O grito de Greta não foi ouvido

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16 Dezembro 2019

"Em vez de competir, cada país deveria entender que a justiça climática é um direito de todos e que as consequências do aquecimento global não têm fronteiras nem políticas nem geográficas, mas tocam e tocarão qualquer pessoa, independentemente de cores e bandeiras".

A opinião é do chef italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, em artigo publicado por La Stampa, 15-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na sexta-feira passada foram encerrados oficialmente em Madri os trabalhos da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima Cop25, que reuniu quase duzentos países para raciocinar mais uma vez sobre o implementação do Acordo de Paris de 2015. O objetivo de longo prazo do acordo de Paris era conter o aumento da temperatura da Terra abaixo do limiar de 2°C, em relação aos níveis pré-industriais. Quatro anos se passaram desde então, anos em que, sem dúvida, a consciência da crise climática aumentou exponencialmente, mas nos quais - como declarou o Secretário-Geral das Nações Unidas - os esforços da comunidade mundial para impedir o aquecimento global foram absolutamente inadequados. Se, de fato, também graças a movimentos como o de Greta, a sociedade civil parece ser mais sensível e comprometida com a conversão ecológica de que precisamos, e se a comunidade científica não deixa mais nenhum espaço para a teoria negacionista, quem se esquiva como sempre é a política. Embora as negociações ainda estejam abertas e o veredicto desta assembleia em Madri ainda não tenha sido dado, já se pode dizer mais uma vez que os interesses particulares dos governos prevalecem e fazem dessas conferências um extenuante exercício ineficiente e ineficaz.

A miopia de países individuais é alucinante: ninguém está disposto a adotar as escolhas radicais necessárias para temer ser prejudicado na competição global. Enquanto isso, o Titanic prossegue rapidamente em direção ao seu destino, o que produzirá muito mais vítimas e muito mais danos do que aqueles que podem derivar dessa temida competição. Em vez de competir, cada país deveria entender que a justiça climática é um direito de todos e que as consequências do aquecimento global não têm fronteiras nem políticas nem geográficas, mas tocam e tocarão qualquer pessoa, independentemente de cores e bandeiras. E como existem situações díspares e necessidades diferentes, o que é necessário é um olhar sistêmico que aplique contração e convergência: precisamos de um equilíbrio entre os países industrializados e os países em desenvolvimento.

Os primeiros têm o dever de desacelerar e pagar o ônus de anos de loucas corridas rumo um crescimento ilimitado. Os últimos têm todo o direito de convergir para melhores estilos de vida, mas é imperativo fazê-lo conscientemente. A responsabilidade pertence a todos e deve ser compartilhada. Se os governos nacionais são incapazes de agir no interesse da comunidade planetária, se falta a capacidade das instituições globais de pôr fim às discussões em nome do bem comum, não temos escolha a não ser nos engajarmos ainda mais como sociedade civil, cidadãos, instituições locais, territórios, empresas. A única esperança é a forte voz da mudança que vem de baixo, de um número cada vez maior de cidadãos, especialmente se organizados em associações, movimentos, redes. O impulso dessas novas forças já está começando a mudar as empresa: talvez um dia elas venham a influenciar a política de maneira determinante e quem sabe a Cop26 não possa vir a ocorrer em um cenário completamente novo.

Enquanto isso, uma das poucas notas positivas veio de Bruxelas, com o anúncio do Green New Deal pela Comissão Europeia, o plano que visa tornar a Europa o primeiro continente neutro em carbono até 2050. Um passo adiante, em parte enfraquecido pela resistência interna de países como Polônia, Hungria e República Tcheca, mas que é pelo menos um sinal de esperança. O caminho é longo, cada passo na direção certa deve ser visto com otimismo e incentivado com perseverança.

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