Primeira Semana do Advento: meditações diárias com Laudato Si’

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02 Dezembro 2019

O National Catholic Reporter está compartilhando as reflexões sobre o Advento inspiradas em Laudato Si’ – Sobre o Cuidado da Casa Comum, do seu ex-editor Arthur Jones. Estas reflexões foram originalmente publicadas em 2015 pela Comunidade Paroquial St. Vincent de Paul, em Baltimore, no estado americano de Maryland. Jones deseja reconhecer a inspiração das invocações celtas da obra Carmina Gadelica, de Alexander Carmichael.

Publicaremos as suas reflexões para as Semanas 2, 3 e 4, nos dias 8, 15 e 22 de dezembro. 

As duas seguintes reflexões são publicadas por National Catholic Reporter, 01-12-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Domingo, 1º de dezembro: o projeto de amor de Deus 

As narrações da criação no livro do Gênesis, sugere o papa, contêm ensinamentos profundos sobre a existência humana e a sua realidade histórica: a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Se quisermos, de verdade, construir uma ecologia que nos permita reparar tudo o que temos destruído, então nenhum ramo das ciências e nenhuma forma de sabedoria pode ser transcurada, nem sequer a sabedoria religiosa com a sua linguagem própria. E pelo simples fato de ser humanas, as pessoas se sentem movidas a cuidar do ambiente de que fazem parte, “os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé”. Isto oferece “motivações altas para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis”. 

O papa escreve que, na tradição judaico-cristã, a palavra “criação” compreende o “projeto de amor” de Deus, onde cada criatura tem um valor e um significado. A natureza entendida como um dom que vem das mãos abertas do Pai de todos. 

Posso eu aceitar que também devo estender/abrir minhas mãos aos seres vivos, até mesmo aos micro-organismos, inclusive se for somente para reconhecer, pela primeira vez, a existência deles, com a promessa de encontrar formas de aprender mais sobre o “valor e significado” destes organismos e criaturas? Posso passar a cuidar das coisas em que antes eu nunca – ou raramente – havia notado? 

Ó Deus, permita-me cultivar virtudes ecológicas. 

A irmã beneditina Jennifer Mechtild Horner, prior das Irmãs de São Bento de Beech Grove, Indiana, EUA, acende uma vela da Coroa do Advento, 01-12-2018, no Mosteiro da Nossa Senhora da Graça. (Foto: Katie Rutter | CNS)

Segunda-feira, 2 de dezembro: Ecologia integral 

Precisamos ter, agora, uma fonte mais suave para as nossas reflexões, unindo-nos à própria caminhada espiritual do Papa Francisco nos temas da ecologia integral, combinando a vida humana com toda a vida. 

Precisamos também pensar novos modos de combinar a nossa vida com a vida das demais pessoas com as quais interagimos, sob formas que talvez não consideramos: uma oração para os catadores dos produtos que estamos preparando para servir, uma oração para a pessoa Bangladesh que fez aquela gravata ou camisa. 

Francisco cita o seu santo homônimo para lembrar que a casa comum, a Mãe Terra, é como uma irmã com quem compartilhamos a vida. “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la”. 

Francisco tem um lado poético, um lado realista para o seu modo de expressão. Isso faz com que, na maior parte das vezes, as coisas que ele faz ficam fáceis de serem entendidas. 

“A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’” (Rm 8, 22).

Se eu, enquanto indivíduo, não tenho prestado atenção ao meu tratamento dispensado à Terra e aos seres vivos, é também verdade, escreve o papa, que o pensamento judaico-cristão, baseado a narração do Gênesis, “favoreceria a exploração selvagem da natureza [e] é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras (…)”. 

“Ao mesmo tempo, o pensamento judaico-cristão desmitificou a natureza. Sem deixar de a admirar pelo seu esplendor e imensidão, já não lhe atribui um carácter divino”. 

“A permite-nos interpretar o significado e a beleza misteriosa do que acontece”. 

Hoje devemos decididamente “rejeitar que, do fato de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas”. 

Não somos os donos da natureza, do mesmo modo que não somos os donos das outras pessoas. A nossa conexão com os demais, e com os seres vivos e a ordem natural, tem a ver com relações corretas. 

Ignoro atos menores em minha vida que, com base na conveniência, ou no egoísmo, talvez mesmo na vaidade, podem me distrair daquilo que é essencial não para manter a minha vida, mas a vida de todos os seres vivos? 

Ó Deus, permita-me cultivar virtudes ecológicas.

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