Voltemos a amar a Terra. Entrevista com Carlo Petrini

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19 Março 2018

O ponto de partida já é, por si só, uma mudança de perspectiva. “As Comunidades Laudato si’ são um caminho não confessional, transversal e aberto a todos, porque todos somos irmãos nesta terra, que é nossa mãe.” Carlo Petrini, fundador do Slow Food, está profundamente convencido de que é preciso “acabar com a separação entre crentes e não crentes, porque estamos em um momento histórico em que todos devemos trabalhar juntos para construir um novo humanismo. Uma nova casa comum que respeite o ambiente e o ser humano”.

A reportagem é de Alessia Guerrieri, publicada por Avvenire, 17-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como nasceu a ideia de um centro ambiental em Amatrice?

Com o bispo de Rieti, compartilhamos a vontade de realizar um projeto de renascimento dessa terra atingida pelo terremoto para levar um pouco de esperança. Não se trata apenas de reconstruir um edifício, mas de ter nesse edifício uma cooperativa de jovens que acolhem outros jovens, falam sobre o ambiente e, ao mesmo tempo, produzem alimentos na sua horta e fazem pão, respeitando a Criação. De fato, não existe cultivo sem cuidado, nem cuidado sem cultivo. E não havia nada melhor do que basear essa ideia no documento mais importante deste século em nível de educação ambiental: a última encíclica do Papa Francisco. Em 2015, de fato, com a publicação da Laudato si’, o movimento ambientalista mundial deu um grande passo, descobrindo o conceito de ecologia integral. A reflexão do papa de que fazer mal ao ambiente também faz mal ao ser humano, e em particular aos pobres, revolucionou o pensamento ambientalista e ecologista.

Portanto, as políticas ambientais devem estar ligadas à justiça social?

Acima de tudo, é preciso partir da conscientização de que nós fazemos parte da Terra, devemos amá-la por isso também. Em vez disso, continuamos com práticas que são invasivas, que destroem o ambiente e a biodiversidade, que favorecem as mudanças climáticas. E tudo isso incide sobre a vida das pessoas, com o dano maior pago pelos pobres. Por isso, devemos passar da democracia “animal” para a “vegetal”. Na primeira, há um cérebro que dá os inputs aos órgãos; na segunda, há uma série de aparelhos que contribuem para a saúde da planta de modo autônomo.

Isso significa que o modelo de desenvolvimento deve ser mudado?

Essa economia não funciona, admitamos. Ela não prejudica apenas o ambiente, mas também a comunidade humana. Precisamos de novos paradigmas, de práticas econômicas e comportamentais individuais que trabalhem pelo bem comum e que o ponham acima de tudo. É um processo claro, mas muito difícil de praticar. Ou seja, acho que, por enquanto, a política não o intercepta totalmente. É por isso que estou convencido de que a dimensão positiva é a comunidade. Serão as comunidades que mudarão a política, porque poderão aceitar os desafios maiores e aparentemente impossíveis – como modificar o sistema econômico – e vencê-los, porque, em comunidade, há segurança afetiva. Não é romantismo, mas realismo que gera boa economia.

Uma revolução cultural, em suma. Quem a lidera?

Estou certo de que as jovens gerações praticarão com convicção esse processo virtuoso. Elas cresceram em escolas onde se fala de ambiente, onde se ensina a não desperdiçar, têm uma educação muito mais forte do que as gerações anteriores. Não há dúvida também de que a Laudato si’, com sua facilidade de leitura, é uma atração muito forte para os jovens. Prova disso é quando eu me encontro com os estudantes. Na sociedade civil, por sua vez, não há essa sensibilidade, e mesmo em parte da Igreja eu acredito que não há uma mobilização suficiente sobre essas temáticas.

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