Primeiro domingo do advento - Ano A - Não sabeis o dia e a hora! O Pai conhece!

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Por: MpvM | 29 Novembro 2019

A liturgia deste domingo dá início ao tempo litúrgico do Advento. É um tempo que torna presente a espera e a esperança da vinda gloriosa do Senhor Jesus e da instauração de seu Reino de Justiça e Paz. Com este horizonte de esperança, o Advento é perpassado pelo convite a despertar e estar em atitude ativa de vigilância à espera d’Aquele que vem.

Neste primeiro domingo do Advento o Evangelho de Mateus nos coloca diante do convite que Jesus faz a seus discípulos: Ficai atentos! Ficai preparados! (Mt 24, 42.44)

Este convite está no coração da espiritualidade do Advento que tem como centro o tema da espera do Senhor. O senhor, que já veio ao encontro da humanidade no evento histórico de Jesus de Nazaré, continua vindo constantemente na vida de cada discípulo, de cada discípula do reino, que vive e celebra sua fé na esperança de sua Vinda gloriosa, definitiva.

A reflexão é de Cleusa Maria Andreatta, idp, religiosa da Congregação das Irmãs da Divina Providência. Ela possui graduação em Filosofia (1997) e Teologia (1988) PUCRS, mestrado em Teologia pela FAJE/BH e doutorado em Teologia pela PUC-Rio. Atualmente é professora adjunta da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-IHU e integrante da Equipe de Coordenação do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, com ênfase no Programa Teologia Pública.

Referências bíblicas
1ª Leitura - Is 2, 1-5
Salmo - Sl 121, 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. Cf. 1)
2ª Leitura - Rm 13,11-14a
Evangelho - Mt 24,37-44


A passagem do Evangelho de Mateus (24,37-44) que meditamos neste domingo é precedida por uma incerteza quanto ao dia e hora da “vinda do Filho do Homem” : “Quanto ao dia e à hora, ninguém os conhece, nem os anjos do céu nem o Filho” (Mt 24,36). Porém, é precedida também por uma garantia: “só o Pai o conhece”. Esta certeza é um convite a meditar o Evangelho na confiança em Deus Pai, que em seu amor está sempre presente e atuante entre nós.

Jesus dá a seus discípulos em seu tempo e a nós hoje instruções importantes de como preparar-nos para sua Vinda através de três imagens: o dilúvio no tempo de Noé, em que as pessoas “não perceberam” o que estava por acontecer, até que aconteceu; dois homens e duas mulheres em meio ao trabalho, que se deparam com destinos diferentes; o dono da casa que não consegue prever quando virá o ladrão. Toda a instrução culmina no convite insistente perpassa o texto é: "Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor" (v.42). "Também vós ficai preparados!" (v. 44).

As três imagens que guiam a reflexão são um chamado a revitalizar em nós a atitude de vigilância e discernimento, que é própria de quem abraçou o seguimento de Jesus como projeto de vida. Assim, o evangelho nos convida uma tomada de consciência e a prestar atenção aos sinais de nosso tempo, discernir em meio a realidade em que vivemos a presença de Deus que vem sempre de novo ao nosso encontro com seus apelos.

Ampliando a reflexão, a primeira leitura (Is 2,1-5) nos oferece pistas significativas que impulsionam esperança e convidam a conversão. Nela encontramos uma profecia de Isaías, pronunciada num momento de grave crise política, social e religiosa. Jerusalém está imersa numa situação de assassinatos, violência, injustiça e corrupção, o que é descrito ao longo do capítulo 1 (v. 10-15). Isaías exorta o povo e suas lideranças à conversão: “cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva” (Is 1, 16). Mas ele também crê que a transformação da realidade depende também de uma intervenção de Deus.

Diante deste cenário, a visão de Isaías desta primeira leitura indica um futuro de esperança não só para Judá e Jerusalém, mas também para toda a humanidade. Um futuro que contempla um movimento de busca por parte dos povos que se põem em peregrinação rumo ao monte em busca de encontrar-se com Deus, deixando que Ele “mostre seus caminhos e ensine a cumprir seus preceitos”. Do encontro com Deus vem a paz e os instrumentos de violência se transformam em ferramentas que produzem vida.

Retomando o convite do Evangelho à vigilância e discernimento em confronto com esta primeira leitura , encontramos uma provocação a dar atenção à realidade em que vivemos, a tomar consciência de nossa responsabilidade diante dela. Os contemporâneos de Noé “nada perceberam”, nem os sinais de uma eminente catástrofe e nem os sinais do movimento de Noé em busca de saída. Hoje vemos e ouvimos cada vez mais o alerta de que estamos em meio a uma grande crise põe em risco as possibilidades de vida no presente e no futuro. Podemos perceber e conhecer muitas situações de risco e ameaça à vida como um todo. Que apelos de Deus discernimos em meio a realidade que nos cerca? Como aqui e agora podemos assumir o compromisso com o projeto de Deus para a humanidade e a toda a Criação? Como podemos fortalecer aqui e agora uma esperança que nos põem em movimento e engaja na transformação da realidade, contribuindo na superação das situações de injustiça e violência, e na construção da paz?

A mensagem de Paulo à comunidade dos Romanos na segunda leitura (Rm 13,11-14a) reforça o convite para despertar, e a entrar numa dinâmica de conversão que começa em nós mesmos ao nos convidar a despir-nos de tudo o que significa trevas em nossa vida, a vestir-nos das “armas da luz”, a revestir-nos do Senhor Jesus, a proceder honestamente, por que “a salvação está próxima”. É um convite a revestir-nos da força que vem do Evangelho e do Espírito de Deus presente e atuante entre nós, e colocar-nos a serviço de seu Reino, aqui e agora.

Que este advento seja para todos e todas nós um tempo fecundo ´de reflexão e oração, à luz da Palavra de Deus que sempre de novo vem ao nosso encontro para nos orientar e conduzir em nosso dia-a-dia. E que seja também um tempo de assumirmos gestos concretos que nos ajudem a aprender sempre de novo a fazer o bem e nos colocar a serviço do cuidado da vida!

Bom advento! 

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