescentou que a reunião de fevereiro buscará “transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar” a chaga dos abusos “não somente do corpo da Igreja, mas também do da sociedade”.

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