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24 Novembro 2015

O Papa Francisco a tinha citado amplamente na sua carta encíclica sobre o cuidado da casa comum. Uma homenagem certamente incomum para um documento pontífice (como, aliás, muitas das 172 citações da Laudato si'): não só um sinal tangível do afeto pelo "caro patriarca Bartolomeu" (LS 8) e um reconhecimento devido pelo seu empenho apaixonado na questão da promoção da responsabilidade pela criação, mas também uma verdadeira comunhão de intenções que os tinha visto lado a lado na promoção do Dia Mundial de Oração pela Criação, celebrado pela primeira vez conjuntamente pela Igreja Católica e pela Ortodoxa no último dia 1º de setembro.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 22-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E o patriarca de Constantinopla, o "patriarca verde", depois de ter respondido idealmente à citação abraçando plenamente a análise da Laudato si' na sua tradicional Mensagem para o dia 1º de setembro – das mudanças climáticas que ameaçam a sobrevivência do planeta ao consumismo filho da cultura do desperdício e também as "imundícies materiais e espirituais" – chega nestes dias às livrarias, com um breve ensaio para as edições Qiqajon, uma antologia de textos sobre um tema em que os dois líderes cristãos, ligados por uma grande sintonia, identificam a raiz da questão.

"Francisco e Bartolomeos – escreve Enzo Bianchi, prior de Bose no prefácio – estão ambos profundamente convencidos de que a chamada 'crise ecológica' é, acima de tudo, uma crise de natureza espiritual e ética e, com base nas comuns convicções de fé enraizadas na Bíblia e no Evangelho, contestam radicalmente o modelo antropológico imposto pela sociedade tecnocrática que se afirmou no Ocidente, que vê o homem solitário dominador da natureza, e denunciam sem meios termos a conexão entre a exploração dos recursos ambientais e a violência e a iniquidade nas relações sociais, que invariavelmente produzem divisão, guerra, miséria e morte".

A necessidade de uma "conversão ecológica" (evocada ainda pelo Papa João Paulo II em 2001) destinada a abrir os olhos do homem contemporâneo que vive no antropoceno e que, pela primeira vez na história, conseguiu modificar radicalmente aquele "jardim" que Deus lhe tinha confiado, a adoção daquele que Bartolomeu definiu como o "ethos eucarístico", ou seja, um modo se posicionar em relação ao restante da criação (o mundo e os seus habitantes) sob a insígnia do respeito, da humildade e da ação de graças, o testemunho dos santos medievais católicos – em primeiro lugar Francisco de Assis –, mas também dos grandes monges da tradição oriental, como Isaac de Nínive, são o fio condutor que liga os textos, escolhidos a partir de 2010.

Na convicção profundamente enraizada de que é preciso, sem demora, "enfrentar a crise ecológica mundial", a pista indicada pelo patriarca é uma só: a partir da visão teológica da criação – forte na teologia ortodoxa (basta pensar na contribuição do patriarca Zizioulas de Pérgamo, não por acaso convidado para a apresentação da encíclica, em Roma) – é mais do que nunca necessário construir pontes de diálogo, principalmente entre as fés ("mesmo ao custo de sermos difamados por teremos feito escolhas ecumenistas ou sincretistas"), depois com a natureza e, por fim, com aqueles que, de qualquer credo ou sem credo, são sensíveis ao futuro do planeta e da humanidade.

"A ortodoxia é a Igreja verde por excelência", escreve Bartolomeu, nada freado pelo uso do adjetivo "verde", e devemos reconhecer a verdade dessa afirmação, porque, até a Laudato si' (e talvez ainda hoje para alguns grupos de fiéis), não eram nada frequentes os discursos, homilias, intervenções no campo católico sobre o tema da educação à criação.

"A solução do problema ecológico não é apenas uma questão de ciência, de tecnologia e de política, mas também, e talvez principalmente, uma questão de mentalidade, de novos valores, de um novo ethos", mas, "se apreciamos cada indivíduo criado à imagem de Deus e se apreciamos cada partícula da Sua criação, então podemos cuidar uns dos outros e do nosso mundo".

O mundo é "justiça de Deus", escreve Bartolomeu: "A escolha é nossa! Encontramo-nos em um momento crítico da história e do futuro do nosso planeta, um momento em que a nossa família humana deve decidir o futuro para a nossa comunidade terrestre".

Um livro que é quase um manifesto em vista da conferência da ONU de Paris, a COP 21.

  • Bartolomeos I, Nostra Madre Terra. Ed. Qiqajon, Comunidade de Bose, 2015, 136 páginas.

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