“Eu, agnóstico, e o Papa. Nosso desafio comum pelo alimento e pelo meio ambiente”. Depoimento de Carlo Petrini

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18 Outubro 2019

Entrevista com Carlo Petrini, fundador e presidente do Slow Food e da Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo.

A entrevista é de Virginia Piccolillo, publicada por Corriere della Sera, 17-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Carlo Petrini, como nasceu a intervenção do fundador do Slow Food no Sínodo?

O papa me ligou. Ele me disse para participar.

E você?

Eu aceitei. Mas expliquei que sou agnóstico.

E ele?

E ele ... disse que eu sou um ‘agnóstico devoto’. Então eu fui e vi uma humanidade extraordinária.

Por exemplo?

Pessoas que lutam ao lado dos povos da Amazônia para defender a floresta. Os indígenas. Mulheres na fila da frente na proteção de direitos e terras. Eu ouvi discursos belíssimos. Preciso dizer: eu não imaginava.

O Papa o conhecia. É verdade que vocês estão escrevendo um livro?

Estamos trabalhando nisso já há algum tempo. Deveria estar pronto em março. É um diálogo. Principalmente reflexões sobre a encíclica Laudato si’.

Considerações sobre o meio ambiente em perigo?

Mas também considerações ligadas à própria vivência.

De que tipo?

O Papa tem lembranças muito boas ligadas à sua migração. Ele cresceu em uma família de migrantes de origem piemontesa na Buenos Aires das décadas de 1940 e 50. E preservou o respeito pelo alimento como um componente para demonstrar afeto.

O que os alimentos têm a ver com a encíclica sobre o meio ambiente?

Não é uma encíclica verde. Mas é uma encíclica social. O Papa expressa muito fortemente um conceito: tudo está conectado. E não se pode falar sobre meio ambiente se não se fala sobre sofrimento, especialmente dos pobres, da sustentabilidade e de um obrigatório paradigma produtivo. O problema é que isso foi pouco compreendida. Pelo mundo secular, mas também pelos católicos.

Você falou sobre isso no Sínodo?

Eu falei sobre alimento como um valor relacional. O alimento, quando é bom, limpo e justo, têm um poder extraordinário que pode proteger a biodiversidade humana e natural, promover a interação e a miscigenação, garantir uma boa saúde. Mas também falei sobre as mulheres.

Por quê?

Na vida de cada um, há uma mãe ou uma avó que, através da educação para o consumo correto de alimentos, nos transmitiu aquela inteligência do coração, a base de nossa existência. Mas também da importância da agricultura e da colheita: os indígenas da Amazônia protegem a floresta com seus saberes.

Você lançou o alarme sobre a agroindústria e as monoculturas. Por quê?

Uma humanidade que cresce e precisa de alimento não pode permitir que seja explorado por poucos e não disponibilizado para muitos. É preciso combater a ameaça da agroindústria, da centralização do poder, das monoculturas e da criação intensiva, ligada ao desmatamento, à crise climática e ao aumento do fosso entre ricos e pobres.

Como você considera as políticas ambientais?

Inadequadas. A situação requer uma mobilização mais forte. É positivo que os jovens reivindiquem respostas porque sentem que não têm futuro. Mas todos nós vemos o sofrimento do planeta. Inclusive aqui entre nós. Com as bombas de água. Com as geleiras derretendo sob nossos olhos. Não podemos mais ficar calados.

Como chegou até aqui?

“Nasci no Piemonte. O amor pela boa comida e pelos vinhos veio com os pratos da minha avó Caterina e minha mãe Maria. Quando percebi que era um valor com a chegada dos fast food, me consideraram um louco: ‘Ah, lá vem você com essa mortadela, essas coisas superadas’.

Em vez disso?

Em vez disso, resulta que muitos produtos corriam o risco de desaparecer e nasceram grupos slow-food e Terra Madre: agricultores e pescadores que defendem a biodiversidade.

E agora?

É preciso defender a distribuição próximo das comunidades. Reviver as aldeias com armazéns administrados por jovens. Serve para a agricultura e o turismo. E é a beleza da Itália.

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